No trem

14 de Julho de 2012
10h14

No trem de volta à Paris

Acordei cedo, tomei banho, café e terminei de arrumar as últimas coisas. Até aqui, tudo normal. 

A não ser por dentro.
Eu estava despedaçando por dentro.

IMG_0077

última foto do grupo com seus correspondentes franceses

Entramos no carro e, novamente, não trocamos muitas palavras até chegar à estação de Blois. Tudo que se ouviu ao longo da viagem foram básicos comentários sobre o tempo e sobre o dia 14 de julho.

Quando chegamos a estação, maior parte do grupo ja estava lá. Na verdade, acredito que eu tenha sido a última a chegar, já que saimos de casa às 9h, horário que deveriamos estar chegando à estação.

momento de agradecimento às famílias

abraço coletivo

Durante todo o caminho, tive em mãos a carta que havia escrito para Romane e Marie Paule na noite anterior, bem como os presentinhos que trouxe do Rio para eles.

Tiramos algumas fotos de grupo e com as familias na porta da estação até que Mme. Pletier apareceu dizendo que era hora de começarmos a dizer adeus à nossas famílias. 

NON! JE NE VEUX PAS PARTIR!

NON! JE NE VEUX PAS PARTIR!

Imediatamente abracei Romane e ficamos assim por um bom tempo. Depois ela me chamou para tirar algumas fotos juntas e me despedi do resto do grupo. 

eu e Romane

eu e Romane

Entreguei a carta e os presentes e passei o portão. Paa minha surpresa, Romane me acompanhou até a plataforma, levando minha mala. 
Foi muito difícil dizer adeus. Não pensei que fosse chorar, muito menos que Romane fosse, mas a verdade é que eu estava me segurando e nao pude mais conter as lágrimas ao olhar pela janela e vê-la chorando. 

Pela janela, disse que sentiria saudades e acenei em despedida. Vou guardar a ultima imagem que tenho dela: às 9h58, na Gare de Blois, enquanto o trem acelerava. 

vou sentir saudade

foto que tirei da janela do trem. Nela, Alexis, Audrey, Candice, Antoine, Tracy, Toinon, Romane e Bérénice, todos “irmãos” de algum participante

Agora estou aqui, na segunda classe (que é muito confortável, tá?) de um trem rumo à Paris, com um nova-iorquino ao meu lado e Adele nos ouvidos. Someone Like You,  essa é a musica que está tocando. Esta é, definitivamente, a trilha sonora de todos os tristes momentos de despedida da minha vida. Me lembro de quando deixei Charlotte e D.C…. Essa era a única música que se ouvia! 

A segunda classe do trem é dividida em pequenas cabines, onde cabe cerca de 6 pessoas. Esse é o Andrew, líder do nosso grupo, passando de cabine em cabine para se certificar de que estava tudo bem com todo mundo.

A segunda classe do trem é dividida em pequenas cabines, onde cabe cerca de 6 pessoas. Esse é o Andrew, líder do nosso grupo, passando de cabine em cabine para se certificar de que estava tudo bem com todo mundo.

Nesse momento, estou em algum lugar entre Orléans e Paris e, de certa forma, por trás de toda essa tristeza, estou animada para chegar logo lá. Hoje é um dia especial para a França, então creio que Paris estará anda mais bonita do que o natural. 

Sinto saudades. Sim, sinto saudades. Paris é como um sonho, enquanto Blois… Ah, Blois… Minha vidinha (quase) real. 

Daqui a menos de 1h estarei lá. Pela janela, agora só vejo mato. 

cadê a Romane?

Mato dos dois lados, não mais a imagem da pequena-grande debutante de cabelos longos e franja

Quando a viagem começa a ter um gostinho de vida real

1º de julho de 2012
De Paris para Blois, França

Primeiro de julho.

Mais do que apenas mais um dos 365 dias do ano, essa data trazia consigo o pensamento de que faltava somente um mês para que eu retornasse ao Brasil. Àquele ponto, eu não tinha ideia do quão intenso seria o mês que estava pela frente, tampouco do quanto aprenderia antes de voltar para casa.
Mas não, não era hora de pensar nisso; não era hora de pensar em finais já que esse dia marcava o início de uma nova etapa da viagem: a vivência com uma família francesa.

