No trem

14 de Julho de 2012
10h14

No trem de volta à Paris

Acordei cedo, tomei banho, café e terminei de arrumar as últimas coisas. Até aqui, tudo normal. 

A não ser por dentro.
Eu estava despedaçando por dentro.

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última foto do grupo com seus correspondentes franceses

Entramos no carro e, novamente, não trocamos muitas palavras até chegar à estação de Blois. Tudo que se ouviu ao longo da viagem foram básicos comentários sobre o tempo e sobre o dia 14 de julho.

Quando chegamos a estação, maior parte do grupo ja estava lá. Na verdade, acredito que eu tenha sido a última a chegar, já que saimos de casa às 9h, horário que deveriamos estar chegando à estação.

momento de agradecimento às famílias

abraço coletivo

Durante todo o caminho, tive em mãos a carta que havia escrito para Romane e Marie Paule na noite anterior, bem como os presentinhos que trouxe do Rio para eles.

Tiramos algumas fotos de grupo e com as familias na porta da estação até que Mme. Pletier apareceu dizendo que era hora de começarmos a dizer adeus à nossas famílias. 

NON! JE NE VEUX PAS PARTIR!

NON! JE NE VEUX PAS PARTIR!

Imediatamente abracei Romane e ficamos assim por um bom tempo. Depois ela me chamou para tirar algumas fotos juntas e me despedi do resto do grupo. 

eu e Romane

eu e Romane

Entreguei a carta e os presentes e passei o portão. Paa minha surpresa, Romane me acompanhou até a plataforma, levando minha mala. 
Foi muito difícil dizer adeus. Não pensei que fosse chorar, muito menos que Romane fosse, mas a verdade é que eu estava me segurando e nao pude mais conter as lágrimas ao olhar pela janela e vê-la chorando. 

Pela janela, disse que sentiria saudades e acenei em despedida. Vou guardar a ultima imagem que tenho dela: às 9h58, na Gare de Blois, enquanto o trem acelerava. 

vou sentir saudade

foto que tirei da janela do trem. Nela, Alexis, Audrey, Candice, Antoine, Tracy, Toinon, Romane e Bérénice, todos “irmãos” de algum participante

Agora estou aqui, na segunda classe (que é muito confortável, tá?) de um trem rumo à Paris, com um nova-iorquino ao meu lado e Adele nos ouvidos. Someone Like You,  essa é a musica que está tocando. Esta é, definitivamente, a trilha sonora de todos os tristes momentos de despedida da minha vida. Me lembro de quando deixei Charlotte e D.C…. Essa era a única música que se ouvia! 

A segunda classe do trem é dividida em pequenas cabines, onde cabe cerca de 6 pessoas. Esse é o Andrew, líder do nosso grupo, passando de cabine em cabine para se certificar de que estava tudo bem com todo mundo.

A segunda classe do trem é dividida em pequenas cabines, onde cabe cerca de 6 pessoas. Esse é o Andrew, líder do nosso grupo, passando de cabine em cabine para se certificar de que estava tudo bem com todo mundo.

Nesse momento, estou em algum lugar entre Orléans e Paris e, de certa forma, por trás de toda essa tristeza, estou animada para chegar logo lá. Hoje é um dia especial para a França, então creio que Paris estará anda mais bonita do que o natural. 

Sinto saudades. Sim, sinto saudades. Paris é como um sonho, enquanto Blois… Ah, Blois… Minha vidinha (quase) real. 

Daqui a menos de 1h estarei lá. Pela janela, agora só vejo mato. 

cadê a Romane?

Mato dos dois lados, não mais a imagem da pequena-grande debutante de cabelos longos e franja

Últimos momentos em Blois #2

13 de Julho de 2012,
Blois, France

No meio do jantar, Romane levantou-se rumo ao computador e disse que iria me mostrar a cantora que viria a Blois hoje a noite.

Modja, Inna Modja.

Nunca havia ouvido falar sobre, mas a primeira vista, já gostei de seu cabelo. Parecia simpática.

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Disse: 

– Que legal! Gosto de seu cabelo!
* Risadas de Romane * 
– E você vai ao show?
– Sim! E você também!
* Risadas compartilhadas * 

Romane aproveitou para me mostrar algumas de suas músicas e eu gostei muito de French Cancan (acho que é assim que se chama). Também descobri que ela não era tão desconhecida assim ao reconhecer uma de suas músicas. “I’m smiling in the morning, i’m happy in the evening, I’m laughing in the afternoon, no one is gonna change my mood…”ADORO! É a velha arte de conhecer um trecho da música, mas não saber quem canta. 

