I left my heart in Charlotte

January 23rd, 2012

Charlotte, NC – Washington D.C

O dia seria pequeno para tanto choro.

Não, nós não estávamos preparados para deixar Charlotte. Haviamos nos apegado muito ao lugar e às pessoas que ali moravam.

Mas tinha chegado a hora: tinhamos de partir de volta para a correria e agitação de D.C (que agora, com os action plans, se intensificaria).

Aquela segunda-feira seria diferente: não acordaríamos cedo e esperaríamos o yellow bus na esquina de casa antes mesmo do sol nascer, não iríamos à Olympic, não veriamos o sorriso de Lara acompanhado de um high five, não nos reuniriamos e conversaríamos até a hora do primeiro compromisso.

Na verdade, para aquela manhã não havia nenhuma atividade planejada, nenhum compromisso, nenhuma saída, exceto a mais dolorosa de todas: a saída de Charlotte. E para não voltar mais.

Ao acordar, encontrei esses bilhetes espalhados pela casa:

20120626-010023.jpg

Coisa de Valentina. Coisa de Valentina para tornar ainda mais forte o meu aperto no coração. Chorando, recolhi todos e quando a vi pela primeira vez naquela manhã, abracei-a da maneira mais forte que pude. Iria sentir saudades, isso era indubitável.

Ela me disse que deveria me arrumar rápido, pois iriamos reunir o grupo para um inesquecível-último café da manhã no Cracker Barrel Old Country Store, um restaurante característico do sul dos Estados Unidos localizado na Carolina do Sul.

Cada um deu o melhor de si para que a alegria característica do Charlotte Team continuasse a predominar, ainda que sobre o enorme clima de despedida que nos assolava. Apesar das tentativas, meus olhos vermelhos entregavam o que se passava por dentro:

Com Michelle, host sister da Clara (e Rafael photo bombing).

Voltamos para casa com Michelle no volante. Não pude conter as lágrimas ao ouvir “Someone Like You” no carro; essa era, definitivamente, uma das trilhas sonoras da nossa viagem. Ganhei um abraço de Valentina como consolo.

Em casa, subi para meu quarto para arrumar as últimas coisas.

Minutos depois, ouvi batidas na porta. Era Valentina. Perguntou se podia entrar, sentou-se em minha cama e estendeu o embrulho que trazia nas mãos.

Era um presente, um presente de minha host family para mim. Abri e encontrei um iPod com fones de ouvido na minha cor favorita: vermelho. Não tive palavras para agradecer e segundo Valentina, nem precisava. Ela logo se ofereceu para colocar musicas para que eu pudesse me distrair durante os próximos voos.

Quando terminei de arrumar minhas coisas, desci para a sala e Chris pediu para que tirássemos nossas últimas fotos em família:

essa foto é im-pa-gá-vel!

Trang, minha host mother, havia se despedido de mim no dia anterior, antes da festa do Dr. Igor, o que fez com que eu chegasse na festa com os olhos vermelhos de tanto que chorei. Quando eu acordasse no dia de minha partida, ela já teria saído de casa para trabalhar, então, optou por se despedir no dia anterior. Devido a isso, somente Valentina e Chris me levaram ao aeroporto. Antes de dar a partida no carro, tirei essa foto para que lembrasse para sempre da casinha que me abrigou durante 12 dias na cidade rainha:

meaningful

Em mais um ato de extrema gentileza, Chris resolveu dar uma passadinha no McDonalds antes de me deixar no aeroporto. Embora a família não curtisse muito, achei muito simpático da parte deles abrir mão da dieta saudável para me levar ao McDonalds algumas vezes durante a minha estadia em Charlotte depois de saberem que eu simplesmente amo muito tudo isso. Durante o lanche, lembro que comentei algo sobre o tamanho gigante dos copos americanos e Chris sugeriu que eu trouxesse um copo de refrigerante do McDonalds como souvenir, haha.

Tenho o caminho até o aeroporto gravado em minha mente como uma série de fotografias e agora, escrevendo esse post, é como se todas elas fossem reveladas. Vejo a esquina onde eu e Valentina muitas vezes quase congelamos enquanto esperávamos o yellow bus para ir à escola, vejo as árvores nas proximidades do aeroporto que me fizeram ter uma péssima primeira impressão sobre Charlotte (depois entendi que elas estavam com aspecto de maltratadas por conta do inverno), o céu azul ciano e aquele solzinho timido querendo sair, embora lá embaixo continuasse um frio do cão… Essas são as últimas lembranças que tenho de Charlotte.

Ao chegar ao aeroporto, Chris e Valentina me ajudaram a tirar as malas do carro (a minha mala maior estava com a roda quebrada e estava me dando muito trabalho) e me despedi de Chris ali mesmo, no estacionamento, já que eletinha de estar no trabalho em alguns minutos.

E deu-se inicio o choro.