Acordamos mais cedo que o normal, tomamos café e pegamos um ônibus particular que nos levou até a Gare d’Austerlitz. De lá, embarcamos num trem para Blois com escala (se é que assim pode ser chamado) em Orléans. A viagem durou somente 1h22min e a rapidez é apenas uma das diversas vantagens que eu poderia citar sobre viajar de trem pela França. De carro, o mesmo percurso seria feito em, no mínimo, duas horas e eu creio que o gasto com combustível e pedágios seria bem maior do que o valor investido em passagens de trem. O conforto também é algo determinante na hora de escolher o meio de transporte: eu viajei de segunda classe, paguei 13,40€ e posso te dizer que foi muitíssimo confortável. Dependendo do caso, vale a pena seguir a minha dica #DicaDaLaís

Essa é a paisagem predominante dos arredores da ferrovia. Aquela dose de bucolismo necessária a quem passou os últimos três últimos dias na agitada e glamorosa Paris.

Essa é a paisagem predominante dos arredores da ferrovia. Aquela dose de bucolismo necessária a quem passou os últimos três dias na agitada e glamorosa Paris.

Chegueeeei, pessoal! Estação de Blois \o/

Quando chegamos à Gare de Blois, logo reconheci Romane, minha sœur d’accueil (host sister, irmã-anfitriã), que era muito mais alta do que eu tinha imaginado. As francesas, em geral, são altas, né?! Ainda mais quando postas ao lado de uma pessoa de não mais de um metro e meio, como eu. Enfim, isso não vem ao caso. Eu estava falando sobre o que mesmo? Ah, sim! Romane também era bem doida e você vai ter prova disso ao longo das minhas postagens.
Marie-Paule e Roxanne, respectivamente minha mãe e prima daqui pra frente, também estavam lá para me receber. Não estava esperando que elas fossem me cumprimentar com abraços e dois beijinhos à la carioca, mas, com o passar do tempo, percebi que isso é comum no centro da França também, o que me fez sentir em casa.

Saímos da estação, entramos no carro e conversamos um pouquinho sobre os planos do dia. Pelo que minha irmã falou em “frenchenglish” (vou fazer um post sobre isso, aguardem!), entendi que iríamos a um churrasco na casa da Manon e depois iriamos conhecer a minha mais nova casa.
Ela também perguntou se eu tinha trazido biquini e eu disse que sim. Meu primeiro pensamento foi “opaaaa, partiu praia?!”, mas aí lembrei de que eu estava em BLOIS, no CENTRO da França, onde o mar não chega nem perto. Carioca só faz carioquisse mesmo! tsc

Então, quando cheguei ao local, entendi o motivo da pergunta: Manon estava dando uma pool party em comemoração ao fim do ano escolar.

E dá uma olhada no estilo da galera

E dá uma olhada no estilo da galera

O que passou pela minha mente foi:

THOUGHT

 

Enfim, mesmo pensando nisso tudo e ainda que totalmente contra a minha vontade, fui ao banheiro e coloquei o biquini. Voltei para a área da piscina procurando desesperadamente por um lugar para sentar e nunca mais levantar.

UFA, achei! Vou ficar aqui para sempre!

Aham, isso até que o Pierre, esse francês que aparece na foto — err.. como eu vou dizer? — circundando os mamilos, viesse gastar seu espanhol comigo dizendo um “te quiero esta noche” (ou seja lá como isso se escreve!). Vamos lá, NÚMERO UM: eu detesto que, baseadas em generalizações latino-americanas, as pessoas deduzam que no Brasil se fala espanhol. NUMERO DOIS: eu não entendo bulhufas de espanhol NUMERO TRÊS: “te quiero esta noche”, meu caro? Cê tá falando sério? HAHAHAHAHAHA, I CAN’T!
Foi engraçado. Pierre era mesmo um brincalhão, mas se não fosse Romane para me tirar daquele principio de saia justa… Sei não.

