Acampamento #1

Quase uma saga.
Vou dar um tempinho para você ir lá pegar a pipoca
(…)
E aí, tá pronto?

05 de Julho de 2012
Chaumont-sur-Loire

Acordei super ansiosa. O plano para hoje era o seguinte: percorrer, em canoas, os 18km do Rio Loire que separam a Ponte Mitterrand do nosso destino final, o camping em Chaumont-sur-Loire.

mapa do itinerário do dia

mapa do itinerário do dia

Seria a minha primeira vez tanto acampando, quanto fazendo canoagem. Já tinha feito kayaking antes na pífia Lagoa de Iguaba Grande, mas tinha certeza de que não seria igual.

Pois bem, eu e Romane já havíamos arrumado tudo no dia anterior (eu, marinheira de primeira viagem, achava que tinha cuidado de TUDO, tudo mesmo, mas…) e então, às 9:45 já estávamos prontas para a aventura no ponto de encontro do grupo. Quando todos finalmente chegaram, colocamos as comidas que seriam usadas no almoço em coolers (que, por sua vez, foram atados às canoas dos dois profissionais que nos acompanhavam e supervisionavam) e as mochilas, tendas, etc -coisas mais pesadas e que só seriam usadas mais tarde- foram diretamente levadas até o acampamento numa van.

Em cada canoa cabia duas pessoas. Romane foi minha parceira e, modéstia a parte, nós formamos uma ótima dupla!

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eu tirando foto enquanto Romane remava sozinha, shiiiiu!

Do ponto inicial, fizemos mais ou menos uma hora e meia de canoagem até a primeira parada, numa “ilha” no meio do Loire, para o almoço. Foi lá que ensinamos aos franceses a arte do big booty, que foi incrementado pelos mesmos trocando os tradicionais números por nomes. Depois de comer os deliciosos sanduíches de bacon que tinha comprado no dia anterior no Auchan, também tentei aprender a fazer com que uma pedra ricocheteasse no rio, mas não consegui de jeito nenhum. Concluí que são mesmo poucas as pessoas da cidade grande que sabem fazer isso.

Enquanto comiamos e brincávamos, começou a chover; isso nos deixou um pouco preocupados. Mesmo assim, voltamos ao Loire e o objetivo, dessa vez, era só parar quando enfim chegássemos ao acampamento. A chuva se intensificou em vários trechos do rio, o que nos forçou a fazer algumas paradas embaixo de árvores. Como nunca cessava por completo, saíamos dos nossos “abrigos naturais” toda vez que a chuva dava uma trégua (e repetíamos esse vai e volta sempre que necessário).

O céu azul da foto acima era puro disfarce: além de chover, estava fazendo um frio do cão. A chuva se encarregou da gentileza de molhar por completo os meus sapatos e casaco. Resolvi, então, tirar e deixá-los na proa. O que eu não esperava era que Stephan, o profissional e antigo membro da equipe olímpica de canoagem francesa que nos acompanhava, passasse e simplesmente virasse a minha canoa de cabeça pra baixo.

Sim, isso mesmo que você acabou de ler.
virou. a. minha. canoa
Sem nem um pingo de compaixão pelo frio que estava fazendo

uma fotinho minha na hora do capote

Agora monta a cena aí na sua cabeça: imagina EU nadando (leia “me debatendo epiléticamente”, porque eu nado muitíssimo mal, diga-se de passagem) contra a correnteza do rio na tentativa de alcançar meus sapatos e casaco que rapidamente se dispersaram na água. Um mico e tanto, né?
É, MAS CALMA QUE AINDA NÃO ACABOU: quando EU, roliça desse jeito, finalmente consigo retornar à canoa com meus pertences devidamente ensopados, LÁ VEM O STEPHAN E VIRA LA PUTAIN CANOA MAIS UMA VEZ.

AAAAH, Ô STEPHAN, CÊ TÁ DE BRINKS, NÉ, CARA? SÓ PODE! O QUE QUE FOI? É PESSOAL, É? PERA AÍ QUE EU VOU RODAR A BAIANA E TE MOSTRAR DA ONDE EU VIM, SEU FELLA.

Dessa vez, até o remo foi parar longe e eu e Rorô só conseguimos voltar com a ajuda de Leo e Irvine, que nos puxaram de volta. O mais engraçado é que eu só parei de rir da situação quando percebi que tinha afogado o relógio que tanto gostava. Aí eu fiquei com vontade de TRUCIDAR o Stephan.

