No trem

14 de Julho de 2012
10h14

No trem de volta à Paris

Acordei cedo, tomei banho, café e terminei de arrumar as últimas coisas. Até aqui, tudo normal. 

A não ser por dentro.
Eu estava despedaçando por dentro.

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última foto do grupo com seus correspondentes franceses

Entramos no carro e, novamente, não trocamos muitas palavras até chegar à estação de Blois. Tudo que se ouviu ao longo da viagem foram básicos comentários sobre o tempo e sobre o dia 14 de julho.

Quando chegamos a estação, maior parte do grupo ja estava lá. Na verdade, acredito que eu tenha sido a última a chegar, já que saimos de casa às 9h, horário que deveriamos estar chegando à estação.

momento de agradecimento às famílias

abraço coletivo

Durante todo o caminho, tive em mãos a carta que havia escrito para Romane e Marie Paule na noite anterior, bem como os presentinhos que trouxe do Rio para eles.

Tiramos algumas fotos de grupo e com as familias na porta da estação até que Mme. Pletier apareceu dizendo que era hora de começarmos a dizer adeus à nossas famílias. 

NON! JE NE VEUX PAS PARTIR!

NON! JE NE VEUX PAS PARTIR!

Imediatamente abracei Romane e ficamos assim por um bom tempo. Depois ela me chamou para tirar algumas fotos juntas e me despedi do resto do grupo. 

eu e Romane

eu e Romane

Entreguei a carta e os presentes e passei o portão. Paa minha surpresa, Romane me acompanhou até a plataforma, levando minha mala. 
Foi muito difícil dizer adeus. Não pensei que fosse chorar, muito menos que Romane fosse, mas a verdade é que eu estava me segurando e nao pude mais conter as lágrimas ao olhar pela janela e vê-la chorando. 

Pela janela, disse que sentiria saudades e acenei em despedida. Vou guardar a ultima imagem que tenho dela: às 9h58, na Gare de Blois, enquanto o trem acelerava. 

vou sentir saudade

foto que tirei da janela do trem. Nela, Alexis, Audrey, Candice, Antoine, Tracy, Toinon, Romane e Bérénice, todos “irmãos” de algum participante

Agora estou aqui, na segunda classe (que é muito confortável, tá?) de um trem rumo à Paris, com um nova-iorquino ao meu lado e Adele nos ouvidos. Someone Like You,  essa é a musica que está tocando. Esta é, definitivamente, a trilha sonora de todos os tristes momentos de despedida da minha vida. Me lembro de quando deixei Charlotte e D.C…. Essa era a única música que se ouvia! 

A segunda classe do trem é dividida em pequenas cabines, onde cabe cerca de 6 pessoas. Esse é o Andrew, líder do nosso grupo, passando de cabine em cabine para se certificar de que estava tudo bem com todo mundo.

A segunda classe do trem é dividida em pequenas cabines, onde cabe cerca de 6 pessoas. Esse é o Andrew, líder do nosso grupo, passando de cabine em cabine para se certificar de que estava tudo bem com todo mundo.

Nesse momento, estou em algum lugar entre Orléans e Paris e, de certa forma, por trás de toda essa tristeza, estou animada para chegar logo lá. Hoje é um dia especial para a França, então creio que Paris estará anda mais bonita do que o natural. 

Sinto saudades. Sim, sinto saudades. Paris é como um sonho, enquanto Blois… Ah, Blois… Minha vidinha (quase) real. 

Daqui a menos de 1h estarei lá. Pela janela, agora só vejo mato. 

cadê a Romane?

Mato dos dois lados, não mais a imagem da pequena-grande debutante de cabelos longos e franja

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Últimos momentos em Blois #2

13 de Julho de 2012,
Blois, France

No meio do jantar, Romane levantou-se rumo ao computador e disse que iria me mostrar a cantora que viria a Blois hoje a noite.

Modja, Inna Modja.

Nunca havia ouvido falar sobre, mas a primeira vista, já gostei de seu cabelo. Parecia simpática.