Não demorou muito para que  uma roda se formasse ao meu redor e todos começassem a me bombardear com perguntas sobre o que nós ouvimos no Brasil, o que assistimos, que artistas franceses conhecemos, o que gostamos de fazer nos tempos vagos, se eu curto praticar esportes, quantas línguas falo e o que quero fazer no futuro. Até o nome da presidente do Brasil quiseram saber! Agora imagina um monte de gente repetindo DilmaDilmaDilmaDilma com sotaque francês… Que delícia, hein?!

Esse interesse todo me fez sentir muito bem. Depois, a Lisa, essa linda que aparece na foto de maiô azul marinho, me convidou para dançar no wii.

HAHAHAHAH, TADINHA! MAL SABIA QUE EU SOU A DIVA DO JUST DANCE…

Pois é, ela não sabia, mas eu fiz questão de mostrar. Escolhi “Boom”, do Reggaeton Storm, que era a música que eu dançava praticamente todos os dias junto com Valentina (minha host sister americana) e AR-RA-SEI. Se você gosta de wii, de bater cabelo e assim como eu se acha a Beyoncé, clica aqui.

Até a hora que Marie-Paule voltou para nos buscar, cantamos, dançamos, almoçamos, lemos revistas de moda, fizemos desfiles a beira da piscina com saltos altíssimos (ê, futilidade!) e conversamos muito.

minha casa

minha casa

Eu morava em Chailles, a primeira comuna ao sul de Blois, e vocês tinham que ver como era linda a minha casa! A sala de estar logo se tornou o meu lugar favorito, pois era muito bem arejada, convidativa e confortável. Havia também um jardim com balanços, uma cesta de basquete e uma plantação de framboesas.

Desde o início, soube que me daria muito bem com a família que me acolheu, principalmente com Romane; sabia que ainda iríamos festejar muito por aí.
Ah, notei que na entrada de Blois tinha uma faixa com a bandeira brasileira e a frase “bem vindo a Blois”. Fiquei enchantée!

Allons-y!

27 de Junho de 2012, às 09:54 (Horário de Brasília)
em algum lugar do Atlântico, entre João Pessoa e Natal

     O avião decolou às 19:05. Me despedi de meus familiares sem muito chororô e segui para o primeiro obstáculo antes de finalmente embarcar: a segurança. Lá me aconteceu algo que não muito comum aqui no Brasil: tive de tirar meu casaco e botas e submetê-los ao raio-x. Lembrei-me de ter feito isso nos aeroportos americanos e pensei que fosse só mais uma das medidas neuróticas adotadas após os atentados de 11 de Setembro, mas depois de hoje, precisarei repensar essa teoria.

eu e minha mãe boladonas no aeroporto, haha

eu, a quantidade de roupa que eu estava usando e minha mãe bolada no aeroporto, haha

     Depois de recompor meu look, segui para uma fila que até agora não sei para o que serve. O fato é que esta era muito longa, o que fez com que eu quase perdesse o vôo. Era muito desconfortável olhar o painel, ver o número do meu vôo seguido de “embarque imediato”, virar a cabeça e ver que ainda havia um porrilhão de gente na minha frente. Enquanto não chegava a minha vez, só conseguia pensar na grande merda que seria perder o voo. Ao ver um rapaz chorando, lembrei-me de minha família, lembrei-me daqueles entes queridos que haviam ficado do lado de fora do portão de embarque com os olhos cheios de lágrimas. Aí juntou o nervosismo da fila que não andava com a emoção de só poder vê-los novamente daqui a 40 dias e eu senti vontade de ir lá, abraçar o carinha e chorar um rio junto com ele #LaísCarente

     Cheguei ao balcão, onde finalmente descobri a finalidade da fila: aquilo tudo era para que o agente do outro lado do vidro olhasse meu ticket, bem como identidade e autorização de viagem de menor desacompanhado. Finalizada essa etapa, corri em desparada para lugar nenhum, pois eu não tinha a menor noção de onde ficava o portão de embarque; tudo que eu sabia era que tinha de correr e CORRER MUITO.

