Throwback – UM ANO DEPOIS!

Acredito que vocês possam imaginar o quanto é difícil escrever sobre o último dia do programa que mudou a minha vida.
Hoje mesmo estava conversando com um amigo sobre o mix de sentimentos que tenho no peito toda vez que penso nesse dia; uma mistura de gratidão, nostalgia, saudades…
Tome coragem, chore e escreva! Liberte todo esse sentimento” – me disse David.
Resolvi, então, começar.

January 28th, 2012

Washington D.C.

Hoje faz um ano que voltei ao Brasil, mas parece que tudo aconteceu exatamente ontem. As lembranças continuam integralmente vivas em minha mente e por mais que eu queira expressá-las aqui no blog, tem coisas que não podem ser postas em palavras.

To make it even more special and memorable, Tracy pediu para que descessemos para o café da manhã ainda usando pijamas. Isso mesmo: ela não queria que trocássemos de roupas e já aparecessemos arrumadinhos para a primeira refeição do dia, como de costume. Nossa reação foi “what? Do you really want us to go downstairs, cross the street and walk to the other building wearing pajamas?”, mas no outro dia de manhã, estava todo mundo lá, bonitinho e de pijamas!

Embora eu não tivesse certeza, podia apostar que todo mundo estava com o mesmo pensamento em mente: era o nosso último café da manhã com ovos mexidos, bacon, panquecas e syrup, marca do american way of life e uma das primeiras diferenças culturais claras que notamos.

E, mais uma vez, volta aquela história dos sentimentos agridoces: Daqui a algumas horas, estaríamos de volta ao Brasil. Poderiamos matar as saudades de nossas casas, famílias, de arroz e feijão e do calor tropical, mas também estaríamos deixando para trás outras 44 pessoas que fizeram parte dos 21 melhores dias de nossas vidas.

Recordação do lugar onde passei dias incríveis.

Última recordação do 4-H

Terminado o breakfast, colocamos nossas malas no ônibus e fomos até a Union Station, onde estive em meu segundo dia nos EUA,  para gastarmos os nossos últimos dólares (se é que nós ainda tínhamos).

Com Brunella, na Union Station

Com Brunella, na Union Station

DSC04196Seguimos para o Lincoln Memorial, um dos meus lugares favoritos em Washington D.C., para fazermos um último momento de reflexão e lermos os discursos baseados no I have a dream speech que tinhamos preparado logo nos primeiros dias de viagem. Nos dividimos em teams e, liderados pela Anna, começamos a recapitular o programa. Foi, sem sombra de dúvidas, um momento muito emocionante. Na minha vez de falar, agradeci por tudo que me havia sido proporcionado e chorei, claro, afinal, eu sempre choro com tudo. Como se não bastasse, ainda cantamos “peace like a river”; aí que eu chorei mesmo!

mtg blogDepois nos reunimos em uma área verde e, de frente para o Rio Potomac, fizemos uma grande roda. Nesse momento, cada um teve a oportunidade de exteriorizar tudo aquilo que estava sentindo. Foi lindo; muitas lágrimas rolaram. Depois, Quena distribuiu a cada um uma fitinha daquelas do Senhor do Bonfim para simbolizar a união do grupo. Poderia apostar novamente e dizer que pelo menos um dos três pedidos feitos antes de cada nó na fitinha era algo do tipo “poder estar ali de novo em breve”. Por fim, cada um recebeu seu certificado de participação no programa, marcando o “fim” do mesmo:

Fomos ao aeroporto e o momento da despedida foi mais doloroso que o previsto. Abraçamos todo o staff da World Learning e agradecemos por tudo. Se eu tivesse que resumir aquele dia em uma única palavra, seria gratidão. Mais ou menos às 21h, entramos no avião e logo notamos a ausência daquela alegria e empolgação que caracterizaram a última vez que pegamos um voo da United. Estavamos todos tristes, sim, como se parte de nós tivesse ficado lá na América do Norte.

Faríamos uma breve escala em São Paulo e quando eu digo “breve”, I really mean it! Como o destino final era o Rio de Janeiro, eu, Luiz Alberto e os juiz-foranos Paula e Igor seguimos por um caminho diferente dos demais. Fomos rapidamente conduzidos para a sala da espera pela conexão enquanto os outros seguiram para o hall do aeroporto para esperarem por seus respectivos flights back home. Foi péssimo não conseguir me despedir de todos como eu gostaria de ter feito, mas talvez tenha sido melhor assim.

Chegando ao Rio, escolhi a fila de “nada a declarar” na hora de passar pela Alfândega, mas morrendo de medo de que eles me parassem e acabassem encontrando o iPad, que certamente excede o valor de compras permitido. Sabe como é essa burocracia de aeroporto, né? Embora a Embaixada já tivesse nos precavido com uma carta onde explicava toda a procedência do iPad (dizendo que tinha sido um presente dado por eles e tal), os agentes poderiam criar problema pelo simples prazer de fazer isso. No fim, passamos nós 4 direto, cada um com seu iPad na mala de mão and feeling like a boss! Ao final da viagem, percebi que muito do que se ouve por aí a respeito de alfândega, segurança e migração nos aeroportos não passa de história criada para colocar terror psicológico em marinheiro de primeira viagem. Embora fique a dica, isso não quer dizer que você pode contar sempre com a sorte e exceder o valor permitido, ok?