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Disse: 

– Que legal! Gosto de seu cabelo!
* Risadas de Romane * 
– E você vai ao show?
– Sim! E você também!
* Risadas compartilhadas * 

Romane aproveitou para me mostrar algumas de suas músicas e eu gostei muito de French Cancan (acho que é assim que se chama). Também descobri que ela não era tão desconhecida assim ao reconhecer uma de suas músicas. “I’m smiling in the morning, i’m happy in the evening, I’m laughing in the afternoon, no one is gonna change my mood…”ADORO! É a velha arte de conhecer um trecho da música, mas não saber quem canta. 

Esperei que Romane se arrumasse, pois fui com a mesma roupa que usei na festa de Antoine, apenas acrescentei uma jaqueta de couro, já que tava meio frio.

Quando chegamos ao local do show, estava bem vazio e me questionei se a cantora era boa ou não. Mal podia imaginar o quão cheio ficaria alguns minutos depois. 

Andando um pouco mais a frente, decobri o motivo pelo qual estava tão vazio próximo ao palco: todo mundo estava às margens do Rio assistindo aos desfiles e garantindo os melhores lugares para a queima de fogos que estava prestes a começar.

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Eu e Romane assistimos aos desfiles dos bombeiros e servidores publicos carregando bandeiras francesas e eu achei lindo. Ela perguntou se havia algo do tipo no Brasil e eu disse que sim, em 7 de Setembro.

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Encontramos algumas amigas dela que disseram já me conhecer embora eu, pessoalmente, não lembrar de já tê-las visto anteriormente. Trágico!

Queríamos encontrar o resto do grupo, então ligamos para Bérénice e perguntamos onde ela estava. Como o barulho era muito grande, Romane entendeu “próximo ao estacionamento subterrâneo” e fomos andando para lá. Ficamos procurando-os e nada, até que ouvimos os fogos. Corremos de volta para onde estávamos enquanto eu filmava tudo. Turistooona! kk 

Encontramos o povo e ficamos lá assistindo. Fiquei maravilhada com a queima; era a primeira de minha vida. Pois é, embora seja carioca da gema, nunca fui ao Revellion de Copacabana, sad story.

Agradeci a Deus por estar ali assistindo aquilo. Era realmente um espetáculo! Estava emocionadíssma! 

Terminada a queima, corremos para perto do palco na esperança de conseguir um lugar tão bom quanto o que tinhamos no inicio, mas já sabendo que seria quase impossível. “Quase”, eu disse “quase”!

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Inna (rainha) Modja

Tem horas que ser pequena ajuda muito e esse foi um dos momentos: abri caminho no meio das pessoas e cheguei a segunda fileira antes do palco. Encontramos Ben e Frances no meio da multidão e depois fomos encontrando todos. 

O mais engraçado é que embora o show fosse maravilhoso e ainda por cima gratuito, a plateia nao estava empolgada. Not at all. Eles nao pulavam, nao cantavam, nao dançavam, nao gritavam… Eu e Frances eramos as unicas doidas dançantes no meio do povo.

todo mundo borocoxô

todo mundo borocoxô

Um episodio engraçado foi que no inicio eu e Francisco estávamos morrendo de sede. Como bons habitantes de grandes cidades e acostumados a muvucas e tumultos, simplesmente avisamos aos outros que iriamos ao restaurante ali ao lado tomar uma coca e voltariamos em breve. Ao ouvir isso, os franceses quase morreram; quase imploraram para que nao fossemos porque iriamos nos perder e nunca mais conseguiriamos voltar. Alheios ao desespero geral, fomos e em cinco minutos estavamos de volta ao mesmo lugar, vivos, sãos e salvos, fazendo jus às nossas big cities.

wooooooa!

wooooooa!

Fizemos amigos no meio da multidao e entramos na coreografia de uns malucos super animados (exceção em meio a toda aquela gente morta). Até Marie-Paule entrou na dança!