Esperei que Romane se arrumasse, pois fui com a mesma roupa que usei na festa de Antoine, apenas acrescentei uma jaqueta de couro, já que tava meio frio.

Quando chegamos ao local do show, estava bem vazio e me questionei se a cantora era boa ou não. Mal podia imaginar o quão cheio ficaria alguns minutos depois. 

Andando um pouco mais a frente, decobri o motivo pelo qual estava tão vazio próximo ao palco: todo mundo estava às margens do Rio assistindo aos desfiles e garantindo os melhores lugares para a queima de fogos que estava prestes a começar.

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Eu e Romane assistimos aos desfiles dos bombeiros e servidores publicos carregando bandeiras francesas e eu achei lindo. Ela perguntou se havia algo do tipo no Brasil e eu disse que sim, em 7 de Setembro.

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Encontramos algumas amigas dela que disseram já me conhecer embora eu, pessoalmente, não lembrar de já tê-las visto anteriormente. Trágico!

Queríamos encontrar o resto do grupo, então ligamos para Bérénice e perguntamos onde ela estava. Como o barulho era muito grande, Romane entendeu “próximo ao estacionamento subterrâneo” e fomos andando para lá. Ficamos procurando-os e nada, até que ouvimos os fogos. Corremos de volta para onde estávamos enquanto eu filmava tudo. Turistooona! kk 

Encontramos o povo e ficamos lá assistindo. Fiquei maravilhada com a queima; era a primeira de minha vida. Pois é, embora seja carioca da gema, nunca fui ao Revellion de Copacabana, sad story.

Agradeci a Deus por estar ali assistindo aquilo. Era realmente um espetáculo! Estava emocionadíssma! 

Terminada a queima, corremos para perto do palco na esperança de conseguir um lugar tão bom quanto o que tinhamos no inicio, mas já sabendo que seria quase impossível. “Quase”, eu disse “quase”!

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Inna (rainha) Modja

Tem horas que ser pequena ajuda muito e esse foi um dos momentos: abri caminho no meio das pessoas e cheguei a segunda fileira antes do palco. Encontramos Ben e Frances no meio da multidão e depois fomos encontrando todos. 

O mais engraçado é que embora o show fosse maravilhoso e ainda por cima gratuito, a plateia nao estava empolgada. Not at all. Eles nao pulavam, nao cantavam, nao dançavam, nao gritavam… Eu e Frances eramos as unicas doidas dançantes no meio do povo.

todo mundo borocoxô

todo mundo borocoxô

Um episodio engraçado foi que no inicio eu e Francisco estávamos morrendo de sede. Como bons habitantes de grandes cidades e acostumados a muvucas e tumultos, simplesmente avisamos aos outros que iriamos ao restaurante ali ao lado tomar uma coca e voltariamos em breve. Ao ouvir isso, os franceses quase morreram; quase imploraram para que nao fossemos porque iriamos nos perder e nunca mais conseguiriamos voltar. Alheios ao desespero geral, fomos e em cinco minutos estavamos de volta ao mesmo lugar, vivos, sãos e salvos, fazendo jus às nossas big cities.

wooooooa!

wooooooa!

Fizemos amigos no meio da multidao e entramos na coreografia de uns malucos super animados (exceção em meio a toda aquela gente morta). Até Marie-Paule entrou na dança!

No final, Inna desceu do palco e caminhou em meio a multidão. Achei isso o máximo! 

A multidão se evacuou organizadamente assim qur o show terminou, coisa que nao acontece no Brasil. 

tod mundo blurred de animação

tod mundo blurred de animação

Me despedi de todos e voltei ao carro. Não muitas palavras foram ditas até que o carro estacionasse em frente a casa. 

Entrei no meu quarto e terminei de arrumar a mala, também falei com minha mae e irmãos no skype. Enquanto conversava, escrevi a seguinte carta de despedida: 

Marie Paule et Romane, 

Je n’ai pas de mots pour dire combien tu as été importante au cours de mon séjour à Blois. Comme j’ai dit dans mon discurs, je pense que j’ai eu de la chance de venir chez toi.
Quand je suis arrivée ici j’étais un peu perdue. Je ne savais pas quoi faire ou où aller mais comme le temps passait tu m’as fait sentir a l’aise.
Je te remercie por l’hospitalité et d’être patients avec mes fautes de français. J’ai beaucoup appris avec toi.  Merci beaucoup pour tout que tu as fait pour moi, por sa gentillesse, amour et soutien.
Je espère que tu ne m’oublie pas parce que je jamais t’oublierai. Maintenant tu ais partie de ma vie et de mon histoire.
Je espère que nous nous rencontrons bientôt. Tu me manqueras beaucoup! 