Entrei no aeroporto com Valentina e lá dentro encontrei todos os integrantes do grupo. Duas coisas nos eram comuns: os olhos vermelhos e a dor da despedida. Me despedi de todas as familias e quando olhei para trás, me surpreendi ao ver Chris entrando no aeroporto. Perguntei-lhe se não deveria ir trabalhar e ele disse que não poderia, que queria estar presente até o meu último momento em Charlotte. Resultado: chorei mais ainda e antes de fazer o check-in e despachar minhas malas, entreguei-lhe uma pequena carta que tinha escrito à familia. Pedi para que só abrisse quando chegasse em casa. Depois que vim embora, esta carta foi emoldurada e hoje o quadro fica ao lado do computador principal da casa como um eterno pedacinho de mim ali com eles.

worst moment: time to say goodbye

O voo de volta à capital foi bem rápido. Ao chegar ao Ronald Reagan Washington National Airport, percebi que minha mala estava com o puxador quebrado. Tentei correr atrás do prejuízo e o que ouvi da responsável pela entrega das malas foi que ela não poderia fazer nada, pois a mala não estava inteiramente quebrada. Segundo ela, era SÓ o puxador. Já havia visto uma reportagem no Fantástico sobre isso, mas só quando aconteceu comigo eu passei a acreditar indubitavelmente no que diziam sobre o descaso e a falta de cuidado do staff de alguns (sem generalizações, por favor) aeroportos em relação às malas. Preferi esquecer o episódio.

Depois encontramos o grupo de Tulsa e fomos juntos até o 4H. O grupo de Cleveland havia chegado mais cedo e fomos recepcionados por eles.

Aos poucos, os outros grupos foram chegando. Muitos abraços depois, traçamos algumas pizzas e fomos dormir após o anúncio de que visitaríamos a Embaixada Brasileira em Washington D.C. no dia seguinte.

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite

January 21st, 2012

Charlotte, NC 

Na manhã de sábado, após um pedido no drive thru do McDonalds, minha familia foi à casa de Erin buscar Késia para ir ao shopping conosco.

Comprei jogos de video game para meus irmãos e um tenis para minha mãe.

Terminadas as compras, seguimos para a (linda) casa de Hank, meu host-grandpa, para um almoço.

Meu avô era um exímio cozinheiro, diga-se de passagem. O prato de entrada foi salada e o principal, macarrão com molho branco. Uma delícia, como sempre! Durante o jantar, conversamos sobre o passado e as viagens de Hank pelo mundo. Também conversamos sobre alguns costumes vietnamitas e a paixão do meu avô pela cultura asiática, o que só serviu para tornar o momento ainda mais agradável. Após o jantar, tiramos uma das fotos que mais gosto dentre todas as fotos da minha viagem:

Família reunida :’)

Saímos correndo para o carro, já que tinhamos combinado de fazer uma festa surpresa para Igor pelo fato do mesmo ter sido aceito na faculdade de medicina. Corremos, corremos, corremos, mas infelizmente não conseguimos chegar a tempo. Quando chegamos, a surpresa já tinha sido revelada, então, só nos restou aproveitar a festa, que contou com muita musica brasileira:

O melhor dessa foto é a cara dos meninos observando as meninas dançar.

Estavamos um tanto quanto “felizinhos”, eu diria.

Ok, muito “felizinhos”…

Extravasamos, metemos o pé na jaca, soltamos a franga, chutamos o pau da barraca mesmo, afinal, em Charlotte era ou não era party everyday? Tinhamos que fazer jus ao nosso lema!

Falling down

January 20th, 2012

Huntersville, NC – Fort Mills, SC – Pineville, NC – Charlotte, NC

Nosso último dia de atividades planejadas em Chacha 😦

I LOVE this pic

Depois de uma avaliação final do programa com a Lara (que contou com muitos chorinhos, agradecimentos, e “vou sentir saudades”), seguimos para o Carolina Raptor Place, uma organização sem fins lucrativos localizada em Huntersville (12 milhas ao note de Charlotte).

O local é dedicado à gestão ambiental e à conservação das aves. Além disso, lá também são realizadas pesquisas e trabalhos de reeducação e reabilitação de aves feridas e órfãs.

American Eagle, AAAAAAAAAAAH *-*

what an amazing place!

hey you cutie!

Depois do Carolina Raptor Place, fomos ao Plaza Fiesta Carolinas, um shopping que não tem cara de shopping, mas sim de vilarejo latino, em Fort Mills, South Carolina.

Havia várias lojas de vestimentas tipicamente mexicanas e vendedores que falavam espanhol, mas havia também lojas de outros tipos e superpromoções. Lembro-me de que numa loja de material esportivo, Rafael comprou um casaco da Puma por $30. Também vi variadas camisas de times nessa mesma loja, dentre elas, a da seleção brasileira por $70. O ego e o patriotismo disseram “COMPRA!”, mas o superego falou mais alto: só havia tamanho GG e a mesma camisa custa mais ou menos o mesmo preço no Brasil. Não valia a pena. Aproveitamos para olhar outras lojas e “almoçar” (= várias pizzas).

Atrás do shopping fica o Carowinds, um parque de diversão de 161 hectares que cobre área de ambos os estados da Carolina do Norte e Carolina do Sul. Essas roller coasters me deixaram fascinadas. É uma pena que o parque não abra durante o período de inverno 😦

Nosso ultimo dia de atividades terminou cedo. Mais ou menos às 16h já estávamos de volta a Olympic, onde nossos pais nos buscaram.

As atividades tinham acabado, mas as aventuras estavam só começando. Alguém aí se lembra da Terri, aquela garota que eu conheci na Providence Day? Alguém lembra que eu me antecipei dizendo que ela me convidou para a pior experiência de minha vida até então? Pois bem, vou acabar com o mistério: Terri convidou todo o Charlotte Team para patinar no gelo.

