Journée Familiale à la Mer

15 de Julho de 2012
Merlimont, França

“O ônibus sairia daqui às 6:45. Nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. Tinhamos um compromisso com as crianças da associação Les Enfants de la Goutte d’Or (EGDO).

Seria um dia de voluntariado: acmpanharíamos cerca de 12 famílias até a cidade de Merlimont, norte da França, para um dia de lazer na praia. Para muitos deles, seria a primeira vez que veriam o mar. Nós, intercambistas, apesar da enorme responsabilidade que assumiríamos, estávamos nos sentindo honrados pela oprtunidade, além de ansiosos para conhecer todos os pais e crianças.

Essa é Merlimont. Não te faz querer ficar pra sempre?

A última coisa que queríamos era chegar atrasados e, por isso, abdicamos do maravilhoso café da manhã do hotel. Andrew pegou alguns croissants e pôs numa sacola para que comessemos no ônibus. Na verdade, a ideia de comer a caminho da EGDO ficou só no plano das ideias mesmo, pois assim que tentei colocar o primeiro pé na escada do ônibus com o meu delicioso croissant em mãos, o motorista, no auge de sua gentileza francesa, gritou “pardon, mademoiselle, tu ne peux pas manger pas dans le bus“.

Ok. Recuei, terminei de comer e entrei.

Parte do grupo de voluntários

Parte do grupo de voluntários

Enquanto durante o programa Jovens Embaixadores todo mundo queria viajar de ônibus com alguém do lado, aqui todo mundo quer mais é sentar sozinho, largadão, despojado. Já saquei isso há alguns dias e hoje, então, escolhi um lugar para mim sozinha. Eu e minha mochila, que amor 

Paramos próximo à Bibliothèque de la Goutte d’Or para esperar o grupo de crianças e pais que guiaríamos. A chegada lá foi acompanhada de um novo choque cultural. Você pode entender o motivo clicando aqui.

Havia 47 pessoas, o que compreendia cerca de 12 famílias. Quando percebi que havia muita gente entrando no onibus, achei conveniente sugerir ao grupo que largassem o individualismo e sentassem juntos para que os pais pudessem sentar com seus filhos. Graças a Deus minha ideia foi acatada. Sentei com Kelsey.

O mar na verdade é o Canal Inglês, que separa o Reino Unido da França

O mar na verdade é o Canal Inglês, que separa o Reino Unido da França

Fizemos uma longa viagem até Merlimont (3h). Lidi, a guia, fez excessivo uso do microfone nos apontando todas as vacas, cavalos e pôneis que haviam nos pastos ao lado das estradas pelas quais passamos. Falar sobre a vegetação é ok, mas vacas são animais um tanto quanto grandes, então era improvável que alguém as deixasse de ver. Realmente nao precisava ficar “voilá les vaches!“, Lidi!

Choveu muito durante a ida, o que nos fez ficar um tanto quanto desanimados. Fizemos uma parada num lugar muito legalzinho a beira da estrada para comer. Comprei um sanduíche de bacon e uma Coca de 600ml. Tudo junto custava 6,80€. Dei 7€ para a vendedora: uma nota de 5, uma moeda de 1 e duas de 0,50 e recebi 8€ de troco. Resumindo: quem me pagou foi a mulher, porque eu sai de lá com mais dinheiro do que cheguei. 

A chuva estava forte e eu, que me vesti para ir a uma praia carioca, estava morrendo de frio, aquele frio que faz tremer os joelhos. Fod*!

De casaco na praia

De casaco na praia

Fiquei muito feliz quando avistei o mar ainda de dentro do onibus. A praia é realmente o meu lugar. 

Quis logo correr pro mar, mas, assim que chegamos, a chuva caiu com força. Primeiro me abriguei embaixo de um cobrtor que Irvine havia levado junto com Yuri e Keanu. Vendo a cena, um grupo de moças árabes nos chamou para baixo de seus guarda-sóis. Achei isso um gesto muito bonito e as agradeci imensamente. Além disso, uma delas ainda me deu uma toalha para que nao sentisse muito frio. 

santíssimo cobertor do Irvine!

santíssimo cobertor do Irvine!