No final, Inna desceu do palco e caminhou em meio a multidão. Achei isso o máximo! 

A multidão se evacuou organizadamente assim qur o show terminou, coisa que nao acontece no Brasil. 

tod mundo blurred de animação

tod mundo blurred de animação

Me despedi de todos e voltei ao carro. Não muitas palavras foram ditas até que o carro estacionasse em frente a casa. 

Entrei no meu quarto e terminei de arrumar a mala, também falei com minha mae e irmãos no skype. Enquanto conversava, escrevi a seguinte carta de despedida: 

Marie Paule et Romane, 

Je n’ai pas de mots pour dire combien tu as été importante au cours de mon séjour à Blois. Comme j’ai dit dans mon discurs, je pense que j’ai eu de la chance de venir chez toi.
Quand je suis arrivée ici j’étais un peu perdue. Je ne savais pas quoi faire ou où aller mais comme le temps passait tu m’as fait sentir a l’aise.
Je te remercie por l’hospitalité et d’être patients avec mes fautes de français. J’ai beaucoup appris avec toi.  Merci beaucoup pour tout que tu as fait pour moi, por sa gentillesse, amour et soutien.
Je espère que tu ne m’oublie pas parce que je jamais t’oublierai. Maintenant tu ais partie de ma vie et de mon histoire.
Je espère que nous nous rencontrons bientôt. Tu me manqueras beaucoup! 

Je t’aime, 
Laís.

Ultimos momentos em Blois #1

13 de Julho de 2012
Chailles, Vineuil – França


“Meu último dia com minha famille d’accueil. Acordei e logo fomos almoçar.

Meu ultimo almoço com minha famille d’accueil

Ok, menos melancolia. 

Tá. O almoço foi ovos mexidos com batata frita e bacon. Delícia! Depois tomei banho, me arrumei e fomos para a casa do Antoine, em Vineuil, comemorar seu aniversário de 17 anos.

O aniversariante

O aniversariante


Todo o grupo estava lá, menos o James, na verdade. Jogamos uno e dançamos no xbox. Até que foi legal; mais um aniversário bem diferente dos brasileiros. 

Pelo que ouvi, o grupo estava marcando de assistir a uma queima de fogos de artificio em algum lugar, mas acho que eu e Romane não iremos. Sabe como é, né? Ela odeia todas essas coisas. 

Se continuarmos mesmo em casa, daqui a pouco é hora de fazer as malas. Parto amanhã, às 9h. 

—————

Algum tempo depois de ter escrito isso, Romane apareceu no quarto e disse o diário “à la table!” com um sorriso no rosto.

E la fui eu; era hora do jantar.

Último jantar com a minha famille d’accueil” – era tudo que eu conseguia pensar

Sobre a mesa, um prato redondo com divisões onde encontravam-se variadas frutas a serem degustadas. Do lado direito, uma travessa com pedaços de melão. À esquerda, fatias de jambon e… Quanto parnasianismo, Laís! 

charcuterie

charcuterie


Vou confessar que fiquei um pouco frustrada diante de todas aquelas frutas. Ok, eu sei que é saudável e tudo mais, mas nunca fui amante de fruta e todo mundo sabe disso.

Pensei que o jantar se resumiria àquilo e comecei a pensar nos deliciosos biscoitos de chocolate que tinha guardado em meu quarto. Seriam minha salvação! 

Felizmente, Marie-Paule levantou e dirigiu-se a cozinha. Quando voltou, trazia nas mãos uma tigela com saucisses aux lentilles, mesmo prato que ela havia preparado no meu sexto dia em Blois e eu havia comentado que tinha amado. Quanta gentileza, gente! Sinceramente, achei muito fofo de sua parte dar ouvidos ao meu comentário e preparar este prato em meu último dia.