Sim, patinar no gelo. Confesso que na hora fiquei animada com a idéia, afinal, nunca havia feito isso antes e não poderia ser tão dificil assim. Como estava em um lugar novo, quis aproveitar ao máximo a oportunidade para experimentar coisas novas.

Combinamos, então, às 19h na Pineville Ice House.

Cheguei lá com Valentina, pegamos nossos patins e fomos para a pista de patinação. Maldita hora, mal-di-ta hora. Eu não conseguia dar um passo sequer sem que estivesse me segurando em algo ou alguém.

Quando olhei para a pista, lá estava Terri, linda e maravilhosa patinando, correndo, fazendo círculos e dando pulinhos. Ela era patinadora profissional. Isso mesmo: pro-fis-sio-nal, participante (e medalhista) de muitas competições, enquanto eu, apenas uma pobre marinheira de primeira viagem.

This is Terri

Nunca tinha patinado na minha vida, nem em solo firme, cimento, vá lá no gelo! Convenhamos: esse não é o melhor jeito de aprender. É como dar uma enciclopédia a um analfabeto.

Resultado: caí a primeira vez (de bunda), caí a segunda (a menina que estava a minha frente, que também estava aprendendo a patinar, caiu e eu caí por cima dela) e caí a terceira vez. Essa foi a pior queda e a derradeira: caí de costas. Me arrastei até a saída mais próxima, tirei os patins e os devolvi. Fiquei do lado de fora, em terra firme e com os meus sapatos, observando os demais que ainda se aventuravam naquele antro. ODIEI, falo mesmo, com todas as letras! Foi a pior experiência da minha estadia em Charlotte, para não dizer de toda a minha vida. Nunca mais farei de novo, traumatizei mesmo!

O grupo e minha cara de quem não quer mais brincar. Todos de patins e eu, sem.

Antes de voltar para casa, fizemos um lanche no McDonalds. Meu primeiro em Charlotte, já que minha família não era muito chegada:

Quando saímos, estava chovendo muito. No final da noite, fui com Valentina e minha mãe comprar burritos para o jantar (:

Sparks

January 19th, 2012

Charlotte, North Carolina

Depois daquele bom papo matinal na Olympic, seguimos para a Crisis Assistence Ministry, uma organização cuja missão é oferecer assistência e apoio aos habitantes de baixa renda do Condado de Mecklenburg. Além disso, lá também são oferecidos planos de financiamento de imóveis simples, visando o bem estar e a estabilidade das famílias que lutam para garantir sustento básico.

grande iniciativa!

E não pára por aí! Há também o “Furniture Bank”, que é um recuso criado para ajudar as famílias mais necessitadas a montar casas fornecendo a mobília. Maravilhoso, não? Funciona da seguinte forma: varejistas, famílias, organizações comunitárias e empresas doam móveis novos ou pouco usados, os funcionários do local inspecionam as doações para que nada ruim seja proporcionado a alguém, depois é feita uma pesquisa na área sobre as famílias que mais precisam desses itens e eles são convidados a ir à Crisis e fazer suas compras como lhes convir, sem custo algum.

Alem da parte de móveis, há também a “Free Store”, que é destinada a roupas e funciona da mesma forma. E foi lá que trabalhamos voluntariamente naquela manhã. Ajudamos a separar as caixas de roupas doadas que haviam chegado.

Mas quem acha que nos surpreendemos com a quantidade de caixas que havia se engana. Surpresa mesmo foi o conteúdo delas: roupas de frio doadas pela marca Calvin Klein. Novíssimas, com etiqueta, na embalagem e uma mais bonita que a outra.

Tudo que tinhamos a fazer era tirar as etiquetas das peças (para que na hora do Free Shop as pessoas não se guiassem pelo valor das peças – tenho de dizer que vi umas de mais de $300 dólares) e colocar nos cabides conforme os tamanhos (S, M, L, XL). No início deu uma vontadezinha de trazer um pra casa, mas depois logo pensei nas várias pessoas que passam frio nas ruas de Charlotte. Elas sim precisavam das roupas!

Naquele dia a temperatura tinha baixado bastante. Se bem me recordo, estava marcando -3°C e começamos a sentir o efeito disso com delicados choques. Sim, CHOQUES! Quando encostávamos uns nos outros, sentíamos choques. Para quem não sabe, isso é bem comum nos meses de inverno em países muito frios (isso quer dizer que você nunca vai sentir coisa do tipo aqui no Brasil) por causa da eletricidade estática que adquirimos diariamente. No inverno, muita gente usa roupas de lã sintética, material que mantém a carga elétrica. Se a pessoa está descalça, essa corrente é liberada aos poucos e não chega a ser percebida. Porém, se a pessoa está com um calçado com solado de borracha, que serve como isolante, ela acumula maior carga. Nesse caso, um simples aperto de mão em outra que não tem a mesma carga estática podem fazer com que ambas sintam um leve choque, já que o excedente de carga em uma das pessoas se distribui, passando parcialmente para a outra.

PS: eu estava usando casaco de lã E botas com solado de borracha, como se não fosse bastante.

Nunca foi tão legal levar choques, te juro! Nos divertimos a beça com a situação e quando demos conta, já tinhamos acabado com todas as caixas! Recebemos os parabéns do funcionário da organização, que fez questão de exaltar o nosso feito e agradeceu imensamente.