     Finalmente encontrei o portal tridimensional que me levava para dentro do avião entrei! UFA! Menos mil quilos de preocupação na cuca.

Foi durante o lanche que notei a ilustre presença de Papai Noel bem ao meu lado. Que honra, não?

Enquanto conversava com a moça, notei a ilustre presença de Papai Noel bem ao meu lado. Que honra, não?

     Como fui uma das últimas a entrar no avião, pude perceber o quanto estava cheio e o quão grande era, já que passei por muitos assentos antes de chegar ao meu. Ao chegar, deparei-me com uma senhorinha muito simpática que logo pediu para que fossem deixadas de lado as formalidades e eu a chamasse de “você”. Ótimo! Conversamos bastante sobre os mais diversos assuntos.  Em apenas 3 horas de voo já sei sobre sua família, trabalho (ela é professora de química e está aproveitando a greve para viajar. É assim que se destrói o mínimo de esperança que você tinha de que os professores realmente vão militar nas ruas durante período de greve. Ainda falando sobre professores, tive o enorme (des)prazer de encontrar a pessoa que me ensinou francês durante o Ensino Fundamental no mesmo vôo. Alô, professores! Vamos fazer greve com propósito! E lembrem-se de que ninguém nunca está sozinho, muahaha)  e experiências. Admiro muito o povo brasileiro, que não tem papas na língua e puxa conversa com todo mundo mesmo. Isso pode assustar os estrangeiros, mas para mim, significa muita simpatia e muita lindeza junta num povo só. (Que foi? Sou coruja e patriota mesmo!)

     Agora estou a 2466km do meu querido e já saudoso Rio de Janeiro; a 4184 milhas de Paris. Eu aqui e a imensidão do Atlântico lá embaixo. Os comissários informam que o tempo nublado e chuvoso em Paris, mas a ansiedade é tanta que nem se eles tivessem anunciado uma nevasca eu me sentiria diferente. Não tem como se decepcionar com a Cidade Luz.

    De lanche, tive um copo de Coca Cola com salgadinhos com os quais me entalei. Nada grave, passou rápido. Para o jantar, escolhi frango com arroz com milho, que veio acompanhado de uma saladinha de batata e legumes. Ambos estavam deliciosos, bem como a torta de limão de sobremesa. Ah, esqueci de dizer que a qualquer momento você poderia ir até a cozinha e pedir picolés da Häagen Dazs. Air France puro luxo! Havia pão também, mas não peguei. Segundo minha parceira de viagem, eu tenho de provar o pão francês (não aquele que a gente compra na padaria, mas sim francês de nacionalidade), que é incrivelmente bom e diferente do nosso. Os defensores das empresas aéreas americanas que me desculpem, mas o franguinho com arroz com milho que eu comi hoje dá de 10 a 0 no frango doce que eu comi no voo United há alguns meses atrás.

     De vez em quando, sinto desconforto e pressão nos ouvidos, mas isso é normal. As turbulências também são. O voo está sendo ótimo, graças a Deus, e que continue assim até o destino final.

     Tenho um tercinho no bolso, que meu irmão me deu minutos antes do embarque. Existe coisa mais linda?

     O aviso de “mantenham os cintos apertados” permanece iluminado. Estamos quase cruzando a Linha do Equador e pelo que dizem, nessa área costuma haver muita turbulência. Que venha, estou preparada!
A esse ponto, ainda tenho mais 7:34 de voo pela frente. É, meu caro, quem disse que seria rápido? Quem disse que seria fácil?
Como não trouxe nenhum livro e as opções interativas não me entretem, vou tentar dormir um pouco para não chegar muito derrotada à Paris.

Dormir até a próxima turbulência, eu quis dizer.

     Acordei no meio da madrugada. Nunca havia sentido o avião tremer tanto como ao passar pelo trecho nordestino.

Throwback – UM ANO DEPOIS!