Para a minha surpresa, não houve a fatigante rodada de queijos, que maioria das vezes eu ficava só olhando. Eu juro que até tentei dar uma oportunidade aos queijos nos primeiros dias, mas não rola, gente; eu não gosto mesmo! Depois fiquei pensando: será que ela me ouviu comentar que detestava? Porque… Por que outro motivo exatamente no meu último dia não teria queijo?”

Fiquei realmente emocionada nesse momento. Tive vontade de eternizá-lo.

Festa de despedida

12 de Julho de 2012
St. Gervais la Forêt, France

A festa de despedida do grupo estava marcada para às 19h30 na casa da Mme. Pletier, que fica na comuna de St. Gervais la Forêt. Pensei mil vezes em não ir, pois estava cansadíssima da viagem a Orléans e também porque Romane havia adoecido, mas ao mesmo tempo pensei que definitivamente não seria legal perder esse último momento de interação entre todos os membros do grupo e suas respectivas famílias acolhedoras.

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Combinamos que cada um levaria um prato típico de seu país para que fizéssemos uma festa de despedida bem diversificada. Quando chegamos em casa vindas de Orléans, então, preparei o arroz e feijão.

No carro, a caminho da festa, Marie-Paule me disse que esse era o primeiro ano no qual chovia na festa de despedida. E chovia muito! Mme. Pletier, então, arrmou umas tendas em seu lindo quintal e ali ficamos. Sobre a mesa, havia várias taças de champagne, que foram enchidas por Luisa (“da maneira correta, não com se poe refri num copo”, segundo a própria). Ela nos orientou a oferecer aos nossos familiares e assim eu fiz.

Nossos líderes Luisa e Andrew

Nossos líderes Luisa e Andrew

Algum tempo depois, chegou a hora de ler os discursos. Cada um de nós, após ler, pegava uma rosa que deveria ser dada a quem quiséssemos. Fui escolhida para falar em nome do grupo e aproveitei para já incluir o meu discurso pessoal:

Bonsoir tout le monde! Je suis Laïs, l’étudiante internationale venant du Brésil. Aujourd’hui, je parle au nom de tous les “experimenteurs” afin de remercier tous ceux qui sont là pour les merveilleux et inoubliables moments de cet été. Avant de venir, nous avions beaucoup d’attentes sur ces vacances et, sans doute, toutes ces attentes ont été dépassées. La France est un pays étonnant, par lequel nous sommes ravis. Le glamour de Paris est fascinant, tandis que l’hospitalité et “le goût de la vraie vie” de Blois est accueillant.Nous avons connu des gens formidables et nous avons passé par des plus variées situations au long de notre voyage ici. Tout cela a beaucoup ajouté à nos vies personnelles ainsi que changé nos façons de penser et de voir le monde et nous a fait grandir. Particulièrement, je remercie Romane et Marie-Paule, respectivement ma mère et ma sœur d’accueil, de m’avoir accueilir et d’avoir été patientes avec mes fautes en français. Il faut que je remercie aussi Andrew et Luisa pour m’avoir aidé toutes les fois que j’ai eu besoin.Merci, Mme. Petier, pour les familles. Je suis sûr que nous avons tous été très bien reçu dans nos maisons. Je peux même dire que les nouveaux parents qui nous avons gangné sont comme des cadeaux. Nous les oublierons jamais! L’experience n’aurait pas été la même sans eux.Nous espérons, du fond de nos cœurs, revenir un jour à Blois. Nous n’avons pas encore parti, mais cette ville DÉJÀ nous manque et nous avons hâte de le jour de notre retour, lorsque nous nous réunirons sur la bord du Loire pour rappeler les vieux souvenirs de cet été 2012.

E ofereci a rosa a Marie Paule.