It’s always better when we are together

Fomos almoçar no Pike’s Old Fashioned Soda Shop, onde foi gravado o filme “O Amor é Cego”.

Lá são servidos uns pratões gigaaaantes (e deliciosos)! Eu pedi um sanduíche simples, o que não sabia era que ele era dividido em 4 enormes partes e, como se não bastasse, ainda vinha acompanhado de batata frita. Doggy bag, por favooor!

Clara e Thalles imitando a cena do filme

Eu, Késia e Jorge trollados pela porção para 1 pessoa que na verdade dava para pelo menos 4 comerem.

Depois do almoço fomos levados ao Levine Children’s Hospital, um hospital pediátrico que cuida de crianças desde o nascimento até a fase adulta e oferece mais de 30 serviços especializados, o que faz com que seja reconhecido como o melhor da região.

Quem me conhece bem sabe que eu sempre quis ser médica e trabalhar com crianças, então, foi impossível segurar a emoção durante a visita. Assim que entrei naquele lugar, soube que era lá que eu queria trabalhar por pelo menos um dia de minha vida.

Pela fachada do prédio já podemos constatar que não se trata de um hospital comum. É impressionante como tudo lá foi projetado pensando no bem estar das crianças. O ambiente tem como objetivo capturar a atenção da criança, estimular sua imaginação, e – finalmente – promover uma pensamento positivo quanto a cura. A decoração é diferente, o cheiro é diferente… Nada ali lembra um hospital. Isso evita as reações comuns às crianças na hora de entrar num hospital: choro e a tristeza fruto da recordação da doença.

entrada do hospital

Além disso, os 234 quartos disponíveis para a internação de crianças que necessitam de maiores cuidados são amplos e possibilitam a estadia do responsável junto ao seu filho. Há também a constante visita de atrações infantis para fazer shows, divertir e entreter as crianças. Todas as crianças que vi pareciam estar felizes; lá dentro elas realmentes esqueciam que estavam doentes e isso fez aparecer em meu rosto um sorriso em meio a todas as lágrimas que caíam. A propósito, eu era a única pessoa chorosa por lá.

Se eu tivesse que fazer uma lista dos cinco melhores momentos da minha visita a Charlotte, este, com certeza, seria o número um.

Depois fomos a International House e recebemos um publico enorme para assistir nossa apresentação sobre o Brasil. Falamos de muitos aspectos da cultura brasileira, ensinamos samba e algumas palavras básicas em português e ainda fizemos uma apresentação de maculelê. No final, a Valentina falou um pouco sobre sua experiência no Brasil e depois abrimos para perguntas, que foram todas muito inteligentes e respeitosas.

ajustes finais (e minha irmã assustada com a bagunça que estávamos fazendo)

ensaiando…

yep

i just loved that plaque with my name and a brazilian flag!

ao final, na parte de perguntas e respostas

finally done!

Quando terminamos, muitas pessoas vieram falar com a gente em particular. Recebemos muitas felicitações do público e alguns até disseram que ficaram com vontade de visitar o país, o que fez com que nos sentíssemos orgulhosos da apresentação. Algumas dessas pessoas também agradeceram por proporcionarmos uma “expansão de horizontes”, já que muito pouco se sabe sobre o Brasil no exterior. Foi bem legal e tudo correu muito bem, até melhor do que imaginávamos! Todo o trabalho e preparação meses antes da viagem valeu a pena!

Seguimos para a casa da nossa líder, Anna, para uma Salsa Party. Delícia! Essa festa serviria também como uma festa de despedida antecipada (o que não é tão delícia assim). Jantamos, dançamos, contamos muitas piadas podres e recebemos nossos diplomas :’)

yummy

we were so happy and proud!

forever! no matter how far from each other we are now, we will always be the greatest Charlotte team ever!

Another Perspective

January, 18th 2012

Charlotte, North Carolina 

Aquele dia ia ser diferente, sabíamos.

Estávamos em Charlotte há uma semana e alguns dias. Já tinhamos tido tempo suficiente para nos acostumar com a dinâmica da Olympic High School. Brasileiros são assim, se adaptam facilmente às mais variadas situações. Chato, né?

Lá havia uma verdadeira miscelânea de pessoas; a definição de “melting pot” estava ali. Naquela escola, todas aquelas pessoas heterogêneas entre si conseguiam compor um conjunto inteiramente homogêneo. Parece complexo e paradoxal, mas é mais simples do que você pode imaginar. No entanto, só a vivência pode elucidar. Esse conflito de opostos me lembra um fragmento de Heráclito que diz: “O contrário é convergente; e do divergente, a mais bela harmonia”. Era exatamente isso.

Pois bem, voltando ao assunto inicial do post, naquele dia teríamos a oportunidade de passar um dia inteiro numa escola bem diferente da Olympic, a Providence Day. A primeira diferença óbvia era o status da escola: a Olympic é pública, enquanto a Providence é particular. Esse simples (ok, não tão simples assim) fato desencadeia uma série de outras diferenças, dentre elas, a estrutura da escola e o “naipe” dos alunos, se é que você me entende. Só estuda lá quem tem muita (muita mesmo) grana.

No caminho da escola, passamos por essa escultura de ferro que se chama Metalmorphosis. O mais legal é que ela se mexe!