Quando passei pela alfândega e virei a esquerda, logo vi meu pai, que abriu um sorrisão quando me viu. Meus irmãos e minha mãe não puderam ir ao aeroporto, o que fez com que eu contasse os minutos até chegar em casa. Os pais de Luiz Alberto também estavam lá, bem como o professor da Paula e do Igor, que os levaria de carro até Juiz de Fora. Nos despedimos uns dos outros e a saudade já começou a apertar ali mesmo.

Vim olhando a paisagem do Rio pela janela do taxi e agradecendo a Deus por estar de volta. A viagem foi maravilhosa, mas definitivamente não existe lugar como a nossa casa. Quando cheguei aqui e abracei minha mãe e irmãos, foi como se sentisse de volta todo aquele calor do qual tanto senti falta nos útimos 21 dias.

Comecei a desfazer as malas enquanto contava tudo que vivi. Era como se um filme passasse em minha mente.

forever in my mind

forever in my mind

Flying Higher

January 27th, 2012

Washington D.C., USA

PENÚLTIMO DIA

Por mais repetitivo que seja, é impossível deixar de dizer que o sol já nascia em Washington D.C. trazendo uma onda de agitação e expectativas que me acertava em cheio. Acredito que eu não era a única pessoa que me sentia assim logo ao acordar, mas naquele dia… ah, naquele dia a onda virou um tsunami. Eu acordei MUITO animada, com MUITAS expectativas sobre os action plans e disposta a aproveitar ao máximo tudo que a cidade poderia me oferecer nesse… penúltimo dia?!

Como assim “penúltimo dia”? Não, não, moço, pera aí;  deve ter alguma coisa errada! Como acreditar que já tinham se passado 20 dias desde que eu ali havia chegado? Quantas coisas tinham acontecido; quantas mudanças eu observei em mim mesma; como aprendi a valorizar ainda mais as coisas simples da vida; como mergulhei dentro de mim mesma e encontrei sentimentos e habilidades que eu não fazia idéia de que existiam aqui dentro? Como pode a vida de uma pessoa mudar em apenas 20 dias?

Pois acreditem: A MINHA MUDOU!

Acordei com esse pensamento na cabeça. Estava acabando.

Estava acabando, mas ainda não tinha acabado. Faltava a parte mais importante de todo o programa, faltava aquilo sobre o que ele gira em torno: os action plans, claro! Como não?! Uma forma de aplicar todo o conhecimento obtido durante a viagem em nossas comunidades e cotidiano!

Acordei, tomei café da manhã e seguimos para a sede da World Learning.

“cool cool, sweet sweet” – ECKARD, Tracy

Depois de ouvir atentamente os comandos de Tracy, fixamos nossos cartazes nas paredes e esperamos até que as primeiras pessoas que vieram conhecer os nossos projetos passassem pela porta. Acho que todo mundo sentiu um  friozinho na barriga ao ver funcionários respeitadíssimos da WL chegando.

Groups’ presentations!

Ao final das apresentações, os funcionários elogiaram muito as nossas apresentações dizendo que éramos o grupo mais focado que já tinham visto, com os action plans mais preciosos até então e nos desejaram sorte na implantação dos mesmos aqui no Brasil. Que honra, hein?!

Mas no que deu o seu action plan, Laís?

Veja com seus próprios olhos! Cumprimos com o nosso compromisso de fazer palestras em todo o Brasil cujo tema central era a importância de ser um voluntário e os benefícios que isso poderia trazer!

Volunteerism workshops.

Almoçamos os sanduíches que tinhamos encomendado na noite anterior com uns cookies enormes (porém, deliciosos).

Depois seguimos para a… NASA! Gente, até hoje não consigo acreditar que um dia eu realmente estive lá.

portfolio and autographed photo

Tivemos uma palestra muito interessante e emocionante com ninguém mais, ninguém menos que Charles F. Bolden Jr., também conhecido como o presidente da NASA.

Bolden é um astronauta aposentado que já participou de 4 missões espaciais. Depois de fazer muita história, foi nomeado presidente por Barack Obama em 2009.  O que mais me surpreendeu foi sua humildade. Em momento algum da palestra, ele se apresentou como o presidente da agência espacial. Só fomos saber do renome da pessoa com quem conversamos por longos minutos ao fim da palestra, e por intermédio de outros funcionários.

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beca manêra

Perto da gift shop (acostume-se: tem gift shop em tudo que é canto dos EUA), onde tinha vários brinquedos loucos, ficava exposto o Nobel da física de 2006, que foi dado a John C. Mather pela descoberta da forma de corpos negros. Dei uma namorada básica no prêmio e tirei essa foto. Sabe lá quando eu vou estar tão perto dele de novo?!

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Juro pr’ocês que meu nariz não é desse tamanho. Aquela história de que a foto nos engorda e tal, sabe?

Aí nos fomos comer.

AEEEE, CO-MI-DAAAA

E para a nossa surpresa, prazer e alegria, fomos comer num restaurante brasileiro.

AEEE, COMIDA BOAAAAA!

Um arrozinho com feijão era tudo que eu precisava depois de tê-los comido doce em um restaurante de Charlotte.

Fomos ao The Grill from Ipanema, que fica no bairro de Columbia Heights.

the girl from ipanema at the grill from ipanema.

the girl from ipanema at the grill from ipanema.