Je t’aime, 
Laís.

Ultimos momentos em Blois #1

13 de Julho de 2012
Chailles, Vineuil – França


“Meu último dia com minha famille d’accueil. Acordei e logo fomos almoçar.

Meu ultimo almoço com minha famille d’accueil

Ok, menos melancolia. 

Tá. O almoço foi ovos mexidos com batata frita e bacon. Delícia! Depois tomei banho, me arrumei e fomos para a casa do Antoine, em Vineuil, comemorar seu aniversário de 17 anos.

O aniversariante

O aniversariante


Todo o grupo estava lá, menos o James, na verdade. Jogamos uno e dançamos no xbox. Até que foi legal; mais um aniversário bem diferente dos brasileiros. 

Pelo que ouvi, o grupo estava marcando de assistir a uma queima de fogos de artificio em algum lugar, mas acho que eu e Romane não iremos. Sabe como é, né? Ela odeia todas essas coisas. 

Se continuarmos mesmo em casa, daqui a pouco é hora de fazer as malas. Parto amanhã, às 9h. 

—————

Algum tempo depois de ter escrito isso, Romane apareceu no quarto e disse o diário “à la table!” com um sorriso no rosto.

E la fui eu; era hora do jantar.

Último jantar com a minha famille d’accueil” – era tudo que eu conseguia pensar

Sobre a mesa, um prato redondo com divisões onde encontravam-se variadas frutas a serem degustadas. Do lado direito, uma travessa com pedaços de melão. À esquerda, fatias de jambon e… Quanto parnasianismo, Laís! 

charcuterie

charcuterie


Vou confessar que fiquei um pouco frustrada diante de todas aquelas frutas. Ok, eu sei que é saudável e tudo mais, mas nunca fui amante de fruta e todo mundo sabe disso.

Pensei que o jantar se resumiria àquilo e comecei a pensar nos deliciosos biscoitos de chocolate que tinha guardado em meu quarto. Seriam minha salvação! 

Felizmente, Marie-Paule levantou e dirigiu-se a cozinha. Quando voltou, trazia nas mãos uma tigela com saucisses aux lentilles, mesmo prato que ela havia preparado no meu sexto dia em Blois e eu havia comentado que tinha amado. Quanta gentileza, gente! Sinceramente, achei muito fofo de sua parte dar ouvidos ao meu comentário e preparar este prato em meu último dia.

Para a minha surpresa, não houve a fatigante rodada de queijos, que maioria das vezes eu ficava só olhando. Eu juro que até tentei dar uma oportunidade aos queijos nos primeiros dias, mas não rola, gente; eu não gosto mesmo! Depois fiquei pensando: será que ela me ouviu comentar que detestava? Porque… Por que outro motivo exatamente no meu último dia não teria queijo?”

Fiquei realmente emocionada nesse momento. Tive vontade de eternizá-lo.

Boliche da depressão

11 de Julho de 2012, às 23h04
Chailles, França

“Voltei do Bowling World há mais ou menos uma hora.

Linda Rox após um super lance

Linda Rox após um super lance

 

A moça da recepção não entendeu meu nome, mas isso não é novidade. Nem lá no Brasil entendem! É sempre nesse momento que a Romane entra em ação dizendo “elle s’appelle Laís, comme les chips

Laís, como as batatas (Lay’s)
É, essa sou eu

Todo o grupo estava lá, com seus respectivos “irmãos”. O boliche é bem legal, tem uma parte de jogos de mesa, aquelas pistas de dança, etc. Foi bem legal, apesar de eu ter perdido feiamente. Fiz apenas 39 pontos, enquanto o ganhador, Alexis, 118. Humilhante!

Alexis e seu compreensivel ar de superioridade

Alexis e seu compreensível ar de superioridade

Ah, consegui uma peripécia também: sabe lá Deus como consegui fazer com que a bola que lancei em minha pista quicasse (sim, eu jogo tão mal que consigo fazer com que uma bola de boliche quique) e fosse parar na pista ao lado, onde havia outras pessoas jogando profissionalmente. Gente, que vergonha! Todo mundo ficou olhando pra mim. Mas a culpa não foi minha! Tudo aconteceu porque não havia canaleta (desculpa de má perdedora, sim. A bola teria passado mesmo com canaletas, mesmo com um paredão de 1 metro porque você. é. ruim. Laís, apenas conviva com isso).