Dito isso, você pode imaginar que toda aquela homogeneidade da Olympic não foi observada por mim enquanto estive lá. Juro que senti falta daquela hospitalidade, mas eu estava apenas chegando e não queria fechar minha mente. Estava ali para experimentar algo novo, então, que venha!

Fomos recebidos pela diretora, que nos guiou por todas as partes da escola para que pudéssemos melhor conhecê-la. Ficamos todos encantados com a quantidade de recursos que o local oferecia aos alunos.

Após uma conversa com os docentes, tivemos a oportunidade de escolher três aulas para assistir. Eu escolhi geografia, francês e biologia.

A aula de geografia que assisti foi numa turma de 8ª série. Os alunos estavam desenvolvendo um jogo didático que visava a fixação do conteúdo que estavam aprendendo no momento, os tipos de solo (fértil, infértil, o que acontecia com um solo afetado por agrotóxicos, etc). “Um pouco atrasados em comparação ao Brasil” – pensei. No final da aula, o professor justificou esse “atraso”: Eles só começam a ter aulas de geografia a partir da oitava série, o que significava que aquele era apenas o primeiro ano de ensino da matéria. Segundo o professor, os americanos não tem uma ampla visão de mundo. Se você pedir que eles apontem o Brasil num mapa mundi, certamente eles não terão nem noção do hemisfério no qual o país se localiza (e olha que o Brasil não é nem um pouco pequeno!) Disse-lhe que aqui nós temos aulas de geografia desde o primário e isso o surpreendeu de uma forma positiva. Outro ponto que ele ressaltou foi o lado ruim da globalização: os alunos tem acesso a informações de maneira extremamente fácil, sem precisar buscá-las visando a expansão de seus conhecimentos. Como prova disso, ele chamou um aluno que estava próximo e pediu-lhe que me mostrasse um aplicativo em seu celular que respondia qualquer pergunta que fosse feita oralmente em questão de segundos. Incrível, nem o trabalho de digitar a pergunta você tinha! Curiosa que só a peste, eu quis testar a verossimilhança da inovação e pedi para que o aluno perguntasse ao aplicativo (nossa, que estranho!) quem era a presidente do Brasil. Em menos de 10 segundos veio a resposta certa. Como pode? Seria um oráculo portátil?

No final da aula, o professor mandou uma gafe colossal, que eu não esperaria ouvir de ninguém, muito menos de um professor de geografia. Quando eu disse que morava no Rio de Janeiro ele emendou: “ah, lá naquela cidade onde tem a estátua da Virgem Maria, né?”

ESTÁTUA DA VIRGEM MARIA, meu caro, VIRGEM MARIA!

E eu ainda me dei o trabalho de responder. Que gafe, meu! Prefiro acreditar que ele tenha confundido a estátua do Cristo Redentor com a da Virgem Maria que existe no Chile, afinal, existe apenas uma pequeeeeeena diferença entre as duas, né? Totalmente perdoável!

Qualquer semelhança é mera coincidência.

Fomos convidados a nos apresentar aos alunos da escola no auditório. Gente, eu não sou muito tímida, mas confesso que tremi quando subi ao palco e vi aquela quantidade de gente lá embaixo olhando pra mim:

Hi, my name is Laís and I’m a diva

Depois disso, fizemos uma apresentação sobre o Brasil para alunos do ensino médio. Apesar de eles terem se comportado de maneira completamente apática, seguimos. O resultado não foi de acordo com as nossas expectativas, já que contávamos com a participação e colaboração dos alunos e também por causa do nervosismo típico da primeira vez que nos bateu.

Após a apresentação, almoçamos com alguns alunos da escola e aproveitamos para conversar com eles. Conhecemos a Terri, pessoa que depois me convidou para uma das piores coisas que eu já fiz em toda a minha vida, mas isso aí já são cenas do próximo capitulo…

As meninas que ficaram apaixonadas pelos olhos do Igor

Todo mundo de barriga cheia? Então dá-lhe aula!

Escolhi a aula de francês e foi maravilhosa! Jorge e Rafael resolveram se render aos biquinhos do idioma e encarar essa junto comigo. O professor já tinha morado na França por um bom tempo e os alunos eram super bem treinados. Fizemos uma aula só de conversação, na qual pudemos conhecer mais de cada aluno e falar sobre o Brasil também. Adorei! Lembro que o Rafael teve um ataque de risos ao saber que um dos alunos de chamava Reymond. Pois é, ele pensou na tradução “Raimundo”, começou a rir loucamente na frente do menino e como ele não falava francês, sobrou pra mim justificar o motivo das gargalhadas.

Depois foi a vez da aula de biologia, que TODO o Charlotte Team assistiu. Não sei se já comentei antes, mas quase todos os integrantes do grupo queriam ser médicos (com exceção de Daniel e Ítalo). Biologia definitivamente era a nossa praia! Adoramos também, ainda mais porque a sala era super interativa. Havia um laboratório numa sala anexa à sala de aula.

com nosso amigo esqueleto

Para finalizar o dia na Providence, fomos a um dos clubes da escola para um gathering com os alunos. Lá jogamos ping pong, comemos pipoca, conversamos, fizemos amigos e pagamos mico.