Vocês acreditariam se eu dissesse que ele ainda tentou uma outra vez? Pois é, a sorte foi que a esse ponto nós já tínhamos virado “macacas velhas” (experts no assunto, pra quem nunca ouviu a expressão) e não fizemos corpo mole, conseguindo evitar a terceira ida à água. UHUL! \o/

Ok, seguimos para o acampamento e ao longo de todo o caminho, Romane colheu boa parte das algas que viu pela frente e colocou dentro de nossa embarcação para jogar nos outros amiguinhos a medida que estes se aproximavam. O mais engraçado é que eles estavam achando uma graça enoooorme em ficar todos cobertos por algas nojentas. Nem preciso dizer que acabou sobrando pra mim, né? Até que foi divertido, mas…. Que brincadeira mais folle! Vá entender!

Quando enfim chegamos à Chaumont-sur-Loire, onde ficava o acampamento, puxamos nossas canoas até a borda do rio e aportamos-as ali. UFA! Tinha sido MUITO cansativo!

Sentíamos um frio horrível, daqueles de fazer bater o queixo e deixar as mãos azuis. Por sorte, havia chuveiros com água quente, que era tudo que precisávamos naquele momento.
Quando todos já estavam quentinhos em suas roupas, voltamos para o local onde estavam armadas as cabanas e ficamos nos divertindo ali mesmo, com vários jogos (a versão francesa de “Máfia” é super!) e muita musica no ukulelê.

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une compilation de Cupid Shuffle

compilation de Cupid Shuffle

Como eu não tinha uma cabana própria, a linda da Candice me abrigou. Romane não passou a noite no acampamento, já que sua festa de aniversário seria no dia seguinte (sexta-feira) e ela precisava preparar as coisas.
Passamos alguns minutos sentados à beira do rio em silêncio, apenas apreciando a linda paisagem inteiramente natural, sem qualquer intervenção humana. O silencio absoluto só era interrompido quando alguém avistava um balão no céu. Acho que aqui na França eles não são proibidos. Eram bastante coloridos e gigantes, daqueles que carregam pessoas na cesta. Soube, naquele momento, que estar num balão era algo que eu definitivamente gostaria de fazer, foi então que adicionei o ítem n˚87 à minha lista de “100 coisas para fazer antes de morrer”.

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Antes de dormir, fizemos uma fogueira na tentativa de apaziguar o frio que nos consumia. Sentamos todos em volta dela e logo surgiram alguns marshmallows para tornar completa a ocasião. De repente, Luisa e Andrew (nossos líderes) surgiram com um bolo de chocolate em mãos e cantando parabéns para Kelsey, nossa aniversariante do dia. Foi bem legal, pois ninguém estava esperando por aquilo.

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Kelsey ficou muito emocionada com a surpresa. Comemos bolo, marshmallows, doces, tiramos fotos e dançamos, sempre próximos à fogueira, claro, rs.
Tudo ótimo, né? Nem tanto! Lembra que lá em cima eu disse que achava que tinha colocado tudo dentro da mochila no dia anterior? Pois bem, ao longo do dia eu fui sentindo falta de diversas coisitas. Vou enumerá-las aqui para que você não cometa o mesmo erro que eu e se lembre delas na próxima vez que for acampar:

1. Chinelos. Na falta de sapatos impermeáveis, é bom estar calçado com algo aberto para fazer canoagem. Para andar dentro do camping também! Evita maior parte dos cortes que hoje tenho nos pés.
2. Mais de um casaco. Para o caso de um louco virar a sua canoa quando você estiver vestido com o único que levou. Acontece sempre, sabe?
3. Toalha de banho. APENAS LEVE. Acho que não precisa explicar o por quê.
4. Creme para pentear. NE-CES-SÁ-RIO para quem tem cabelo cacheado como eu.
5. Protetor solar, caso você não tenha intenção de ficar da cor de um camarão por conta da exposição.
6. Saco plástico para as roupas molhadas (!)
7. Repelente, porque acampamento é sinônimo de insetos por toda parte

Cara, como eu pude esquecer dessas coisas tão essenciais? Me pergunto: o que foi, então, que levei dentro da mochila?

P.S: tô arrasando na cronologia! Ok, quase. Esse post relata o que aconteceu há exatamente um ano.

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