Ok, ok. O fato é que não fui só eu que paguei mico. Irvine também mandou mal ao quebrar o organizador dos pinos:

err… esse pessoal não leva mesmo jeito pra coisa.

podium meramente ilustrativo para dar um up no ego

podium meramente ilustrativo para dar um up no ego

Depois do desastre que foi aquela partida de boliche, fomos ao Quick, onde eu afoguei as mágoas um lanche de verdade: supreme classic com chips media e Coca Cola. Digo “de verdade”, pois até então, só havia comido hambúrgueres simples. Não sei se já falei do meu amor por esse restaurante fast food para vocês: o Quick foi meu melhor amigo no retorno à Paris; quando entrei no período de estágio (vou contar mais para frente), comia lá todo santo dia. O menú é bem diferente: dentre as bebidas, você tem a opção de pedir vinho. Existe também um passe estudantil, com o qual você ganha um hambúrguer ou sorvete na compra de um lanche grande. Já pensou se tivesse no Brasil?

 

P.S.: o boliche custou 10€ (por pessoa) e o lanche, 7,50€. Um tanto quanto caro se pensarmos em Reais, não?”

Faz a francesa

10 de Julho de 2013
Blois, França

Romane sugeriu que deixássemos um pouco de lado os triviais roteiros turísticos de Blois e fizésemos um verdadeiro programa de francês: ir ao cinema.

E não é que o povo gosta mesmo da coisa? Deve ser por isso que o cinema francês tem o título de “o mais dinâmico da Europa”.

Mal comparando, cinema lá é tipo futebol aqui: coisa seríssima! Assim como nós nos orgulhamos de sermos os melhores em campo, os franceses se orgulham de serem os precursores da sétima arte e da sua disseminação pelo mundo, sem esquecer, é claro do progresso desde a invenção pelos Irmãos Lumière até o atual glamour de Cannes.

Pois bem. Convidamos Benjamin e Antoine e fomos ao Cap Ciné, em Blois.

Entrada

Escolhemos a sessão de 20h do filme “Un Bonheur N’arrive Jamais Seul”. O ingresso (uma entrada inteira para filme em 2D) saiu por 8,90€, o que, convertido para reais na cotação atual, é mais caro do que a sessão de filmes em 3D nos dias mais caros (sextas, sábados e domingos) do cinema mais próximo da minha casa o.O 

Enfim, espantos econômicos a parte, o filme conta a história de Sacha — um exímio conquistador que vive sem obrigações e tem fobia de criança — e Charlotte, mãe de três filhos, com uma grande e promissora carreira profissional a gerenciar. Pessoas totalmente opostas que descobrem terem sido feitas uma para a outra.

Adorei! Não acho que o filme chegará às telonas brasileiras (a não ser na época do Festival Varilux), mas para quem curte produções francesas, fica aí a dica.

Agl’eau

07 de julho de 2012
12h33
Chailles, France

Ainda sinto rigidez no músculo trapézio e a dor nos braços agora é novidade, mais ça va. Para nossa alegria, Romane cancelou a festa que aconteceria na noite de ontem e transferiu para a próxima segunda-feira. Ainda bem! Eu definitivamente não teria resistência para encarar uma festa depois do intenso acampamento.

Acordei às 11:30, tomei café (croissant, amor da minha vida!) e agora estou me preparando para ir ao Agl’eau (se pronuncia “aglô”), um parque aquático que fica em Blois. Acho que vai ser bem legal.

(…)

Às 23h21

Pois bem, o Agl’eau é muito diferente do que eu, que nunca tinha ido à um parque aquático antes, imaginava: maioria das piscinas são cobertas, exceto uma exterior, como você pode ver na foto abaixo:


Gente, o parque é muito inteligente e bem planejado. Eu poderia passar horas aqui falando sobre o quão mágico é tudo lá dentro.

Após pagar a tarifa (apenas 6,20€), você recebe uma pulseirinha que serve como passe de entrada, de saída e também como chave(!) para os armários.

Ao passar pela roleta de entrada, chega-se numa sala cheia de vestiários individuais. Cada um tem duas portas que dão para lugares diferentes: a primeira é a de entrada e a segunda, obviamente de saída, conecta o vestiário ao corredor de armários. Esse sistema de portas duplas redireciona o fluxo de pessoas, evitando aquele “congestionamento” e o consequente empurra-empurra super desagradável que sempre rola quando todo mundo tenta passar pelo mesmo lugar.