Quando a chuva passou, fui até o mar e apenas molhei os pés, porque, né… Tava um frio do cão!

Almoçamos todos os bicoitos e chips que haviamos comprado no dia anterior. Logo depois do almoço, um homem apareceu com sacos plasticos para que fizessemos “roupas” para nos protegermos do frio. “Bizarro!“, pensei, “será que eu tô entendendo certo e ele quer mesmo que nos vistamos com sacos de lixo ou o frio já tá tão forte que tá congelando os meus neurônios e eu já tô tendo alucinações?“. Não pensei muito: achei fofo demais esse gesto e acabei fazendo não só uma camisa, como também uma calça plástica. Quando os outros componentes do grupo viram as minhas “roupas novas”, logo quiseram se vestir de saco de lixo também e aí eu me senti uma estilista de mão cheia, quase uma Coco Chanel confeccionando roupas modernas para todos.

Kelsey com o lindo vestido de saco de lixo que eu assinei exclusivamente para ela

Kelsey com o lindo vestido de saco de lixo que eu assinei exclusivamente para ela

As árabes ainda me convidaram para almoçar. O prato era um arroz com milho e alguns caroços de feijao que estava muito bom. Ainda nos deram frango, peixe e carne, além de coca cola. EITA, FAROFA BOA!

Algum tempo depois, convidei as crianças para construir um castelo de areia, já que o nosso dever ali era mantê-las entretidas. 

Castelos

Castelos

Construimos um castelo muito grande e depois levei algumas das crianças ao mar com Luisa.

À LA MEEEEEEER!

À LA MEEEEEEER!

Foi gratificante ver a felicidade delas. Na volta, Marianne e sua irma ainda fizeram coraçoes na areia e escreveram meu nome dentro. Soooo cute! 

 

[FOTO DESNECESSÁRIA] Todo mundo morto na voltaà Paris

[FOTO DESNECESSÁRIA] Todo mundo morto na volta à Paris

Esqueça tudo que você sabe sobre Paris

Vim mostrar o outro lado da moeda pra vocês; um bairro que foge completamente de toda e qualquer concepção que você tenha da Cidade-Luz.

Situado no XVIII arrondissement, La Goutte d’Or não se assemelha em nada com a Rue de Rivoli, com o bairro do Marais e muito menos com Montmartre, apesar da proximidade.

Trata-se de um bairro que surgiu no século XIX como resultado do êxodo de trabalhadores magrebinos e subsaarianos para a construção das estações do Norte e Leste de Paris, além do Hôpital Lariboisière

Chegar lá foi mais um grande choque cultural para mim, mas o que mais me impressionou foi a forma como La Goutte d’Or consegue preservar o seu tradicionalismo popular em meio a todo o requinte da capital. É como se fosse um pedacinho da África bem no meio de Paris.

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Aqui, o fluxo de pessoas é sempre grande, principalmente aos sábados, dia do famoso Marché Dejean, mercado de rua que atrai centenas de locais e turistas em busca das mais diversas iguarias africanas.

O bairro entra na classificação do Governo Francês de “Zona Urbana Sensível”, categoria definida pelo mesmo como local “caracterizado [especialmente] pela presença de grandes grupos em áreas de habitat degradado e acentuado por um desequilíbrio entre a habitação e emprego”.

Após um período de enfraquecimento da coesão social por conta da insegurança, criminalidade, tráfico e dependência de drogas, além da prostituição (conceitos raramente utilizados quando se trata da descrição de Paris como um todo), no início dos anos 2000, teve início o período de revalorização do rico distrito: crescimento da especulação imobiliária, valorização e preservação das fachadas no estilo Haussmann, etc. Aos poucos, a área retomou a segurança, assumiu sua identidade cultural e adquiriu ares de uma aldeia cada vez mais popular.

O calor das locais, além de contagiante, é acolhedor. Te faz querer ficar ali, vivendo uma das realidades parisienses, uma realidade normalmente oculta.

Hoje, La Goutte d’Or é sinônimo de diversidade, de alegria, de superação e de prosperidade. Portanto, quando estiver em Paris, quebre as barreiras do senso comum, retrace o seu roteiro e considere uma visita ao bairro. É sempre bom ver que existe uma realidade por trás de todo cartão postal.