Sim, pagamos mico, é claro! A Clara mandou um “what the hell?” no meio de um grupo de meninos e todos começaram a rir em uníssono. Acho que é um tanto quanto feio usar essa expressão, mas só descobri isso naquele dia.

Viemos embora, mas dessa vez não nos dispersamos na Olympic como costumávamos fazer. Naquele dia, Jorge passou a noite com minha família. Resolvemos, então, ir ao Walmart já que o Jorge queria comprar algumas lembrancinhas para seus parentes (ah, as malditas lembrancinhas…). Quem estava dirigindo era a Valentina, e como dirige bem a bichinha! By the way, quando chegamos na loja, meu pai me presenteou com uma calça, Jorge comprou uma caneca para seu avô e compramos também um pouco de feijão (enlatado, argh) para fazermos um jantar brazuca mais tarde.

Como ele ainda queria comprar algo para a sua avô, fomos a Marshalls. Só quando cheguei lá foi que descobri o local de trabalho de minha mãe. É, eu realmente levei a sério aquela história da orientação em São Paulo de que nós não deveríamos perguntar o que nossos host parents faziam da vida. Uma semana e alguns dias depois da minha chegada em sua casa é que eu fui descobrir por acaso a profissão de minha mãe, que era vendedora.

A Marshalls é uma loja super cool. Lá vende-se umas roupinhas super legais e eu fiquei apaixonada por certas que vi. Minha mãe me deu uma blusa maravilhosa que eu amo e uso muito aqui no Brasil. Percebeu que eu já poderia compor um look completo com todas as peças de roupas que eles haviam me dado de presente? Calça, camisa e bota… E tô pronta para sair!

Voltamos para casa e fizemos nosso jantar. Lá em casa tinha uma máquina de fazer arroz, acredita? Resolvi uilizá-la e deu razoavelmente certo (desconsiderando o fato de que o arroz ficou grudado). Quanto ao feijão, segundo o que dizia no verso da lata, só precisávamos tirá-lo de lá de dentro, colocar em uma panela, completar com água e mandar pra dentro. Eu pensei que ia ficar horrível, mas por incrível que pareça, depois de um pouquinho de sal ficou ÓTIMO! Cá pra nós, aquilo deveria estar uma bosta, mas eu devo ter achado o contrário porque não comia feijão há muito tempo. Mas sério, te juro que ficou óoootemo o meu feijão sem tempero nenhum. A Valentina, que adora comida brasileira, adorou o prato especial da chef Laís (especialidade da casa, cofcof), bem como o Jorge. Eu achei que ele, que conhece bem o prato, fosse me crucificar pelo crime que eu cometi, mas quem não tem cão caça com gato, não é? Quem não tem feijão bonitinho no saquinho e todos os condimentos maravilhosos que nós temos aqui para incrementar a comida, faz com água e sal mesmo e olha que fica uma delícia!

Meu pai não quis comer, pois disse que feijão preto lhe dava indisposição. Hunf, não sabe o que perdeu…

Quando o Jorge foi embora, eu e Valentina subimos para o meu quarto e ficamos tricotando sobre nossas doenças.

Sofríamos de paixonite platônica aguda, coisa de meninas…

Speed and movement!

January 17th, 2012
Charlotte, North Carolina

Depois do pior almoço de nossas vidas, seguimos para o NASCAR Hall of Fame, local construído em homenagem dos pilotos que têm demonstrado enorme habilidade na condução de NASCARs ao longo dos anos. As corridas de NASCAR só perdem para a Liga Nacional de Futebol no quesito audiência televisiva, o que comprova a popularidade do esporte no país. Apesar de ser transmitido em mais de 150 países e de haver competidores brasileiros, a modalidade não é comum por aqui. Diz-se por aí que o NASCAR tem 75 milhões de fãs pelo mundo inteiro e que estes compram mais de 3 bilhões de dólares em produtos licenciados anualmente. Wow!

luv the flags behind me!

A equipe do Caldeirão acompanhou a nossa visita ao local e registrou tudo! Ainda bem que eles ainda não tinham chegado na hora do almoço, porque… né?!

Enfim, para nossa surpresa, fomos recebidos por ninguém mais, ninguém menos que o brasileiro Nelsinho Piquet, filho do três vezes campeão do torneio mundial de Fórmula 1 Nelson Piquet. Atualmente, Nelsinho compete na Camping World Truck Series (corrida daqueles caminhões que parecem uma pickup – perdoem a minha falta de técnica tipicamente feminina) e também na Nationwide Series (stock car). Ele, muito simpático, nos guiou por todo o Hall of Fame enquanto contava um pouco da história das corridas, dos carros e respondia nossas perguntas curiosas. Perguntamos coisas básicas sobre a carreira dele, como o momento mais difícil, o mais memorável, se ele tem alguma outra inspiração além do pai, se ele pretende voltar ao Brasil e tal.

Assistimos um vídeo sobre a história do NASCAR num cineminha que tem lá dentro e depois os meninos participaram de uma simulação de pit stop. Fizeram tudo em 13 segundos, tempo que pode não parecer nada em situações cotidianas, porém, que eliminaria um corredor da competição. Você já viu como funciona um pit stop? O cara pára ali, um “ban’digente” vem pra cima do carro e em 4 segundos ele sai em disparada para retomar sua posição na corrida. Como pode trocar pneu, reabastecer, fazer manutençao etc em quatro segundos? Ainda acho que todo mundo ali deve ser asiático…

Minha foto com o Nelsinho

SEUS LINDOS!