O restaurante é um verdadeiro pedacinho do Brasil em pleno centro da capital americana. Foi difícil conter as lágrimas ao entrar e ver o Rio de Janeiro estampado em uma das paredes. Embora eu não quisesse nem pensar no fato de que estaria deixando os EUA em algumas horas, eu sentia uma saudade descontrolada do meu Rio.

Passado o momento emoção, abrimos o cardápio e decidimos pedir cada um uma entrada, para que pudéssemos experimentar tudo aquilo que estávamos de vontade de comer: coxinhas, bolinho de aipim, bolinho de bacalhau… So yummy!

Mas o melhor mesmo foi o prato principal. OMGGGG, o melhor arroz com feijão, farofa, molho à campanha e frango grelhado que eu já comi em toda a minha vida! Vocês podem achar que eu estou exagerando; experimentar pratos típicos de uma cultura diferente é realmente uma ótima experiência, mas arroz e feijão é… MARAVILHOSO! Simplesmente não dá pra viver sem por muito tempo.

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te quiero

P.S: alguns garçons falavam português, o cardápio era parcialmente escrito em nossa língua e a música ambiente também era brasileira. Me senti em casa!

De volta ao 4H, demos início ao nosso Talent Show. Contamos com a presença do trio composto por Késia, Ana e Jorge cantando “The Girl from Ipanema“; Jean, Wanderson, Laurence e Daniel dançando; Brunella, Mellis e Alice dublando “Hot ‘n Cold“; Paloma e Fernando performingLuckyby Colbie Caillat; Laurence cantando a música que compôs especialmente para o programa; Thalles e Joyce interpretando “Deita na BR” (o Thalles foi caught sneaking out depois do “toque de recolher” e foi sentenciado a pagar esse mico durante o Talent Show); entre outros, mas o melhor foi a apresentação surpresa do staff da WL. Arrasaram! Vou ficar devendo o vídeo.

Eu tinha tirado o Igor no amigo oculto. Foi muito difícil esconder isso dele, já que estávamos juntos em praticamente todos os momentos. Comprei uma camisa verde e acertei em cheio, pois essa era sua cor favorita. Quem me tirou foi o Felipe, que me deu uma abelha de pelúcia linda, pela qual sou apaixonada:

linda, não?

linda, não?

Não queria que aquele dia acabasse.

Embora estivesse muito cansada, não senti aquela vontade enorme de dormir.

Não queria dormir;

não queria acordar e perceber que era o meu último dia ali;

não queria ir pra casa.

Nao!

Quando Obama abriu as portas de sua casa para me receber

January 26th, 2012

Washington D.C., USA

Começamos o dia com uma visita à Casa Branca. Sem sombra de dúvidas, essa era o lugar ao qual os Jovens Embaixadores mais desejavam ir.

Foto: Laís Barbosa

Todos sabem que após os atentados de 11 de setembro, ter acesso à Casa Branca se tornou tarefa árdua. Atualmente, existem somente 3 meios de conseguir chegar até os até então aposentos de Barack: Ganhando uma eleição presidencial – o que eu julgo ser um pouco complicado -, solicitando um tour guiado com até 6 meses de antecedência ou… Sendo um Jovem Embaixador! #ryqueza #bjks

Até conseguirmos finalmente entrar, passamos por dupla vistoria de passaportes, revista, scanner e até mesmo por cães farejadores, tudo por uma questão de segurança. Fomos também orientados a deixar todos os aparelhos fotográficos e derivados dentro do ônibus, já que fotografias internas não eram autorizadas por razões óbvias. Também não era permitida a entrada com mochilas, sacolas e alimentos, o que inclui chicletes.

Enquanto esperávamos a autorização para entrar na Casa Branca, adivinha quem passou por nós…

O presidente?

A primeira dama?

Malia? Sasha?

Não! Bo, o cachorro da família Obama!

awn! so cute, isn’t it?

Geralmente você é o seu próprio guia dentro da Casa Branca – dizem que eles te dão uns mapas e qualquer dúvida que surja, é só você perguntar a um dos super-informados agentes do serviço secreto que estão espalhados por lá -, mas como nós éramos VIP, fizemos um tour como manda o figurino, com um desses agentes conduzindo o grupo e contextualizando todos os locais pelos quais passávamos. Realmente eles são muito bem instruídos e sabem de tudo sobre os cômodos, as famílias que ali habitaram e até algumas curiosidades inusitadas.

Começamos o nosso passeio pelo grande corredor principal denominado Center Hall. Por ele tivemos acesso ao Vermeil Room, onde há fotos de todas as primeiras-damas que já habitaram a casa espalhadas pelas paredes, além de ser o local onde eram guardados os riquíssimos talheres de prata dourada; China Room, a sala dedicada à coleção de porcelanas iniciada por George Washington e que inicialmente foi usada para chás e pequenas recepções das primeiras-damas; além da Library.

Dependências da casa visitadas (em sequência)

Subindo as escadas em direção ao primeiro andar, chegamos primeiramente à East room, minha favorita. Enquanto o agente explicava, eu só conseguia olhar para o enorme retrato de George Washington fixado na parede. Gorgeous!

Seguimos para a Green Room e finalizamos a visita com a Red Room. Fizemos nossa saída triunfal por entre as pilastras brancas que aparecem na primeira foto and I felt like a boss

representando!