Noite da Queda da Bastilha

14 de Julho de 2012
Paris, França

No finalzinho da tarde, fomos até às margens do Sena para assistir a queima de fogos em comemoração à Fête Nationale.

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Gravei um vídeo (jamais revelado até então) com uma mensagem para o pessoal do Brasil. Shiiiiiu, façam silêncio porque tá difícil de ouvir e eu não sei colocar legenda:

Ainda não consigo descrever a emoção de vivenciar aquele momento. 223 anos depois, lá estava eu, no cenário original. Quem diria, né? Vou deixar as imagens falarem por mim:

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De volta à Paris

Antes de mais nada, queria compartilhar com vocês a dificuldade que está sendo escrever esse post.
Deixe-me explicar: esse foi um dia muito corrido, então, não tive tempo de sequer abrir o diário para documentar tudo bonitinho, como havia feito em todos os outros dias. O que aconteceu foi que, dentro do ônibus, quando percebi que realmente não teria tempo de escrever no diário, pedi uma folha emprestada à Kelsey para começar a escrever ali mesmo, a fim de que os acontecimentos não se perdessem em minha memória. O fato é que ela não tinha uma folha, mas, prestativa como era, não hesitou em arrancar a página de número 417 de seu dicionário inglês-francês para me servir. Fofa, não?
Aí eu comecei a escrever. Agora vem o problema: minha vocação para ser médica começa na caligrafia, que já é difícil de entender numa folha sem pauta, agora imagine como fica em meio às definições impressas na página de dicionário?! Completamente ilegível! Se você não consegue imaginar (o que é bastante plausível), eu mostro a vergonha aqui embaixo:

argh

argh

Quero adiantar que, novamente devido à correria, escrever em folhas avulsas se tornou um hábito. Gostaria muito, muito mesmo, gente, do fundo do meu s2, que vocês relevassem qualquer possível falta de nexo nesse post, além do fato de eu estar retirando alguns trechos do registro original; é que eu não tô entendendo o que eu mesma escrevi. Que vergonha, pardonnez!

 14 de Julho de 2012
Paris, França

Chegamos cedo à capital francesa. O dia prometia ser longo e incrível!

Era 14 de Julho, mais conhecido como Jour de la Fête Nacionalle. Historicamente, é o dia da queda da bastilha, marco da Revolução Francesa. Em todo o país há comemorações como as que vimos ontem em Blois e em Paris, é claro, acontece a maior festa de todas. Pois é.

Desembarcamos na Gare d’Austrelitz. Tenho mania de ler grafites em paredes e achei um que muito de chamou a atenção. Dizia “le verbe ‘avoir’ a assassiné le verbe ‘être’” (traduzindo literalmente: “o verbo ‘ter’ assassinou o verbo ‘ser'”)

Havia um motorista nos esperando. Acho que ele tava meio doido das ideias, pois fez um caminho totalmente inusitado. A estação ficava entre os arrondissements 13 e 5, mas nós passamos pelos de número 6, 7, 8… 11 e 12 até chegar ao 4, que era onde se situava o Chariot d’Or, hotel onde estávamos hospedados. Dá uma olhada no mapa abaixo, gente; acho que não precisava dar tanta volta:

Fora isso, ele dava umas freiadas bruscas! Estávamos morrendo de fome enquanto o cara rodava aleatoriamente por Paris, que maravilha!

Quando finalmente chegamos, largamos as coisas no hotel e saímos correndo para almoçar no Bistrot Victoires, no primeiro arrondissement.

Chez victoires

Bistrot Victoires

Todo mundo pediu l’entrecôte grillée au thym brûlé de la garrigue, especialidade da casa. O tomilho (thym) vem literalmente pegando fogo e você tem que esperar a chama apagar para que possa comer. É incrível ver o negócio fumegando ali, na sua frente, dentro do seu prato.

Dá pra ver o fogo?

Dá pra ver o fogo?

Depois do almoço, fomos à Place des Vosges, onde sentamos na grama e compartilhamos nossas experiências com as famílias. Falei sobre como tinham sido maravilhosos os dias com Romane e Marie-Paule, sobre o quanto havia crescido e aprendido e não pude deixar de me emocionar.