Tudo muito bem pensado, não? Primeiro você chega, entra numa portinha e já sai logo no vestiário; troca de roupa, aí abre uma segunda porta que está atrás de você e opa! Já está no lugar de guardar suas coisas, quase que por teletransporte, rs.

Depois de todas essas portas, chega-se, enfim, ao parque:

tem mais uma piscina para a direita, que não aparece na foto

E, mais uma vez, lá estava eu, com vergonha do meu biquini brasileiro tão-diferente-dos-demais.

Enfim, se eu fosse ficar pensando nisso, não iria aproveitar nada do passeio. Resolvi, então, esquecer e seguir Roxane e Capucine, que saíram correndo na direção da piscina da foto acima.  Vocês podem reparar que ela é bastante incomum: tem um formato totalmente irregular, conta com algumas estruturas centrais e deságua na parte externa do parque,  numa segunda grande piscina. Além disso tudo, essa piscina também é o fim do tobogã fechado. Acho que não preciso explicar o porque desta ser a  principal atração do parque, ofuscando até mesmo a piscina olímpica.

Pera aí, eu falei “tobogã”? Ah, o tobogã… Eu também nunca tinha entrado num, mas só naquele dia, repeti a descida umas 7 vezes. É simplesmente fantástico, principalmente a parte do caleidoscópio! Vejam:

Na piscina exterior, eu e Romane apostamos corridas com Rox e Capu em nossas costas, além de descermos pelo tobogã aberto que aparece ao fundo na foto abaixo:


A última piscina pela qual passamos foi a olímpica. Quando entrei, até  a parte rasa desta era funda para mim, que sou muito baixinha. Se encostasse os pés no chão, minha cabeça ficava totalmente submersa (e aí batia um pequeno desespero, rs)

A verdade é que piscina cansa à beça, então, viemos embora bem mais cedo que o previsto, mais ou menos às 15h30.
Na saída tinha um negocio que parecia com aqueles secadores de mão de shopping, só que servia para secar os cabelos. Achei bem interessante.

Na volta, andamos alguns km já que não queríamos ficar plantadas na porta do parque esperando Marie-Paule. Tivemos, então, que pular e descer alguns barrancos ao longo da estrada, o que me rendeu alguns (muitos) arranhões nas pernas.

Quando chegamos em casa, colhemos framboesas e as comemos enquanto jogamos Uno.

Para o jantar, Marie-Paule me pregou uma peça: preparou la quiche lorraine. Quando terminamos de comer, ela perguntou se eu tinha gostado e eu respondi que sim; realmente era MUITO gostoso. Só aí ela me contou que quiche era basicamente composto por QUEIJO. Imaginem a cara que fiz quando ouvi essa última palavra.

Que coisa, não? Eu, que odeio queijo, amei quiche. Vá entender!

Comprinhas e Senso de Moda

OIE MENINASSS! HOJE EU VOU MOSTRAR PARA VOCÊS AS COMPRINHAS
MA-RA-VI-LHO-SAS QUE FIZ NA FRAN…

não. aqui não é esse tipo de blog.

04 de Julho de 2012 
Chailles, France

Com base nas experiências dos dias anteriores, decidi que hoje iria acordar um pouco mais tarde. Não sei vocês, mas eu odeio acordar antes do dono da casa e foi isso que aconteceu em absolutamente todos os outros dias.

Como eu sempre faço tudo errado, ontem programei o despertador para meio dia esquecendo que hoje seria quarta-feira. Acontece que às quartas, as escolas de toda a França não funcionam e como minha mãe é professora, obviamente não trabalha nesse dia.

Pois bem, como já era de se esperar, ao meio dia o relógio despertou. Até aí, tudo certo. Eu olhei para o iPad que sempre ficava ao meu lado na cama e pensei “ah, Romane não deve ter acordado ainda”, então resolvi checar meus emails, Facebook, Twitter e só aí enfim me levantei.

Nisso, já era mais ou menos 12h20 e me deparei com Romane e Marie Paule arrumando o banheiro.

“ISSO AÍ, LAÍS! QUE MANCADA, QUE MÁ IMPRESSÃO! PARABÉNS, VIU?!”
Foi o que pensei, mas o máximo que pude exteriorizar foi um “bonjour” entre os dentes.