Tivemos um tempinho para explorar os arredores da Casa Branca e comprar algumas lembrancinhas antes de irmos “almoçar” (entre aspas, já que a essa altura do campeonato, já deveriam ser umas 3 horas da tarde) no Ben’s Chili Bowl, um restaurante tradicional no bairro de Shawn que ficou ainda mais famoso depois que tio Obama resolveu aparecer por lá para um lanchinho.

Para quem não sabe, chili é um ensopado produzido basicamente à base de pimenta, carne e tomate , mas o do Ben’s tem um toque especial #propaganda

Conhecemos a dona do restaurante e assistimos a um filme sobre a história do lugar enquanto esperávamos famintos por nossos pedidos.

No final, a espera valeu a pena, pois as batatas, o hamburguer e o chili estavam maravilhosos!

Voltamos para o 4-H mais cedo para que pudéssemos finalizar o planejamento da apresentação dos action plans, que ocorreria no dia seguinte. Preparamos cartazes e definimos o que cada um ia falar na hora.

Sentíamos que a viagem estava chegando ao fim

… e já começavamos a sentir saudades.

O encontro

January 25th, 2012

Washington D.C., USA

Mais um dia de acordar cedo para (tentar) ficar bonita. Dessa vez, iríamos encontrar com uma das mulheres mais influentes do mundo; ninguém mais, ninguém menos que a Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton.

estamos lindas? sim ou claro?

Como todo mundo já sabe, Hillary Clinton é esposa do 42º presidente do país, Bill Clinton. Em janeiro de 2009, substituiu Condoleezza Rice no Departamento de Estado e, cá pra nós, a aliada ao good guy, Barack Obama, recentemente cometeu uma enorme gafe ao felicitar o Brasil pelos 190 anos de independência. Tá ok, tia Hill, eu te perdoo dessa vez. Mas só porque você foi legal com a gente, viu? Hunf, da próxima vez eu jogo o escândalo Lewinsky no ventilador! #bixamá

Recomponha-se e volte ao foco inicial do post, Laís

Ok. Como eu ia dizendo, a ansiedade predominou durante todo o café da manhã. Mal poderiamos esperar para encontrar a pessoa mais importante do país após o presidente, mas antes de chegar até ela, tivemos de passar pela segurança meticulosa do edifício Harry S. Truman.

Quando Hillary Clinton passou pela porta, pude sentir a sala ser iluminada não só pelos nossos sorrisos, mas também pelos inúmeros flashes que foram disparados pelos fotógrafos que estavam ali, procurando registrar o momento a partir do melhor ângulo. Atrás dos profissionais da fotografia, podia ver também canetas correndo sobre papeis; eram os redatores, que escreviam freneticamente.

Hillary foi extremamente simpática conosco. Quis saber sobre a viagem, as nossas impressões sobre o país, quais eram as diferenças entre o Brasil e os Estados Unidos e ainda elogiou nossas habilidades com a língua inglesa após nos parabenizar pela enorme conquista que é ser um Jovem Embaixador. O meeting não durou mais de 5 minutos devido à agenda de compromissos da Secretária, mas foi um momento único; uma experiência enriquecedora. Clicando aqui, você encontra o texto, bem como o vídeo do emocionante discurso proferido pela mesma.

” (…) and I’m going to sit right there, we’re going to have a picture taken. You all look great.”

Durante o discurso de Hillary, também aconteceu algo muito especial. Lembra do Wanderson, o Jovem Embaixador de Roraima que tinha ficado hospitalizado em Seattle e não pode retornar à D.C. juntocom o grupo? Então, felizmente ele recebeu alta na noite anterior e conseguiu chegar ao prédio do Departamento de Estado a tempo. O grupo já estava todo pronto à espera de Hillary quando o viu passar pela porta. Tivemos de conter nossa alegria por conta do ambiente, mas a nossa real vontade era de correr e abracá-lo bem forte, num grande huggy bear.

Depois nos dirigimos à uma sala anexa, onde aconteceu uma espécie de coffee break. Durante esse período, pudemos conversar com diversas outras pessoas que lá trabalham. Também foi gravado esse vídeo aqui:

A segunda parte do dia seria dedicada ao início da elaboração dos nossos action plans na sede da World Learning, mas como saco vazio não pára em pé, fomos abastecer os tanques no Five Guys. Nunca tinha ido à esse fast food. Lá é tudo muito junk mesmo: os hambúrgueres são imeeensos, bem como as batatas. Lembro que comi um desses hamburgões, um saco grande de batata frita e copo de refrigerante refill por menos de $10. Bargain!

Votem Laís para presidente!

Decidimos as diretrizes do nosso action plan, que era voltado para a educação. O primeiro dia de planejamento foi realmente um sucesso!

Da janela do escritório da World Learning dava para ver a McPherson Square, onde instalou-se o movimento OccupyDC, uma das ramificações do grande Occupy Wall Street.

Presença brasileira! O Consulado Geral do Brasil também fica por ali, nas proximidades da World Learning.

Depois tivemos um tempinho para andar por Chinatown. Já falei o quanto amo esse lugar?

xing ling

Nos encontramos em frente ao Friendship Arch no horário combinado e seguimos em direção ao Verizon Center. O jogo da noite era Washington Wizards vs. o meu ilustre Charlotte Bobcats, equipe cuja tive o prazer de assistir perder pela segunda vez com o placar de 92 x 75. Quem curte, pode assistir aos melhores momentos do jogo clicando aqui.