Ali mesmo, na Place, descobrimos que no dia seguinte iríamos à praia, uhuuuul! Estaríamos acompanhando um grupo de crianças da Association les Enfants de la Goutte d’Or, grupo que cuida do desenvolvimento de crianças e jovens promovendo cultura, educação e lazer.

#ansiosa

No trem

14 de Julho de 2012
10h14

No trem de volta à Paris

Acordei cedo, tomei banho, café e terminei de arrumar as últimas coisas. Até aqui, tudo normal. 

A não ser por dentro.
Eu estava despedaçando por dentro.

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última foto do grupo com seus correspondentes franceses

Entramos no carro e, novamente, não trocamos muitas palavras até chegar à estação de Blois. Tudo que se ouviu ao longo da viagem foram básicos comentários sobre o tempo e sobre o dia 14 de julho.

Quando chegamos a estação, maior parte do grupo ja estava lá. Na verdade, acredito que eu tenha sido a última a chegar, já que saimos de casa às 9h, horário que deveriamos estar chegando à estação.

momento de agradecimento às famílias

abraço coletivo

Durante todo o caminho, tive em mãos a carta que havia escrito para Romane e Marie Paule na noite anterior, bem como os presentinhos que trouxe do Rio para eles.

Tiramos algumas fotos de grupo e com as familias na porta da estação até que Mme. Pletier apareceu dizendo que era hora de começarmos a dizer adeus à nossas famílias. 

NON! JE NE VEUX PAS PARTIR!

NON! JE NE VEUX PAS PARTIR!

Imediatamente abracei Romane e ficamos assim por um bom tempo. Depois ela me chamou para tirar algumas fotos juntas e me despedi do resto do grupo. 

eu e Romane

eu e Romane

Entreguei a carta e os presentes e passei o portão. Paa minha surpresa, Romane me acompanhou até a plataforma, levando minha mala. 
Foi muito difícil dizer adeus. Não pensei que fosse chorar, muito menos que Romane fosse, mas a verdade é que eu estava me segurando e nao pude mais conter as lágrimas ao olhar pela janela e vê-la chorando. 

Pela janela, disse que sentiria saudades e acenei em despedida. Vou guardar a ultima imagem que tenho dela: às 9h58, na Gare de Blois, enquanto o trem acelerava. 

vou sentir saudade

foto que tirei da janela do trem. Nela, Alexis, Audrey, Candice, Antoine, Tracy, Toinon, Romane e Bérénice, todos “irmãos” de algum participante

Agora estou aqui, na segunda classe (que é muito confortável, tá?) de um trem rumo à Paris, com um nova-iorquino ao meu lado e Adele nos ouvidos. Someone Like You,  essa é a musica que está tocando. Esta é, definitivamente, a trilha sonora de todos os tristes momentos de despedida da minha vida. Me lembro de quando deixei Charlotte e D.C…. Essa era a única música que se ouvia! 

A segunda classe do trem é dividida em pequenas cabines, onde cabe cerca de 6 pessoas. Esse é o Andrew, líder do nosso grupo, passando de cabine em cabine para se certificar de que estava tudo bem com todo mundo.

A segunda classe do trem é dividida em pequenas cabines, onde cabe cerca de 6 pessoas. Esse é o Andrew, líder do nosso grupo, passando de cabine em cabine para se certificar de que estava tudo bem com todo mundo.

Nesse momento, estou em algum lugar entre Orléans e Paris e, de certa forma, por trás de toda essa tristeza, estou animada para chegar logo lá. Hoje é um dia especial para a França, então creio que Paris estará anda mais bonita do que o natural. 

Sinto saudades. Sim, sinto saudades. Paris é como um sonho, enquanto Blois… Ah, Blois… Minha vidinha (quase) real. 

Daqui a menos de 1h estarei lá. Pela janela, agora só vejo mato. 

cadê a Romane?

Mato dos dois lados, não mais a imagem da pequena-grande debutante de cabelos longos e franja

Últimos momentos em Blois #2

13 de Julho de 2012,
Blois, France

No meio do jantar, Romane levantou-se rumo ao computador e disse que iria me mostrar a cantora que viria a Blois hoje a noite.