Ao ler o que havia escrito, percebi que realmente gostava de minha mãe e irmã francesas. No inicio da estadia em Blois, cheguei a dizer que nao ia sentir saudades, tampouco chorar ao deixar a cidade; ia mandar um “bye, bitches, thank you for your food“, mas ao proferir aquelas palavras, percebi que realmente vinham do fundo do meu coração. Não se tratava de um discurso falso e decorado, mas sim de uma pequena tentativa de expressão da enorme gratidão que sentia. Ao ler o discurso e perceber que meus olhos estavam cheios de lágrimas, tive certeza de que era aquilo mesmo. Como eu poderia ser indifernte a pessoas que contribuiram com o meu crescimento e aprendizado? Além disso, como poderia dizer “bye, bitches” para aquelas que abriram as portas de sua casa para uma estudante brasileira que nunca tinham visto na vida, que me acolheram, que foram pacientes com os meus erros, que me alimentaram… Como? Realmente gosto delas apesar de ainda achar que Romane é meio fútil (ok, entendo que é só uma questão de maturidade). Me senti bem quando ela me abraçou para fotos. 

SIM, EU, LAÍS BARBOSA, dura, fortona e machona, VOU SENTIR SAUDADES DE MINHA FAMILLE D’ACCUEIL.
Pronto, baixei a guarda e falei.

Daí pro final da noite, comemos (omg, eu a-do-rei as meatballs que o Musty e sua irmã (Elisa, a francesa mais cool que eu já conheci, diga-se de passagem) fizeram. Isso, aliás, rendeu grandes piadas e boas risadas), cantamos, tiramos fotos, inventamos musicas, sentimos frio e nos abraçamos. 

O grupo

O grupo

À noite, enquanto voltávamos para casa, Marie pontuou o quanto se sentiu emocionada com o meu discurso e elogiou a forma como eu o conduzi, o que me fez sentir feliz.

Eu e Roman'ouche, minha irmã

Eu e Roman’ouche, minha irmã

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É, vou sentir saudades…

Tour de compras em Orléans

12 de Julho de 2012
Orléans, France

 

Acordei mais ou menos às 8h30, tomei banho e vesti uma roupa para ir a Orléans. 

Vista da Catedral de Orléans e da Ponte Georges V

A cidade fica a 69km de Blois e a viagem foi mais rápida do que imaginei: durou cerca de 1h e quando dei por mim, já estávamos lá.

Pegamos um pouco de chuva enquanto estávamos na estrada e a Marie Paule dirigiu nessas condições até que enfim conseguimos estacionar próximo à estação de Orléans. Tenho 99,9% de certeza de que já estive lá antes; talvez quando vim de trem de Paris para Blois.

Estação de Orléans

Caminhamos um pouquinho até o Centre Commercial Place d’arc, onde passamos um bom tempo fazendo compras. Lá estão localizadas algumas as lojas mais famosas do país.

interior do Place a'arc

interior do Place a’arc

Romane praticamente varria todas as vitrines, enquanto eu fui mais contida e só comprei três coisas: um short jeans de estampa inglesa na Zara (27,95€) e duas sapatilhas na H&M, cada uma por 9,90€.  

No Place d’arc também tinha umas lojas bem trash mesmo, tipo Claire’s e Accesorize (que também tem aqui, na terra Brasilis). Nessas vende-se todas aquelas bugingangas exportadas do Paraguai (que eu, como boa sul-americana, reconheci logo) e China. Roxanne e Capucine ficaram maravilhadas com os apliques de cabelo, presilhas, chapéus horríveis e adesivos para unhas. Senhor, tende piedade e perdoai!

Deus é mais!

Deus é mais!

Depois da passagem pela H&M, paramos num lugar onde havia mesinhas e cadeirinhas (aqueles lugares de descanso feitos para o homem que vai com a esposa ao shopping e nao aguenta o “entra e sai” feminino em centenas de lojas) e fizemos uma típica farofa carioca. Marie-Paule abriu uma bolsa térmica e tirou sanduíches de patê, garrafas d’água e bananas e nós matamos a fome ali mesmo, sem medo de ser feliz, tampouco dos olhares alheios.

Romane entrou em cerca de 400 outras lojas (como a NafNaf, Jules e Promod), experimentou toneladas de roupas e não levou nenhuma. Faz parte. Fazer isso aqui é bem mais tranquilo, já que não vem um vendedor perguntar “posso ajudar?” e ficar te empurrando várias peças alegando promoções espetaculares caso você as leve.