Acredito que vocês possam imaginar o quanto é difícil escrever sobre o último dia do programa que mudou a minha vida.
Hoje mesmo estava conversando com um amigo sobre o mix de sentimentos que tenho no peito toda vez que penso nesse dia; uma mistura de gratidão, nostalgia, saudades…
Tome coragem, chore e escreva! Liberte todo esse sentimento” – me disse David.
Resolvi, então, começar.

January 28th, 2012

Washington D.C.

Hoje faz um ano que voltei ao Brasil, mas parece que tudo aconteceu exatamente ontem. As lembranças continuam integralmente vivas em minha mente e por mais que eu queira expressá-las aqui no blog, tem coisas que não podem ser postas em palavras.

To make it even more special and memorable, Tracy pediu para que descessemos para o café da manhã ainda usando pijamas. Isso mesmo: ela não queria que trocássemos de roupas e já aparecessemos arrumadinhos para a primeira refeição do dia, como de costume. Nossa reação foi “what? Do you really want us to go downstairs, cross the street and walk to the other building wearing pajamas?”, mas no outro dia de manhã, estava todo mundo lá, bonitinho e de pijamas!

Embora eu não tivesse certeza, podia apostar que todo mundo estava com o mesmo pensamento em mente: era o nosso último café da manhã com ovos mexidos, bacon, panquecas e syrup, marca do american way of life e uma das primeiras diferenças culturais claras que notamos.

E, mais uma vez, volta aquela história dos sentimentos agridoces: Daqui a algumas horas, estaríamos de volta ao Brasil. Poderiamos matar as saudades de nossas casas, famílias, de arroz e feijão e do calor tropical, mas também estaríamos deixando para trás outras 44 pessoas que fizeram parte dos 21 melhores dias de nossas vidas.

Recordação do lugar onde passei dias incríveis.

Última recordação do 4-H

Terminado o breakfast, colocamos nossas malas no ônibus e fomos até a Union Station, onde estive em meu segundo dia nos EUA,  para gastarmos os nossos últimos dólares (se é que nós ainda tínhamos).

Com Brunella, na Union Station

Com Brunella, na Union Station

DSC04196Seguimos para o Lincoln Memorial, um dos meus lugares favoritos em Washington D.C., para fazermos um último momento de reflexão e lermos os discursos baseados no I have a dream speech que tinhamos preparado logo nos primeiros dias de viagem. Nos dividimos em teams e, liderados pela Anna, começamos a recapitular o programa. Foi, sem sombra de dúvidas, um momento muito emocionante. Na minha vez de falar, agradeci por tudo que me havia sido proporcionado e chorei, claro, afinal, eu sempre choro com tudo. Como se não bastasse, ainda cantamos “peace like a river”; aí que eu chorei mesmo!

mtg blogDepois nos reunimos em uma área verde e, de frente para o Rio Potomac, fizemos uma grande roda. Nesse momento, cada um teve a oportunidade de exteriorizar tudo aquilo que estava sentindo. Foi lindo; muitas lágrimas rolaram. Depois, Quena distribuiu a cada um uma fitinha daquelas do Senhor do Bonfim para simbolizar a união do grupo. Poderia apostar novamente e dizer que pelo menos um dos três pedidos feitos antes de cada nó na fitinha era algo do tipo “poder estar ali de novo em breve”. Por fim, cada um recebeu seu certificado de participação no programa, marcando o “fim” do mesmo:

Fomos ao aeroporto e o momento da despedida foi mais doloroso que o previsto. Abraçamos todo o staff da World Learning e agradecemos por tudo. Se eu tivesse que resumir aquele dia em uma única palavra, seria gratidão. Mais ou menos às 21h, entramos no avião e logo notamos a ausência daquela alegria e empolgação que caracterizaram a última vez que pegamos um voo da United. Estavamos todos tristes, sim, como se parte de nós tivesse ficado lá na América do Norte.

Faríamos uma breve escala em São Paulo e quando eu digo “breve”, I really mean it! Como o destino final era o Rio de Janeiro, eu, Luiz Alberto e os juiz-foranos Paula e Igor seguimos por um caminho diferente dos demais. Fomos rapidamente conduzidos para a sala da espera pela conexão enquanto os outros seguiram para o hall do aeroporto para esperarem por seus respectivos flights back home. Foi péssimo não conseguir me despedir de todos como eu gostaria de ter feito, mas talvez tenha sido melhor assim.