Modja, Inna Modja.

Nunca havia ouvido falar sobre, mas a primeira vista, já gostei de seu cabelo. Parecia simpática.

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Disse: 

– Que legal! Gosto de seu cabelo!
* Risadas de Romane * 
– E você vai ao show?
– Sim! E você também!
* Risadas compartilhadas * 

Romane aproveitou para me mostrar algumas de suas músicas e eu gostei muito de French Cancan (acho que é assim que se chama). Também descobri que ela não era tão desconhecida assim ao reconhecer uma de suas músicas. “I’m smiling in the morning, i’m happy in the evening, I’m laughing in the afternoon, no one is gonna change my mood…”ADORO! É a velha arte de conhecer um trecho da música, mas não saber quem canta. 

Esperei que Romane se arrumasse, pois fui com a mesma roupa que usei na festa de Antoine, apenas acrescentei uma jaqueta de couro, já que tava meio frio.

Quando chegamos ao local do show, estava bem vazio e me questionei se a cantora era boa ou não. Mal podia imaginar o quão cheio ficaria alguns minutos depois. 

Andando um pouco mais a frente, decobri o motivo pelo qual estava tão vazio próximo ao palco: todo mundo estava às margens do Rio assistindo aos desfiles e garantindo os melhores lugares para a queima de fogos que estava prestes a começar.

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Eu e Romane assistimos aos desfiles dos bombeiros e servidores publicos carregando bandeiras francesas e eu achei lindo. Ela perguntou se havia algo do tipo no Brasil e eu disse que sim, em 7 de Setembro.

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Encontramos algumas amigas dela que disseram já me conhecer embora eu, pessoalmente, não lembrar de já tê-las visto anteriormente. Trágico!

Queríamos encontrar o resto do grupo, então ligamos para Bérénice e perguntamos onde ela estava. Como o barulho era muito grande, Romane entendeu “próximo ao estacionamento subterrâneo” e fomos andando para lá. Ficamos procurando-os e nada, até que ouvimos os fogos. Corremos de volta para onde estávamos enquanto eu filmava tudo. Turistooona! kk 

Encontramos o povo e ficamos lá assistindo. Fiquei maravilhada com a queima; era a primeira de minha vida. Pois é, embora seja carioca da gema, nunca fui ao Revellion de Copacabana, sad story.

Agradeci a Deus por estar ali assistindo aquilo. Era realmente um espetáculo! Estava emocionadíssma! 

Terminada a queima, corremos para perto do palco na esperança de conseguir um lugar tão bom quanto o que tinhamos no inicio, mas já sabendo que seria quase impossível. “Quase”, eu disse “quase”!

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Inna (rainha) Modja

Tem horas que ser pequena ajuda muito e esse foi um dos momentos: abri caminho no meio das pessoas e cheguei a segunda fileira antes do palco. Encontramos Ben e Frances no meio da multidão e depois fomos encontrando todos. 

O mais engraçado é que embora o show fosse maravilhoso e ainda por cima gratuito, a plateia nao estava empolgada. Not at all. Eles nao pulavam, nao cantavam, nao dançavam, nao gritavam… Eu e Frances eramos as unicas doidas dançantes no meio do povo.

todo mundo borocoxô

todo mundo borocoxô

Um episodio engraçado foi que no inicio eu e Francisco estávamos morrendo de sede. Como bons habitantes de grandes cidades e acostumados a muvucas e tumultos, simplesmente avisamos aos outros que iriamos ao restaurante ali ao lado tomar uma coca e voltariamos em breve. Ao ouvir isso, os franceses quase morreram; quase imploraram para que nao fossemos porque iriamos nos perder e nunca mais conseguiriamos voltar. Alheios ao desespero geral, fomos e em cinco minutos estavamos de volta ao mesmo lugar, vivos, sãos e salvos, fazendo jus às nossas big cities.

wooooooa!

wooooooa!

Fizemos amigos no meio da multidao e entramos na coreografia de uns malucos super animados (exceção em meio a toda aquela gente morta). Até Marie-Paule entrou na dança!