Todos os Jovens Embaixadores ganharam camisas do Washington Wizards e vestiram, salvo os membros do Charlotte Team. Éramos uns dos poucos que ainda entoavam “Bobcats!” no grande estádio coberto em vermelho, algo que jamais aconteceria aqui no Brasil. Já pensou em ir à um jogo de futebol, ficar na torcida do Flamengo portando uma camisa do Vasco e ainda gritar em apoio ao time rival? É até difícil visualizar a cena, não? Pois bem, lá nos Estados Unidos as torcidas ficam litaralmente juntas e o respeito entre elas é algo admirável, que deveria ser adotado aqui no nosso país.

APARECEMOS NA BIG SCREEN! MUY RICOS!

Roaming around D.C.

January 24th, 2012

Washington D.C.

Agitação.

Corre atrás de roupa, sapato, maquiagem, chapinha… Tudo para ficar bonita para a visita à Embaixada do Brasil em Washington D.C.

e aí, como estamos?

Chegamos à Embaixada e fomos recepcionados pelo Embaixador Mauro Vieira. Fizemos uma breve apresentação dizendo nome e estado e descobri que ele também é carioca.

Conhecemos boa parte da Embaixada e tivemos oportunidade de fazer perguntas dos mais variados temas.

Depois tivemos tempo para andar pelos museus do National Mall (também conhecido como “The Mall). Comecei pelo National Museum of Natural History, aquele onde foi gravado o filme “Uma Noite no Museu”. Lá estão expostos mais de 126 milhões de exemplares de plantas, animais, fósseis, rochas e meteoritos, além de artefatos culturais. O museu fica aberto durante o ano todo e o melhor é que a entrada é inteiramente gratuita. Vale muito a pena gastar algumas horinhas “perdido” lá dentro!

Quem se lembra do filme?

A menos que você já conheça a estrada pela qual veio, você não pode saber para onde está indo.

“Ô, Laís, tem um bichinho atrás de você”

Por mais parnasianas que possam soar as palavras a seguir, não posso deixar de dizer que me lembro perfeitamente da visão que tinha da entrada do museu: ao norte havia o Smithsonian Institution Building; à oeste, o Capitólio Americano e ao leste, o Washington Monument, implacável entre as 50 bandeirinhas rubro-anis. O sol se pondo atrás do monumento só serviu para completar a cena, que vai demorar muito a sair de minha mente (isto é, se um dia sair).

Seguimos em direção ao Smithsonian National Air and Space Museum e quase fomos atropelados no intenso cruzamento da 7th St SW. Apesar disso, felizmente conseguimos chegar lá inteiros e pudemos ver a maior coleção de aeronaves históricas e naves espaciais de todo o mundo. O museu também funciona como um centro de pesquisa sobre aviação e espaço, bem como sobre ciência planetária, geologia e geofísica terrestre. Quase todas as aeronaves em exposição são originais (ou cópias fiéis).

entrada

Amelia Earhart, pioneira na aviação americana e defensora dos direitos femininos. Na foto, o avião “Lockheed Vega 5b”, utilizado por Amelia na viagem que a consagrou a primeira mulher a voar através do Atlântico (dos EUA até a Irlanda do Norte)

Ao final da visita, demos uma paradinha no The Mall para tirar algumas fotos:

DC, I do love you!

Como diz um amigo meu “do Rio de Janeiro para o mundo!”, kk

Já dizia a minha avó que saco vazio não pára em pé. Resolvemo, então, dar uma passadinha no McDonalds, nos encarregando de fazer a manutenção do capitalismo e enchendo ainda mais os bolsos de nosso fellow Ronald McDonalds. É incrível como nós, brasileiros, amamos muito toda essa porcaria.

Todo mundo de bucho cheio? Então é hora de botar a mão na massa! Voltamos ao 4H para uma série de workshops sobre como começar a preparar os nossos action plans.

Antes de entrarmos no ônibus de volta para Maryland, tiramos essa foto em homenagem ao nosso amigo Wanderson. Ele havia sofrido um pequeno acidente durante sua homestay em Seattle e não pode retornar à D.C. junto com o grupo por ter ficado hospitalizado. Embora estivéssemos em lados opostos do país, nossos pensamentos positivismo estavam lá na costa oeste, juntinho com ele.

Tem coisa mais fofa? Isso se chama união!

I left my heart in Charlotte

January 23rd, 2012

Charlotte, NC – Washington D.C

O dia seria pequeno para tanto choro.

Não, nós não estávamos preparados para deixar Charlotte. Haviamos nos apegado muito ao lugar e às pessoas que ali moravam.

Mas tinha chegado a hora: tinhamos de partir de volta para a correria e agitação de D.C (que agora, com os action plans, se intensificaria).

Aquela segunda-feira seria diferente: não acordaríamos cedo e esperaríamos o yellow bus na esquina de casa antes mesmo do sol nascer, não iríamos à Olympic, não veriamos o sorriso de Lara acompanhado de um high five, não nos reuniriamos e conversaríamos até a hora do primeiro compromisso.

Na verdade, para aquela manhã não havia nenhuma atividade planejada, nenhum compromisso, nenhuma saída, exceto a mais dolorosa de todas: a saída de Charlotte. E para não voltar mais.