Chegando ao Rio, escolhi a fila de “nada a declarar” na hora de passar pela Alfândega, mas morrendo de medo de que eles me parassem e acabassem encontrando o iPad, que certamente excede o valor de compras permitido. Sabe como é essa burocracia de aeroporto, né? Embora a Embaixada já tivesse nos precavido com uma carta onde explicava toda a procedência do iPad (dizendo que tinha sido um presente dado por eles e tal), os agentes poderiam criar problema pelo simples prazer de fazer isso. No fim, passamos nós 4 direto, cada um com seu iPad na mala de mão and feeling like a boss! Ao final da viagem, percebi que muito do que se ouve por aí a respeito de alfândega, segurança e migração nos aeroportos não passa de história criada para colocar terror psicológico em marinheiro de primeira viagem. Embora fique a dica, isso não quer dizer que você pode contar sempre com a sorte e exceder o valor permitido, ok?

Quando passei pela alfândega e virei a esquerda, logo vi meu pai, que abriu um sorrisão quando me viu. Meus irmãos e minha mãe não puderam ir ao aeroporto, o que fez com que eu contasse os minutos até chegar em casa. Os pais de Luiz Alberto também estavam lá, bem como o professor da Paula e do Igor, que os levaria de carro até Juiz de Fora. Nos despedimos uns dos outros e a saudade já começou a apertar ali mesmo.

Vim olhando a paisagem do Rio pela janela do taxi e agradecendo a Deus por estar de volta. A viagem foi maravilhosa, mas definitivamente não existe lugar como a nossa casa. Quando cheguei aqui e abracei minha mãe e irmãos, foi como se sentisse de volta todo aquele calor do qual tanto senti falta nos útimos 21 dias.

Comecei a desfazer as malas enquanto contava tudo que vivi. Era como se um filme passasse em minha mente.

forever in my mind

forever in my mind

I left my heart in Charlotte

January 23rd, 2012

Charlotte, NC – Washington D.C

O dia seria pequeno para tanto choro.

Não, nós não estávamos preparados para deixar Charlotte. Haviamos nos apegado muito ao lugar e às pessoas que ali moravam.

Mas tinha chegado a hora: tinhamos de partir de volta para a correria e agitação de D.C (que agora, com os action plans, se intensificaria).

Aquela segunda-feira seria diferente: não acordaríamos cedo e esperaríamos o yellow bus na esquina de casa antes mesmo do sol nascer, não iríamos à Olympic, não veriamos o sorriso de Lara acompanhado de um high five, não nos reuniriamos e conversaríamos até a hora do primeiro compromisso.

Na verdade, para aquela manhã não havia nenhuma atividade planejada, nenhum compromisso, nenhuma saída, exceto a mais dolorosa de todas: a saída de Charlotte. E para não voltar mais.

Ao acordar, encontrei esses bilhetes espalhados pela casa:

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Coisa de Valentina. Coisa de Valentina para tornar ainda mais forte o meu aperto no coração. Chorando, recolhi todos e quando a vi pela primeira vez naquela manhã, abracei-a da maneira mais forte que pude. Iria sentir saudades, isso era indubitável.

Ela me disse que deveria me arrumar rápido, pois iriamos reunir o grupo para um inesquecível-último café da manhã no Cracker Barrel Old Country Store, um restaurante característico do sul dos Estados Unidos localizado na Carolina do Sul.

Cada um deu o melhor de si para que a alegria característica do Charlotte Team continuasse a predominar, ainda que sobre o enorme clima de despedida que nos assolava. Apesar das tentativas, meus olhos vermelhos entregavam o que se passava por dentro:

Com Michelle, host sister da Clara (e Rafael photo bombing).

Voltamos para casa com Michelle no volante. Não pude conter as lágrimas ao ouvir “Someone Like You” no carro; essa era, definitivamente, uma das trilhas sonoras da nossa viagem. Ganhei um abraço de Valentina como consolo.