No final, Inna desceu do palco e caminhou em meio a multidão. Achei isso o máximo! 

A multidão se evacuou organizadamente assim qur o show terminou, coisa que nao acontece no Brasil. 

tod mundo blurred de animação

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Me despedi de todos e voltei ao carro. Não muitas palavras foram ditas até que o carro estacionasse em frente a casa. 

Entrei no meu quarto e terminei de arrumar a mala, também falei com minha mae e irmãos no skype. Enquanto conversava, escrevi a seguinte carta de despedida: 

Marie Paule et Romane, 

Je n’ai pas de mots pour dire combien tu as été importante au cours de mon séjour à Blois. Comme j’ai dit dans mon discurs, je pense que j’ai eu de la chance de venir chez toi.
Quand je suis arrivée ici j’étais un peu perdue. Je ne savais pas quoi faire ou où aller mais comme le temps passait tu m’as fait sentir a l’aise.
Je te remercie por l’hospitalité et d’être patients avec mes fautes de français. J’ai beaucoup appris avec toi.  Merci beaucoup pour tout que tu as fait pour moi, por sa gentillesse, amour et soutien.
Je espère que tu ne m’oublie pas parce que je jamais t’oublierai. Maintenant tu ais partie de ma vie et de mon histoire.
Je espère que nous nous rencontrons bientôt. Tu me manqueras beaucoup! 

Je t’aime, 
Laís.

Ultimos momentos em Blois #1

13 de Julho de 2012
Chailles, Vineuil – França


“Meu último dia com minha famille d’accueil. Acordei e logo fomos almoçar.

Meu ultimo almoço com minha famille d’accueil

Ok, menos melancolia. 

Tá. O almoço foi ovos mexidos com batata frita e bacon. Delícia! Depois tomei banho, me arrumei e fomos para a casa do Antoine, em Vineuil, comemorar seu aniversário de 17 anos.

O aniversariante

O aniversariante


Todo o grupo estava lá, menos o James, na verdade. Jogamos uno e dançamos no xbox. Até que foi legal; mais um aniversário bem diferente dos brasileiros. 

Pelo que ouvi, o grupo estava marcando de assistir a uma queima de fogos de artificio em algum lugar, mas acho que eu e Romane não iremos. Sabe como é, né? Ela odeia todas essas coisas. 

Se continuarmos mesmo em casa, daqui a pouco é hora de fazer as malas. Parto amanhã, às 9h. 

—————

Algum tempo depois de ter escrito isso, Romane apareceu no quarto e disse o diário “à la table!” com um sorriso no rosto.

E la fui eu; era hora do jantar.

Último jantar com a minha famille d’accueil” – era tudo que eu conseguia pensar

Sobre a mesa, um prato redondo com divisões onde encontravam-se variadas frutas a serem degustadas. Do lado direito, uma travessa com pedaços de melão. À esquerda, fatias de jambon e… Quanto parnasianismo, Laís! 

charcuterie

charcuterie


Vou confessar que fiquei um pouco frustrada diante de todas aquelas frutas. Ok, eu sei que é saudável e tudo mais, mas nunca fui amante de fruta e todo mundo sabe disso.

Pensei que o jantar se resumiria àquilo e comecei a pensar nos deliciosos biscoitos de chocolate que tinha guardado em meu quarto. Seriam minha salvação! 

Felizmente, Marie-Paule levantou e dirigiu-se a cozinha. Quando voltou, trazia nas mãos uma tigela com saucisses aux lentilles, mesmo prato que ela havia preparado no meu sexto dia em Blois e eu havia comentado que tinha amado. Quanta gentileza, gente! Sinceramente, achei muito fofo de sua parte dar ouvidos ao meu comentário e preparar este prato em meu último dia.

Para a minha surpresa, não houve a fatigante rodada de queijos, que maioria das vezes eu ficava só olhando. Eu juro que até tentei dar uma oportunidade aos queijos nos primeiros dias, mas não rola, gente; eu não gosto mesmo! Depois fiquei pensando: será que ela me ouviu comentar que detestava? Porque… Por que outro motivo exatamente no meu último dia não teria queijo?”

Fiquei realmente emocionada nesse momento. Tive vontade de eternizá-lo.