Experiência gastronômica na casa da vó

11 de Julho de 2012
Les Montils, França

Conheci “minha avó” no meu segundo dia em Blois. Hoje teria a oportunidade de conhecer “meu avô”.

Quando cheguei à casa deles (em Les Montils, uma comuna de cerca de 9 km² que ficava a 10 minutos lá de casa), no entanto, quem me recebeu foi a pequena Rox, com um sorrisão estampado no rosto.

Como diria aquele famoso apresentador dominical: "essa fera aí, meu"

Essa linda aí

Tinha esquecido que, por conta da rotina totalmente insana da mãe (só pra vocês terem uma noção da coisa: ela viaja à Mallorca todo santo mês e, há alguns dias, anunciou à família que estava indo passar 23 meses na Califórnia a trabalho), Rox e Capu moravam com os avós.

Enfim, embora as duas lindas roubassem totalmente a cena, o objetivo principal da minha ida até lá era conhecer o dito “meu avô” e participar do almoço em família, portanto, retome o foco, Laís!

Pois bem, quando entrei e me apresentei, Jacques (esse era o nome dele!) se mostrou extremamente gentil e quis saber tudo sobre o Brasil antes de me surpreender com a seguinte pergunta:

Est-ce que tu as déjà eu crapaud?

Pardon? – disse e, em seguida, pensei: “sapo? Será que ele está mesmo perguntando se eu já comi SAPO?”

Oui, crapaud. *faz onomatopéia de sapo na esperança de que eu entenda o que ele quer dizer* En fait, ces sont les cuisses de grenouilles.

O QUE, MOÇO? COXA DE RÃ? EU DEVO ESTAR FICANDO MUITO DOIDA DAS IDEIAS MESMO, PORQUE OLHA… ACHO QUE ESTOU TENDO ALUCINAÇÕES AUDITIVAS

Mas o pior é que eu não tava, não. Embora tivesse ficado um tanto quanto perturbada pela pergunta, restringi minha resposta a um “non” para não parecer muito mais ignorante. A verdade é que eu não fazia a menor ideia do gosto de uma rã e odiava a ideia de ter que comer um daqueles sapos gordos. Não sabia o que pensar, tampouco esperar desse almoço, mas temia a minha reação na hora que o prato chegasse à mesa.

E chegou

Aí eu olhei para a cara, digo, para as perninhas das rãs e, sem pensar duas vezes, comi, afinal, experimentar a culinária local é um must do de todo programa de intercâmbio, certo?

Certo, mas tem gosto de quê, Laís?

Tem gosto de chuchu, meu caro, o que quer dizer que não tem gosto de nada. Pra quem tá com fome, no entanto, é uma delícia (e esse, por um acaso, era o meu caso)!

Ta aí, então. A princípio, fiquei com dó dos bichinhos, pensei no Artigo 32 da Lei Federal nº. 9.605 / 98 (aprendi essa na aula de Introdução ao Direito só para parecer cult aqui no blog), na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, fiz um drama danado e tudo mais, mas comi e não morri, portanto, se tiverem a oportunidade, comam também; e comam sem culpa, faz parte.


P.S.: Depois do almoço, rolou aquela rodada de mil e um tipos de queijo sobre a qual vocês já devem estar acostumados a ler maus relatos.

Um comentário sobre “Experiência gastronômica na casa da vó

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s