Em casa, subi para meu quarto para arrumar as últimas coisas.

Minutos depois, ouvi batidas na porta. Era Valentina. Perguntou se podia entrar, sentou-se em minha cama e estendeu o embrulho que trazia nas mãos.

Era um presente, um presente de minha host family para mim. Abri e encontrei um iPod com fones de ouvido na minha cor favorita: vermelho. Não tive palavras para agradecer e segundo Valentina, nem precisava. Ela logo se ofereceu para colocar musicas para que eu pudesse me distrair durante os próximos voos.

Quando terminei de arrumar minhas coisas, desci para a sala e Chris pediu para que tirássemos nossas últimas fotos em família:

essa foto é im-pa-gá-vel!

Trang, minha host mother, havia se despedido de mim no dia anterior, antes da festa do Dr. Igor, o que fez com que eu chegasse na festa com os olhos vermelhos de tanto que chorei. Quando eu acordasse no dia de minha partida, ela já teria saído de casa para trabalhar, então, optou por se despedir no dia anterior. Devido a isso, somente Valentina e Chris me levaram ao aeroporto. Antes de dar a partida no carro, tirei essa foto para que lembrasse para sempre da casinha que me abrigou durante 12 dias na cidade rainha:

meaningful

Em mais um ato de extrema gentileza, Chris resolveu dar uma passadinha no McDonalds antes de me deixar no aeroporto. Embora a família não curtisse muito, achei muito simpático da parte deles abrir mão da dieta saudável para me levar ao McDonalds algumas vezes durante a minha estadia em Charlotte depois de saberem que eu simplesmente amo muito tudo isso. Durante o lanche, lembro que comentei algo sobre o tamanho gigante dos copos americanos e Chris sugeriu que eu trouxesse um copo de refrigerante do McDonalds como souvenir, haha.

Tenho o caminho até o aeroporto gravado em minha mente como uma série de fotografias e agora, escrevendo esse post, é como se todas elas fossem reveladas. Vejo a esquina onde eu e Valentina muitas vezes quase congelamos enquanto esperávamos o yellow bus para ir à escola, vejo as árvores nas proximidades do aeroporto que me fizeram ter uma péssima primeira impressão sobre Charlotte (depois entendi que elas estavam com aspecto de maltratadas por conta do inverno), o céu azul ciano e aquele solzinho timido querendo sair, embora lá embaixo continuasse um frio do cão… Essas são as últimas lembranças que tenho de Charlotte.

Ao chegar ao aeroporto, Chris e Valentina me ajudaram a tirar as malas do carro (a minha mala maior estava com a roda quebrada e estava me dando muito trabalho) e me despedi de Chris ali mesmo, no estacionamento, já que eletinha de estar no trabalho em alguns minutos.

E deu-se inicio o choro.

Entrei no aeroporto com Valentina e lá dentro encontrei todos os integrantes do grupo. Duas coisas nos eram comuns: os olhos vermelhos e a dor da despedida. Me despedi de todas as familias e quando olhei para trás, me surpreendi ao ver Chris entrando no aeroporto. Perguntei-lhe se não deveria ir trabalhar e ele disse que não poderia, que queria estar presente até o meu último momento em Charlotte. Resultado: chorei mais ainda e antes de fazer o check-in e despachar minhas malas, entreguei-lhe uma pequena carta que tinha escrito à familia. Pedi para que só abrisse quando chegasse em casa. Depois que vim embora, esta carta foi emoldurada e hoje o quadro fica ao lado do computador principal da casa como um eterno pedacinho de mim ali com eles.

worst moment: time to say goodbye

O voo de volta à capital foi bem rápido. Ao chegar ao Ronald Reagan Washington National Airport, percebi que minha mala estava com o puxador quebrado. Tentei correr atrás do prejuízo e o que ouvi da responsável pela entrega das malas foi que ela não poderia fazer nada, pois a mala não estava inteiramente quebrada. Segundo ela, era SÓ o puxador. Já havia visto uma reportagem no Fantástico sobre isso, mas só quando aconteceu comigo eu passei a acreditar indubitavelmente no que diziam sobre o descaso e a falta de cuidado do staff de alguns (sem generalizações, por favor) aeroportos em relação às malas. Preferi esquecer o episódio.