Então, fui à salle de bains, escovei os dentes e voltei para o quarto a procura de um buraco para enfiar a cabeça e esconder a vergonha que estava sentindo. Não demorou até que minha mãe aparecesse na porta perguntando se eu preferia  petit déjeuner ou déjeuner. Respondi “petit dejeuner” depois de dizer que ela que sabia e receber um “não, você tem que escolher alguma coisa, Laees” como tréplica.
Daí ela me veio com uma bandeja contendo baguettes (como sempre, O soberano!), manteiga, uma tigela, uma caneca e os malditos saquinhos de café do inferno. Gente, como é que eu vou dizer à mulher à essa altura do campeonato que eu ODEIO café? Ela simplesmente deduziu que eu sou doida varrida por esse troço baseada em minha nacionalidade.

Eeeeita estereótipo, hein, Marie-Paule?!
Mas deixa pra lá

Aí eu comi o pao e dei inicio ao martírio do café. Por sorte, minutos depois ela me trouxe um copo de suco de laranja – que ajudou a disfarçar o gosto écati do café – e a sobremesa (tres copinhos de iogurte: dois de chocolate puro e um de chocolate com chantily. Escolhi o ultimo, mas fiquei na vontade dos outros dois. Gordo só pensa em fazer gordice mesmo!)

Enquanto eu tomava café da manhã, as Romane e Marie-Paule almoçavam macarrão na mesma mesa. Jesuuuus, que vergonha!
Tinha que ser você, né, Laís? Viu, sua besta? Era pra você ter dito “déjeuner”, mas como você sempre faz tudo errado…

Ao fim do café da manha para uns, almoço para outros, fui tomar banho e me preparar para ir às compras em Blois.
Em alguns minutos, estava pronta. Entramos no carro e… Au revoir, Chailles! Coucou, Blois!

Caminho chato e feio entre Chailles e Blois

Caminho chato e feio entre Chailles e Blois

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Chegamos lá rapidinho. Rodamos todo o centro da cidade e eu nao gostei de NENHUMA roupa. Nenhuma, nenhuminha mesmo! E olha que entramos em um porrilhão de lojas e nada em nenhuma delas me agradou.
Enquanto isso, Romane comprava milhares de peças que julgava lindas. Eu, no entanto, achava tudo horripilante, tudo “roupa de vó”, tudo très hipster. A cada vez que ela saia da cabine era um terror diferente e só faltava a cadeira de balanço, o crochê na mão e a roda de crianças em volta para completar o look e fazer com que ela se tornasse a vovózinha perfeita.

O pior é que ela me perguntava se eu tinha gostado e embora eu não exteriorizasse o que passava em minha mente, as caras que fazia eram expressivas o bastante para dizer tudo em silêncio.

AIN, LAÍS, QUE CHATA VOCÊ É!
sou mesmo, que foi? rs

Enfim, acabou que a gente rodou, rodou, rodou e eu nao comprei nada em Blois, mas o passeio serviu para que eu percebesse o quão divergente e simples é o conceito de moda brasileiro quando posto ao lado de todo aquele requinte francês.

Centro de Blois

Mais uma do centro de Blois

Fomos, então, a um mercado comprar melões, macarrão e algumas coisas práticas que pudessem ser levadas ao acampamento que vai rolar amanhã.
De volta ao carro, minha mae dirigiu até o Centre Commercial Auchan, em Vineuil. Auchan é aquele mercadão gigante em que eu estive ontem. Ao redor dele, há várias lojas, configurando um complexo de compras. Lá, na loja Jennyfer, eu finalmente achei um vestido que me agradasse parcialmente. Sim, parcialmente. Acho que o fator que mais influenciou a minha compra foi o cansaço da procura e a decepção de nao ter achado nada nos diversos lugares pelos quais já havia passado.

Na volta pra casa, fiz questão de abrir toda a janela do carro e sentir o vento forte bater em meu rosto, já que estava um calor do cão e eu estava me sentindo exausta.

Para o jantar, tivemos spaghetti com queijo parmesão (o soberano número dois) e Schweppes e contamos com a presença de alguns vizinhos, inclusive aquela menina que supostamente falava português. Fiquei super excited quando a vi e quando pensei que depois de uma semana ia enfim ouvir alguma palavra em português ao vivo, eis que a menina me diz, em francês, que entende português, mas não fala. Oh, céussss!

Agora estou aqui em meu quarto me preparando psicológicamente para arrumar as coisas para o acampamento amanha. Estou super animada, pois nunca acampei antes, mas… Como minhas pernas doem!