Ah, aqui você diz “bonjour” e “au revoir” ao vendedor ao entrar e sair das lojas, respectivamente. É falta de educação não fazê-lo.

Passamos em uma Galleries Lafayette e em uma loja chamada Mademoiselle et Vous, onde eu me senti extremamente culpada por inteirar 3€ para que Romane comprasse um vestido de avó e uma saia que parece com a que uso para ir à escola. 

Às 2h da tarde, já estávamos cansadíssimas e nosso refúgio foi uma Fnac, onde sentamos na sessão infantil para agradar Rox e Capu e lemos alguns livros (infantis, claro. Eu por exemplo, peguei “Mystère à Paris” e depois “Où est Charlie?“, a versão Francesa de “Where’s Wally?“). Romane, que não curte castelos, museus, tampouco livros, deitou-se em um puff chão e ali ficou até que o telefone tocasse com uma chamada de Marie-Paule dizendo que havia chegado e que nós deveríamos descer.

Descemos e como estavamos morrendo de fome, ela nos comprou donuts. Caminhamos um pouco até o carro e no caminho de volta, eu nao pude evitar o sono. 

Boliche da depressão

11 de Julho de 2012, às 23h04
Chailles, França

“Voltei do Bowling World há mais ou menos uma hora.

Linda Rox após um super lance

Linda Rox após um super lance

 

A moça da recepção não entendeu meu nome, mas isso não é novidade. Nem lá no Brasil entendem! É sempre nesse momento que a Romane entra em ação dizendo “elle s’appelle Laís, comme les chips

Laís, como as batatas (Lay’s)
É, essa sou eu

Todo o grupo estava lá, com seus respectivos “irmãos”. O boliche é bem legal, tem uma parte de jogos de mesa, aquelas pistas de dança, etc. Foi bem legal, apesar de eu ter perdido feiamente. Fiz apenas 39 pontos, enquanto o ganhador, Alexis, 118. Humilhante!

Alexis e seu compreensivel ar de superioridade

Alexis e seu compreensível ar de superioridade

Ah, consegui uma peripécia também: sabe lá Deus como consegui fazer com que a bola que lancei em minha pista quicasse (sim, eu jogo tão mal que consigo fazer com que uma bola de boliche quique) e fosse parar na pista ao lado, onde havia outras pessoas jogando profissionalmente. Gente, que vergonha! Todo mundo ficou olhando pra mim. Mas a culpa não foi minha! Tudo aconteceu porque não havia canaleta (desculpa de má perdedora, sim. A bola teria passado mesmo com canaletas, mesmo com um paredão de 1 metro porque você. é. ruim. Laís, apenas conviva com isso).

Ok, ok. O fato é que não fui só eu que paguei mico. Irvine também mandou mal ao quebrar o organizador dos pinos:

err… esse pessoal não leva mesmo jeito pra coisa.

podium meramente ilustrativo para dar um up no ego

podium meramente ilustrativo para dar um up no ego

Depois do desastre que foi aquela partida de boliche, fomos ao Quick, onde eu afoguei as mágoas um lanche de verdade: supreme classic com chips media e Coca Cola. Digo “de verdade”, pois até então, só havia comido hambúrgueres simples. Não sei se já falei do meu amor por esse restaurante fast food para vocês: o Quick foi meu melhor amigo no retorno à Paris; quando entrei no período de estágio (vou contar mais para frente), comia lá todo santo dia. O menú é bem diferente: dentre as bebidas, você tem a opção de pedir vinho. Existe também um passe estudantil, com o qual você ganha um hambúrguer ou sorvete na compra de um lanche grande. Já pensou se tivesse no Brasil?

 

P.S.: o boliche custou 10€ (por pessoa) e o lanche, 7,50€. Um tanto quanto caro se pensarmos em Reais, não?”