Ao acordar, encontrei esses bilhetes espalhados pela casa:

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Coisa de Valentina. Coisa de Valentina para tornar ainda mais forte o meu aperto no coração. Chorando, recolhi todos e quando a vi pela primeira vez naquela manhã, abracei-a da maneira mais forte que pude. Iria sentir saudades, isso era indubitável.

Ela me disse que deveria me arrumar rápido, pois iriamos reunir o grupo para um inesquecível-último café da manhã no Cracker Barrel Old Country Store, um restaurante característico do sul dos Estados Unidos localizado na Carolina do Sul.

Cada um deu o melhor de si para que a alegria característica do Charlotte Team continuasse a predominar, ainda que sobre o enorme clima de despedida que nos assolava. Apesar das tentativas, meus olhos vermelhos entregavam o que se passava por dentro:

Com Michelle, host sister da Clara (e Rafael photo bombing).

Voltamos para casa com Michelle no volante. Não pude conter as lágrimas ao ouvir “Someone Like You” no carro; essa era, definitivamente, uma das trilhas sonoras da nossa viagem. Ganhei um abraço de Valentina como consolo.

Em casa, subi para meu quarto para arrumar as últimas coisas.

Minutos depois, ouvi batidas na porta. Era Valentina. Perguntou se podia entrar, sentou-se em minha cama e estendeu o embrulho que trazia nas mãos.

Era um presente, um presente de minha host family para mim. Abri e encontrei um iPod com fones de ouvido na minha cor favorita: vermelho. Não tive palavras para agradecer e segundo Valentina, nem precisava. Ela logo se ofereceu para colocar musicas para que eu pudesse me distrair durante os próximos voos.

Quando terminei de arrumar minhas coisas, desci para a sala e Chris pediu para que tirássemos nossas últimas fotos em família:

essa foto é im-pa-gá-vel!

Trang, minha host mother, havia se despedido de mim no dia anterior, antes da festa do Dr. Igor, o que fez com que eu chegasse na festa com os olhos vermelhos de tanto que chorei. Quando eu acordasse no dia de minha partida, ela já teria saído de casa para trabalhar, então, optou por se despedir no dia anterior. Devido a isso, somente Valentina e Chris me levaram ao aeroporto. Antes de dar a partida no carro, tirei essa foto para que lembrasse para sempre da casinha que me abrigou durante 12 dias na cidade rainha:

meaningful

Em mais um ato de extrema gentileza, Chris resolveu dar uma passadinha no McDonalds antes de me deixar no aeroporto. Embora a família não curtisse muito, achei muito simpático da parte deles abrir mão da dieta saudável para me levar ao McDonalds algumas vezes durante a minha estadia em Charlotte depois de saberem que eu simplesmente amo muito tudo isso. Durante o lanche, lembro que comentei algo sobre o tamanho gigante dos copos americanos e Chris sugeriu que eu trouxesse um copo de refrigerante do McDonalds como souvenir, haha.

Tenho o caminho até o aeroporto gravado em minha mente como uma série de fotografias e agora, escrevendo esse post, é como se todas elas fossem reveladas. Vejo a esquina onde eu e Valentina muitas vezes quase congelamos enquanto esperávamos o yellow bus para ir à escola, vejo as árvores nas proximidades do aeroporto que me fizeram ter uma péssima primeira impressão sobre Charlotte (depois entendi que elas estavam com aspecto de maltratadas por conta do inverno), o céu azul ciano e aquele solzinho timido querendo sair, embora lá embaixo continuasse um frio do cão… Essas são as últimas lembranças que tenho de Charlotte.

Ao chegar ao aeroporto, Chris e Valentina me ajudaram a tirar as malas do carro (a minha mala maior estava com a roda quebrada e estava me dando muito trabalho) e me despedi de Chris ali mesmo, no estacionamento, já que eletinha de estar no trabalho em alguns minutos.

E deu-se inicio o choro.

Entrei no aeroporto com Valentina e lá dentro encontrei todos os integrantes do grupo. Duas coisas nos eram comuns: os olhos vermelhos e a dor da despedida. Me despedi de todas as familias e quando olhei para trás, me surpreendi ao ver Chris entrando no aeroporto. Perguntei-lhe se não deveria ir trabalhar e ele disse que não poderia, que queria estar presente até o meu último momento em Charlotte. Resultado: chorei mais ainda e antes de fazer o check-in e despachar minhas malas, entreguei-lhe uma pequena carta que tinha escrito à familia. Pedi para que só abrisse quando chegasse em casa. Depois que vim embora, esta carta foi emoldurada e hoje o quadro fica ao lado do computador principal da casa como um eterno pedacinho de mim ali com eles.

worst moment: time to say goodbye

O voo de volta à capital foi bem rápido. Ao chegar ao Ronald Reagan Washington National Airport, percebi que minha mala estava com o puxador quebrado. Tentei correr atrás do prejuízo e o que ouvi da responsável pela entrega das malas foi que ela não poderia fazer nada, pois a mala não estava inteiramente quebrada. Segundo ela, era SÓ o puxador. Já havia visto uma reportagem no Fantástico sobre isso, mas só quando aconteceu comigo eu passei a acreditar indubitavelmente no que diziam sobre o descaso e a falta de cuidado do staff de alguns (sem generalizações, por favor) aeroportos em relação às malas. Preferi esquecer o episódio.

Depois encontramos o grupo de Tulsa e fomos juntos até o 4H. O grupo de Cleveland havia chegado mais cedo e fomos recepcionados por eles.