Também participamos de uma simulação de corrida muito legal. Fui a antipenúltima, aeee \o/

Depois do NASCAR, seguindo a linha dos esportes, fomos ao Bank of America Stadium. Lá é a casa do Carolina Panthers, time local de futebol americano que disputa a NFL (National Football League). Apesar de ser um time relativamente novo, em 2004 o Carolina Panthers chegou ao Superbow, aquele jogo final que decide o campeão da NFL, sabe qual é? (#carioquice) A equipe infelizmente perdeu para o New England Patriots (time da graaaaande Boston) por 32 a 29. Que dó!

Fomos guiados por um dos diretores do clube por todas as salas privativas, halls, corredores e visitamos até os camarotes vip, que, cá pra nós, têm uma vista pra lá de prestigiada de todo o estádio. Pena que só são acessíveis às elites Charlotteans, haha:

A vista que temos do camarote com o prédio ralador de queijo que eu amo ao fundo.

NFL, baby!

Foto do grupo fazendo o gesto que os jogadores fazem quando marcam ponto. Como a temporada de jogos ainda não havia começado e o gramado ainda estava passando por processo de renovação, não fomos autorizados a entrar.

Depois o diretor nos levou a um lugar super restrito, top secret mesmo, que ninguém tem acesso em condições normais. Como se tratava dos Jovens Embaixadores, essa situação poderia ser tudo, menos normal. Então, nossa entrada foi autorizada no vestiário e pudemos ver o lugar destinado a cada jogador, bem como as coisas que eles guardavam lá, esquemas de jogo, materiais, etc:

ameeeeei!

E assim terminou nossa visita ao estádio. Ah, também ganhamos uns copos (copões! Quase nenhum copo nos EUA é pequeno) oficiais de brinde. Eu ganhei dois que dei de presente aos meus irmãos quando retornei ao Brasil.

Depois tivemos que voltar a van do Omar e antes disso, decidimos no “zerinho ou um” quem seria o primeiro a entrar, já que no dia anterior tivemos uma experiência nada agradável no sentido olfático, se é que você me entende. HAHA. Dispensei o “zerinho ou um” e valendo-me de minha enorme coragem e bravura, entrei. Cinco segundos depois, dei o sinal verde para que a galera entrasse, pois estava tudo bem. Ainda bem! Como o Omar ousava dispersar “o aroma de pinho, sal e maresia que só as Carolinas têm”, como bem disse Nicholas Sparks? Quanta audácia!

Enfim, enquanto voltávamos a Olympic, combinamos de fazer uma festinha na casa da Clara. Em Charlotte era realmente party everyday! No estacionamento, encontrei Valentina e meu pai, que dirigia o carro. Avisei-os dos planos para a noite daquele dia e perguntei se Valentina queria vir conosco. Ela aceitou na mesma hora, diferente do Igor. Gente, eu tive que pelejar para que ele viesse, pois ele estava com vergonha de pedir ao seu host father para buscá-lo um pouquinho mais tarde na casa da Clara. Quanta mineirice! Fui com Valentina até a janela de seu carro e falamos com o pai dele, que aceitou imediatamente.

Clara e Michelle, sua host sister, moravam exatamente atrás da Olympic, então não demoramos mais de 5 minutos para chegar lá com Michelle no volante. Ela só tinha 17 anos e já podia dirigir, já que a idade mínima para conduzir um veículo nos EUA é 16 anos. Eu achava isso o máximo! Já pensou se o mesmo se aplicasse ao Brasil?

Enfim, quando chegamos lá, pedimos pizza e guaraná e passamos a noite dançando no Wii. Esse definitivamente era um dos nossos hobbies:

party rocking!

Charlotte Team + host siblings (missing Daniel, Italo and Kesia)

Quem tem Facebook pode ver um vídeo aqui: http://www.facebook.com/photo.php?v=3889689168575&set=t.100001309039540&type=3&theater

Dançamos, comemos, falamos com os familiares do Rafa pelo skype e ainda tivemos tempo de ensinar algumas palavrinhas em português para os host siblings. Estava tudo correndo muito bem até que eles resolveram ligar os iPads e procurar traduções de bad words. O momento gafe foi quando eles acharam Dilma como tradução para “bitch” e começaram a falar “you’re a Dilma!” pro vento, achando que estavam xingando. hahahaha, não pude deixar de rir!

Estávamos nos divertindo tanto

que nem parecia que teríamos diversas apresentações

sobre o Brasil nos dias seguintes…

Broadening

January 17th, 2012
Charlotte, North Carolina

Começamos o dia com um bate papo com Lara na Olympic. Nossa segunda e última semana em Charlotte havia acabado de começar e ela, atenciosa como sempre, queria saber como estavamos nos sentindo até então. O fato é que não queríamos nem pensar que estaríamos deixando a Queen City na próxima segunda e voltaríamos a Washington D.C. Estávamos amando o requinte de Charlotte e aquele gostinho de vida real que tinhamos lá. Ok, vida quase real.

Aproveitamos para “fazer uma horinha” antes do horário marcado para nossa primeira atividade do dia, que seria muito emocionante, por sinal. Tiramos algumas fotos em frente a Olympic…

Na frente de uma das unidades da Olympic, a School of International Studies and Global Economics.

