Castelo de Chenonceau

09 de julho de 2013
Chenonceau, França

“S’il vient à point, me souviendra”
Katherine Briçonnet

Peguei carona com Luiza, Messieur Carret e Baptiste até a terceira residência real que visitei na França: o Castelo de Chenonceau. Apesar do Google apontar que seriam apenas 36 minutos, a viagem de Chailles até lá foi longa. Talvez eu tenha tido essa impressão pelo fato do pestinha do Baptiste não conseguir ficar quieto por um minuto sequer.

Foto: diomarcelo

Referido como “Castelo das Damas” na história Francesa, Chenonceau foi edificado, administrado e protegido por mulheres excepcionais. A primeira delas foi Katherine Briçonnet, que, em 1513, deu início à supervisão da construção, tomando todas as decisões acerca da arquitetura e decoração enquanto seu marido, Thomas Bohier, lutava nas guerras contra a Itália. Na parte interna do castelo, podemos encontrar as iniciais “TBK” (Thomas Bohier e Katherine), bem como a frase que introduz esse post (“s’il vient à point, me souviendra“), que, numa tradução livre, quer dizer “se eu consegui construir [esse castelo], serei lembrada”. Profético!

Depois de Katharine, Chenonceau foi habitado pelas duas mulheres do Rei Henrique II, Cathérine de Médici e Diane de Poitiers.
DUAS? MAS COMO ASSIM, LAÍS? Caaaalma, eu explico: apesar de ser casado com a primeira, Henrique nutria uma paixão avassaladora por Diane, com quem manteve uma linda história de amor proibido. Se você gosta de ler romances reais do tipo, dá uma olhadinha aqui.

Para manter a beleza, Diane costumava banhava-se todas as manhãs, ao nascer do sol, nas águas frias do Cher. Depois ia andar a cavalo e dormia até o começo da tarde. O fato é que ela despertava a ira de Catherine.

Diz-se que para manter a beleza, Diane costumava banhar-se todas as manhãs, ao nascer do sol, nas águas frias do Cher. Depois ia andar a cavalo e dormia até o começo da tarde, despertando a ira de Catherine.

Finalizando a lista das implacáveis mulheres de Chenonceau, cito a bela e inteligentíssima Mme Dupin, que lá morreu solitária após salvar o castelo das rigorosas imposições da Revolução Francesa.

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A primeira coisa que encanta em Chenonceau é, definitivamente, o projeto arquitetônico: o castelo foi construído sobre o Rio Cher, no qual além de parecer flutuar, se reflete. Apesar de aparentar ser pequeno para quem antes esteve em Chambord, esse castelo não fica atrás em nada; se configura único por sua originalidade, jardins, decoração, mobília e riqueza de coleções.

O parque que liga a bilheteria ao castelo me fez lembrar o Jardim Botânico do Rio de Janeiro por causa da trilha arborizada em ambos os lados. Outra coisa que me fez sentir em casa foi a disponibilidade de um folder em português. A essa altura da viagem, eu já estava morrendo de saudades do Brasil; encontrar aquele guia e poder me perder em meio a algumas palavras da língua mais bonita do mundo (hunf!)  já me fez começar o passeio com um sorrisão no rosto. Confesso que quando fui a alguns castelos e museus e vi que havia material disponível até em japonês, mas não em português, eu senti um “como isso é possível, pessoal?”. Os únicos lugares onde pude desfrutar da maravilha que é o nosso idioma foram ambos os castelos de Chambord e Chenonceau.

O parque

O parque

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Keanu, rio Cher e Jardin de Chatérine de Medici

A parte de dentro é luxuosíssima, conforme os requintes da realeza, mas como boa amante de outdoors, o que mais me encantou foi a parte exterior. Amei os jardins , de onde pode-se ter uma vista impecável do castelo. Eu poderia passar horas ali apenas admirando Chenonceau. Lindo, lindo, lindo!

Jardin de Diana de Poitiers avec le Château de Chenonceau en arrière-plan

Jardin de Diane de Poitiers avec le Château de Chenonceau en arrière-plan

Uma das galerias da exposição

Lembra da Mme Dupin (Louise Marie Madeleine Fontaine Dupin) que eu mencionei lá em cima? Então, foi ela quem deu início à organização dos Salões de Chenonceau, que consistia em reuniões de artistas, filósofos e diversos outros intelectuais contemporâneos. Com isso, o castelo passa então a ser frequentado pelos nomes mais célebres da época, como Voltaire, Montesquieu e Rosseau. Este último, além de amigo, era secretário e educador do filho de Mme Dupin. Como forma de abrir ainda mais as portas da fortaleza real ao iluminismo, Louise fez uma reforma no local, incluindo à planta um teatro e um laboratório de física.

Frase de Rousseau eternizada em uma das paredes da galeria. Resolvi postar aqui porque ilustra bem a minha relação com a área profissional que escolhi.

Frase de Rousseau eternizada em uma das paredes da galeria e que ilustra bem a minha relação com a área profissional que decidi seguir.

Quando lá estive, era o ano do tricentenário de Rousseau e, por isso, havia uma exposição de fragmentos inéditos. Foram expostos extratos de «Sur l’égalité des hommes et des femmes» —livro da autoria de Louise Dupin, com forte tendência feminista, que jamais veio a ser publicado—, além de anotações de próprio punho de Russeau. Pude ver também os gabinetes de química e física (onde diversos experimentos de cunho físico e pedagógico foram realizados), além de instrumentos originais como ferramentas de mecânica, óptica, astronomia, estática dos fluidos, etc. Foram revelados também pela primeira vez os relógios de sol, esferas armilares, balanças hidrostáticas e bombas de vácuo e de compressão. Um programa super cult, bom para quem curte essas coisas (tipo eu, rs).

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Massss, voltando para o lado de fora (acho que já deu para perceber que eu REALMENTE gosto de exteriores, né?), havia, no centro do Jardin de Diane de Poitiers, um labirinto. Fiquei muito entusiasmada para entrar (e encontrar a saída, claro). Embora nunca tivesse estado em um, sempre imaginei a quantidade de adrenalina que minhas supra-renais (tá bom, Laís, tá bom!) secretariam ao caminhar por corredores estreitos sem saber para onde ir. Esse labirinto, no entanto, não era nem um pouco creepy. No centro, que também era o ponto de chegada, havia um pavilhão elevado que permitia uma visao panorâmica de todo o labirinto. Isto é, se você não fosse tão baixinho como eu.

uma vista do ponto final do labirinto, onde havia o patamar central.

uma vista do ponto final do labirinto, onde havia o patamar central.

uhul, chegamoooos!

uhul, chegamoooos!

Por fim, às 13h fomos para a área de piquenique, onde comemos juntos e definimos (em inglês) os pratos que cada um levaria para a festa de encerramento que iria acontecer no dia seguinte, na casa da Mme Pletier:

Nesse momento, notamos a ausência de Irvine, o queniano fujão que já tinha sumido outras duas vezes, sendo uma delas, no Louvre. Quando o encontramos, o lindo estava passeando tranquilamente por entre os corredores do Castelo. Vê se pode uma coisa dessas? rs.

P.S.: O site Direto de Paris é um dos meus favoritos quando o assunto é Chenonceau. Existe um post bastante rico em detalhes históricos que vale muito a pena ser lido. Segue o link: http://diretodeparis.com/chenonceau-o-castelo-mais-feminino-da-franca/

Um comentário sobre “Castelo de Chenonceau

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