Aos poucos, os outros grupos foram chegando. Muitos abraços depois, traçamos algumas pizzas e fomos dormir após o anúncio de que visitaríamos a Embaixada Brasileira em Washington D.C. no dia seguinte.

Welcome to the Queen City!

January 11th, 2012
Washington D.C – in the clouds – Charlotte, NC
 

Depois da comida mexicana do dia anterior (e toda sua pimenta), a equipe da World Learning orientou que fossemos aos nossos quartos e começássemos a arrumar as malas. Embora estivéssemos muito cansados, sabíamos que não dava para deixar para o dia seguinte, pois tinhamos que fazer o checkout no 4H ainda pela manhã.

No primeiro dia, eu, Tais e Mellis (minhas roommates) acordamos em não fazer muita bagunça. Este acordo garantiu organização durante os dias e facilidade na hora de fazer as malas para ir embora.

Acordamos cedo – 6h30, se bem me recordo -, colocamos os últimos itens (escovas e pastas de dente, roupas de dormir, chinelos, etc) dentro das malas e descemos para tomar café: bacon, ovos, panqueca e hambúrguer. Era mais ou menos 8h da manhã e a esse ponto, os grupos de Seattle e Bozeman já estavam longe (estes grupos tiveram de sair do 4H ainda de madrugada devido à distância entre D.C e seus respectivos host states). Sentimos falta deles e esta foi a confirmação de que havíamos nos tornado uma família. Depois do café da manhã, voltamos aos quartos para buscar nossas malas e levá-las para o saguão do 4H, onde o staff e os grupos de Charlotte, Cleveland e  Tulsa esperavam para rumar ao aeroporto. Me despedi de todos e aproveitamos para tirar algumas fotos em frente ao 4H; só voltaríamos a vê-lo daqui a 12 dias:

Gláucia e eu

Algumas fotos depois, fomos todos juntos ao Ronald Regan Airport. Gente, este é, sem exagero nenhum, o aeroporto mais bonito que eu já vi em toda a minha vida! Riqueza total! Do lado oposto ao que esta foto foi tirada, há uma bandeira americana enoooorme. By the way, já disse que o patriotismo americano é algo que eu admiro muito? Voltando ao assunto, apesar de ser o estado mais próximo de DC, os tripulantes do voo (sem acento, ok, um dia eu me acostumo) para a Carolina do Norte foram os primeiros a serem chamados para os procedimentos que antecedem o embarque. Demos os últimos abraços em cada um dos nossos amigos de Cleveland e Tulsa e seguimos para a pesagem. Lembro que minha mala pesou exatamente 50 pounds (aproximadamente 23 kg), o limite permitido. UFA! Depois disso: segurança. Todos sabem que esse quesito se tornou coisa seríssima nos Estados Unidos após o 11 de Setembro. Lembro de ter de tirar casaco e sapatos e colocá-los em bandejas separadas para que passassem pela inspeção no aparelho de Raio-X. Depois passei pelo detector de metais (onde você tem que dançar o tchan, segundo o Luiz Alberto, devido às necessárias mudanças de posição do corpo e das mãos: em cima da cabeça, mais pra cima, mais pra baixo… rs). Depois disso tudo, finalmente pude sentar e recompor a minha vestimenta: coloquei os sapatos e o casaco e estava pronta de novo.

Na ida, ninguém teve problema com a segurança, nem com a pesagem. Já na volta… OK, NÃO CONTAREI AINDA. ISSO FAZ PARTE DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS!

A Anna, facilitator da World Learning e coordenadora do Charlotte Team, havia levado dinheiro (fornecido pela World Learning/Embaixada) para que pudéssemos fazer um lanche antes de embarcar. $10 na mão de cada um e estávamos livres para comer onde quiséssemos. Escolhi o Auntie Anne’s, que é uma famosa bakery especializada em pretzels e pedi um jumbo pretzel dog com refri. Além de ser delicioso, saiu por menos de $10, ou seja, comi bem e ainda guardei algumas moedinhas, rs. Havia também outras opções na praça de alimentação do aeroporto, como a Dunkin’ Donuts, onde vende-se aquelas rosquinhas dos Simpsons e aquelas que os policiais comem dentro das viaturas nos filmes. São ótimas!

Quando acabamos de comer, já estava na hora de embarcar. Seguimos para o portão e, enfim, entramos no avião:

Eu e Rafa, já dentro do avião.

we are halfway there!

Ladies and Gentlemen, 
welcome aboard!

Estava chovendo quando decolamos e confesso que isso me deixou um pouquinho apreensiva, não com medo, rs. Este fato atrasou um pouco a nossa saída. O voo até Charlotte, nossa host city, duraria apenas 1 hora. A ansiedade era visível nos olhos de cada um de nós. Queríamos chegar e abraçar aqueles que nos acolheriam durante quase duas semanas, queríamos chegar e conhecer cada pedacinho daquela cidade linda que nos esperava reservando muitas surpresas. Késia e Rafael ocupavam os assentos ao meu lado, porém o perímetro do espaço pessoal de cada cadeira era pouco para nós: invadíamos os espaços um do outro e conversávamos sobre os mais diversos assuntos, desde religião até os itens curiosos que ilustravam a revista de bordo do duty-free, como Vodka por $19. Era só uma horinha, mas o tempo se arrastava… Parecia que nunca iríamos chegar em Charlotte quando:

Bird’s eye view of my beloved “Queen City”

Ladies and gentlemen, we have started our descent in preparation for landing, please make sure your seat backs and tray tables are in their full upright position. Make sure your seat belt is securely fastened and all carry-on luggage” …

YEEEEEEEEAH! FINALLY! – comemoramos mesmo, em alto e bom som. 