I just love this pic.

E depois passamos no Amelie’s French Bakery para tomar um café da manhã no estilo francês…

O Igor nunca ficava parado na hora de tirar fotos, mas consegui clicá-lo em frente a essa imagem da Torre Eiffel que estampava uma das paredes da Amelie’s.

Hora do lancheee!

Pedi algo que não me lembro mais para comer, um copo de chocolate quente e nos sentamos para tomar café todos juntos. Lara aproveitou que nenhum host brother estava presente naquele dia e iniciou um papo mais aberto sobre as nossas homestays. Ela queria saber como estávamos nos sentindo em relação a vivência com a família, como estavam sendo o nosso dia-a-dia, como havia sido o primeiro final de semana e se tinhamos algum highlight a apontar ou algo que estava deixando a desejar. Quando chegou a minha vez de falar, exaltei o fato de estar experimentando não só a cultura americana, mas também a asiática, já que a minha host mother era vietnamita. Quando estávamos todos juntos em família, sempre comentávamos aspectos das culturas asiática, sul e norte americanas tentando estabelecer relações entre tais. Por mais que comparássemos (sim, comparações são inevitáveis), nunca tendíamos a supervalorizar uma e desvalorizar outra, tampouco julgar uma como “a melhor”. Isso era realmente muito legal e importante pra mim que estava vivendo um momento de descobertas.

Depois entramos na van do Omar (ah, a van do Omar…Ainda farei um post dedicado a ela) e seguimos para a galeria do Edwin Gil, um artista contemporâneo colombiano que atualmente mora em Charlotte. A partir de sua linda história de vida e superação, ele conduziu um diálogo sobre o que é esperança e união.

Nossa primeira atividade foi com Ana Lucia Divins, uma conterrânea de Edwin que o acompanhou em sua vinda para os Estados Unidos. Ana, que além de artista plástica também é cantora e compositora, nos propôs duas atividades musicais: na primeira, ainda sentados e de olhos fechados, começaríamos a ouvir uma musica. Quando começássemos a senti-la, deveríamos levantar e dançar sem inibições, já que ninguém estava olhando.

Não deveríamos abrir os olhos, mas a verdade é que todo mundo dá aquela espiadinha, né? Num desses meus momentos, percebi que ninguém ainda tinha se levantado então, me levantei e comecei a dançar. Talvez o que estivesse faltando era alguém para dar o primeiro passo.

E eu estava certíssima! Pouco a pouco todos começaram a soltar a franga.

No final da atividade, Ana nos perguntou como estávamos nos sentindo e eu fiz questão de dizer que me sentia melhor, mais desinibida, relaxada e não me sentia estúpida por estar dançando. Aliás, é melhor fazer isso quando não tem ninguém olhando. Parecia também que eu tinha me familiarizado com o local; a atividade tinha servido como um icebreaker. Anna ficou super feliz com minhas observações e nos conduziu a próxima atividade: deveríamos expressar nossos sentimentos através da música. Qualquer coisa valia: cantar, batucar, compor um mantra… Sei lá!

Fomos divididos em grupos, escolhemos alguns instrumentos e começamos a planejar o que iríamos fazer…

Resolvemos tocar e cantar uma musica que compomos sobre o Brasil. Depois tivemos que apresentá-la aos demais grupos.

Foi um sucesso! Na última atividade, agora com Edwin, deveríamos escolher três cores a partir de seu significado e pintar uma tela…

… com os dedos!

No final, Edwin nos levou de volta ao ImaginOn, onde está exposto um dos seus maiores trabalhos, “Flag of Hope”, uma enorme bandeira composta por handprints de muitos habitantes do estado da Carolina do Norte. Nos meses de março e abril de 2011, Gil viajou as cidades de Asheville, Charlotte, Durham, Greensboro, Greenville, Marion, Raleigh, Spruce Pine e Tabor City coletando mais de 10 mil impressões de palma, além de assinaturas. Estas representam a esperança dos que participaram na “confecção” da obra.

As cores refletem o azul do céu, o alaranjado do sol e o verde da terra

Depois fomos almoçar. Lara disse que nos levaria a um dos melhores restaurantes de Charlotte (grava bem isso). Beleza, fomos a um restaurante que ficava no térreo de um hotel ryqueza. Chegamos lá e para a nossa surpresa, TINHA ARROZ E FEIJÃO!

Ahhhh, meu Deus, que “bença”! Fazia uns dez dias que eu não sentia nem o cheiro desse prato dos deuses!

Era uma miragem

Miragem não, parecia mais um oásis no deserto.

Sei lá, só sei que demorou para que eu entendesse que tinha arroz e feijão ali na minha frente. E como se não tivesse bom, ainda tinha um franguinho pra completar! O que mais eu poderia querer?

Sem pensar duas vezes, não só eu, mas todo o Charlotte Team entrou na fila e fez aquele pratão de mendigo com fome de 4 (não, talvez 10) dias. Fomos para a mesa, sentamos, pegamos o garfo e… Nossa, quanto parnasianismo!

Enfm, quando colocamos a primeira porção de comida na boca, guess what: ERA DOCE.

DOCE! Arroz doce, feijão doce e frango doce!

Eu ainda tentei disfarçar, mas nossas caras condenam

continua…