Depois encontramos o grupo de Tulsa e fomos juntos até o 4H. O grupo de Cleveland havia chegado mais cedo e fomos recepcionados por eles.

Aos poucos, os outros grupos foram chegando. Muitos abraços depois, traçamos algumas pizzas e fomos dormir após o anúncio de que visitaríamos a Embaixada Brasileira em Washington D.C. no dia seguinte.

Ultimamente…

E ai, galera! Tudo bem?

Hoje escrevo para contar para vocês um pouquinho do que tenho feito nos últimos dias. Chega de nostalgia americana, vamos trazer um pouco de presente pra cá.

As coisas têm acontecido de maneira muito rápida em minha vida e vou confessar que está sendo um pouco difícil assimilar e aceitar tudo.

Recebi as passagens na terça-feira e agora já posso passar mais algumas informações para vocês: viajo no dia 27 de junho, às 7 horas e alguns minutinhos (esqueci agora) e chego lá na manhã do dia 28. Conforme o programado, as atividades já começarão na tarde do mesmo dia. Isso tem um lado bom e um lado ruim: o bom é que não perdemos tempo da nossa estadia em um país estrangeiro. Convenhamos: ao chegar em Paris, a última coisa que um ser humano em condições normais vai querer fazer é se trancar dentro de um quarto para dormir.O lado ruim é que muitas pessoas sentem um jet lag indescritível depois de viagens internacionais. Eu não senti isso depois de mais de 9 horas de vôo entre Brasil e Estados Unidos, mas maioria dos meus amigos sim. Acredito que a minha reação adversa tenha se dado pelo fato de eu ser uma pessoa “elétrica”. Também, quando chegou a noite, eu bati na cama e dormi como uma pedra.

uh la la

Enfim, voltando ao foco inicial do post, na minha última aula de português fiquei “viajando na viagem”, sabe como é? O meu corpo estava ali na sala de aula, mas a cabeça e o espírito já estavam láaaa na França. Enquanto pensava em todo o requinte da Cidade Luz, esbocei mais de 10 perguntas sobre o programa num papel. Como eu posso ter duvidas a 20 dias da viagem? Explico: como se trata de um programa especial que só é concedido aos melhores embaixadores, não há informações públicas sobre o mesmo.  O pessoal da EIL me mandou o overview do programa em anexo, mas como eu não consegui abrir, hoje resolvi enviar um outro e-mail para sanar minhas últimas dúvidas. Quero saber quem viajará comigo, para onde iremos além da França, quais será minha host city, qual o tipo de atividade que desenvolveremos… Assim que tiver reposta a essas perguntas, postarei aqui.

E fora esse lado do oba-oba da viagem, como está anda minha vida? Pois bem, ando estudando para o vestibular, fazendo testes, simulados, etc. Minha escola provavelmente entrará em greve em breve, o que, de certa forma, me favorecerá, pois só perderei as aulas dos professores que não a aderirem. Com isso, perco menos matéria e tenho menos coisa pra tentar recuperar quando voltar.

Dia 27 de junho, além de ser o dia do meu embarque, é também o dia do aniversário de meus irmãos. Pensando nisso, estamos planejando alguma comemoração conjunta, algo do tipo Rafa ‘n Doug’s b-day and my farewell party. Se der certo, vai ser bem legal.

O Victor, meu melhor amigo, sabia que eu sempre quis ter uma camisa do Brasil e ontem me presenteou com uma. Fiquei super emocionada e feliz com o presente *-*

yay!

Ainda tenho muitas coisas para colocar em ordem. O que mais me preocupa agora são as malas, que ainda tenho que pedir emprestadas. Vamos ver como as coisas vão se desenrolar. Sei que os próximos dias serão cheios, mas estou pronta.

Vai valer a pena!