Alguns segundos depois, ouvimos: “We have just landed at Charlotte Douglas International Airport. Welcome to Charlotte!

We’re absolutely ready to hit this city!

Lara, a coordenadora da International House of Metrolina (organização que cuidaria da gente e da nossa agenda enquanto em Charlotte) nos recebeu no aeroporto com plaquinhas desejando as boas vindas. Seguimos de van para a Olympic High School, nossa mais nova escola. MA-RA-VI-LHO-SA! O Luis, um senior (aluno do último ano do ensino médio) muito simpático e de origem mexicana nos recepcionou com uma canção no violão. Depois ouvimos o pronunciamento de um funcionário da Olympic, que nos parabenizou .

Cartaz de boas vindas

Algum tempo depois, nossos host parents foram chegando. A principio, só um aperto de mão e um abraço seco. Quando minha mãe chegou, abracei-lhe fortemente, como faço com todo mundo. Talvez isso a tenha assustado um pouco.

A família de Igor tinha levado um bolo achando que era aniversário dele. Foi bastante engraçado, pois ninguém entendeu o motivo da comemoração, já que o Igor faz aniversário no dia 10 de dezembro. Acho que eles fizeram confusão com o formato dd/mm/yyyy do Brasil (nos EUA é mm/dd/yyyy; o mês é descrito em primeiro lugar, seguido do dia). Mesmo assim, não fizemos desfeita: comemos o bolo, tomamos refrigerante (é claro!) e encaramos aquilo como uma comemoração a nossa chegada. Terminada a festa, fui colocar minhas malas no carro de minha mãe e acabei quebrando a roda da mala maior (isso ia me trazer muitos problemas depois). Desprezando este fato, entrei no carro e segui pra casa atenta ao caminho, enquanto minha mãe e irmã me falavam sobre sua casa, bairro etc.

Chegando em casa, Valentina fez questão de me mostrar cada cômodo. Era uma casa linda, muito diferente dos padrões Brazucas. A cozinha, a sala de estar e a sala de jantar ficavam no andar de baixo, enquanto os quartos (dos meus pais, o meu e o da Valentina), banheiros, lavanderia e uma segunda sala que servia de escritório do meu pai ficavam no andar de cima. Tudo era muito novo para mim: adorei a TV gigante e o fato de ter uma cama de casal só para mim em meu quarto. Tanto a cidade quanto a minha família (principalmente) superaram todas as minhas expectativas.

Valentina, eu e Trang ou minha irmã, eu e minha mãe.

Quando chegamos em casa, meu pai ainda estava trabalhando. Depois de conhecer toda a casa e acomodar as malas em meu quarto, desci para a cozinha e fiquei conversando um pouco com a minha mãe. Então ele chegou e eu o surpreendi com um abraço. Senti que ele ficou meio sem saber o que fazer; aquilo era realmente inusitado, já que americanos não costumam abraçar. Me senti um pouco mal por ter feito aquilo, mas era o meu jeito, é coisa da nossa cultura, né?

Depois eu iria entender… E se eu soubesse o efeito que aquele abraço iria surtir, eu teria dado mais; teria intensificado mais ainda todos os abraços que dei nos membros de minha host family.

Logo minha mãe teve de sair para trabalhar e Chris (agora percebi que ainda não havia dito o nome de meu pai) sugeriu que fossemos ao Walmart comprar algumas coisas para o jantar. No caminho, ele se esforçou para me conhecer melhor e eu gostei disso. Estava começando a me sentir mais a vontade e mal poderia imaginar o laço que construiria com aquelas pessoas.

Você deve estar achando estranho eu escrever “pai”, “mãe” e “irmã”. Antes de viver essa aventura eu também achava que esses eram substantivos muito fortes, pelo qual não podemos chamar outras pessoas senão os verdadeiros. Hoje, dois meses após a minha volta para casa, é este o sentimento que expresso por Chris, Trang e Valentina: São meu segundo pai, minha segunda mãe e minha única irmã; eles me acolheram e cuidaram de mim no momento em que eu sofri um impactante choque cultural, no momento em que eu cheguei em um lugar desconhecido e tive de conquistar aquela terra, superar as barreriras linguisticas e culturais. Estas pessoas fizeram de tudo para me proporcionar uma experiência inesquecível. Não consigo falar neles sem chorar, não consigo falar sobre o que vivi em Charlotte sem me emocionar. Foi realmente muito especial pra mim, pois mudou minha vida e minha forma de ver o mundo.

Enquanto escrevo, lembro de cada minuto do meu primeiro dia em Charlotte. Fecho os olhos e viajo de volta pra lá. Vejo tudo como vi pela primeira vez: o hall de entrada da Olympic, a paisagem da janela do carro, o caminho até minha casa, os cômodos, a minha cama, minha host family, meu Charlotte Team, e de certa forma, posso até sentir de novo o "ar com cheiro de pinho, sal e maresia, um aroma que só existe nas Carolinas", como bem disse Nicholas Sparks em "A Walk to Remember"