Sobre escadas e amores

30 de Junho de 2012
Paris, França

Começamos o dia visitando o segundo cartão-postal de Paris (sempre atrás da majestosa Dama de Ferro, claro), la Basilique du Sacré Cœur. Eu estava louca para ir lá, principalmente porque a Basílica fica no famoso bairro do Montmartre, que além de ser o ponto mais alto da cidade, é lugar de muita arte, bohemia e gente bonita.

Montmartre é vida, Montmartre é a cara de Paris!

Pegamos o metrô na estação Arts et Métiers, que era a mais próxima ao nosso hotel, e seguimos pela complexa malha ferroviária de Paris até a estação Abesses. Ao chegarmos lá, encaramos a primeira série de escadas do dia, que nos levava do subterrâneo até o baixo do Montmartre. Sim, eu disse “baixo” e se você for um leitor atento, vai lembrar de eu ter mencionado que este é o bairro mais alto da cidade, localizado a ~apenas~ 130 metros acima do nível do mar. Então, dá-lhe mais ladeira e escada (cerca de 240 degraus) até chegar ao patamar da igreja!

Chegueeeeei!

Resolvi, junto com alguns membros do grupo, subir até a cúpula principal para contemplar a vista panorâmica sobre a qual muito já tinha ouvido falar. Comprei o ticket por apenas 8 € e aí, adivinha?! MAIS ESCADAS! Dessa vez, foram 234 íngremes e finos degraus, onde mal cabia o meu pé inteiro (e olha que eu calço só 36!). Além disso, a iluminação na escada não é das melhores — não existem lâmpadas ao longo do caminho, só entra luz solar por algumas pequenas janelinhas — e as pessoas mais altas têm que abaixar as cabeças, pois a escada em espiral deve ter aproximadamente 1m80cm de altura. Como eu não sou lá das mais longilíneas, posso te dizer que subi como uma diva. A verdade é que quando você chega lá em cima, a paisagem impecável que surge diante dos seus olhos anula todos os pesares da subida e funciona como anestesia às pernas que latejam e às costas que doem:

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stupéfiant!

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~A~ vista

Só te digo uma coisa: descer foi fácil.

O ticket tambem dava direito de acesso à cripta, parte subterrânea presente em maioria das igrejas e que abriga relicários dos mais variados tipos. Diferente da cúpula, esta parte é um pouco mais obscura. É como se você pudesse sentir a “atmosfera de mistério” que paira por ali; várias imagens sacras preenchem os corredores em formato de arco romano. Existe também um pequeno altar reservado à “missas privativas”. Quando estive por lá, estava acontecendo uma dessas reuniões (acho melhor chamar assim) restritas e eu tentei, sem sucesso, pescar algumas palavras. Você pode assistir a um breve vídeo que mostra o interior da cripta do Sacre Cœur clicando aqui.

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Faz a francesa com a baguette na mão, faz.

Algum tempo depois, descemos o morrão e fomos direto à uma feira, onde pusemos o nosso melhor francês em prática comprando coisas para um piquenique-almoço. Fiquei encarregada de comprar as baguettes, o presunto e o queijo. Ah, o queijo… Gente, acredita em mim: parece que toda aquela nação é movida a queijo! Reza a lenda que eles têm um tipo para cada dia do ano. Como se não bastasse, mais tarde eu viria a descobrir por experiência própria que eles usam o laticínio PURO como sobremesa após as refeições. Gente, isso foi a morte pra mim! Eu detesto queijo, de-tes-to! Não, vocês não tem noção do tamanho da minha repulsa. Queijo e café, argh. Confesso que não sei a diferença entre provolone, mussarela e gorgonzola, tampouco entre mocha, cappuccino e macchiato. Rafael, meu irmão viciado em queijo, falou que queria morar na França pra sempre quando ouviu o meu relato. Aham, Cláudia, senta lá.

(Quantas vezes eu repeti a palavra “queijo” só nesse parágrafo? Desculpa, pessoal, é que eu fico muito nervosa só em pensar nesse monstro alimentício.)

* respira, Laís; fica calma! Você precisa terminar o post!

Enfim, levamos tudo para o Jardin de Luxembourg, onde sentamos na grama e fizemos aquele piquenique buniiito.

Jardin du Luxembourg

Minha cara de feliz no Jardin du Luxembourg

Eu já disse que Paris é sempre surpreendente, né? Pois é, quando estávamos saindo do Jardin, demos de cara com uma Marche des Fiertés LGBT, ou Parada do Orgulho Gay, como preferir.

O QUEEEE? SE JOGA, AMIGAAAAA! 

Gente, pára tudo! Uma parada gay! E não é só isso: a primeira e melhor (sim, eu já fui a outras) parada da minha vida! Tinha muita gente bonita, animada e louca e muita música boa. Lembro que no momento em que cruzamos com a marche, estava tocando Heads Will Roll, do Yeah Yeah Yeahs, e essa virou uma das trilhas sonoras da nossa viagem. Se você gosta de bater cabelo, clique aqui. Ah, é importante lembrar que não precisa ser gay para curtir uma parada gay, basta ser desprovido de preconceitos. Fica o recado.

Eu e Luisa, a nossa líder, surtando na parada

Eu e Luisa, a nossa líder, liberando o Id.

O programa da tarde foi uma visita ao Musée d’Orsay, aquele lindo, que fica às margens do Sena e que antigamente era uma estação ferroviária. Lá, vimos obras de célebres artistas como Renoir, Cézane, Edgar Degas, Gauguin, Van Gogh (fiquei meia hora em frente ao Auto-Retrato, falo mesmo) e Manet. Essas obras vieram ao Rio algum tempo depois para compor a exposição “Impressionismo: Paris e a Modernidade”.

O implacável Orsay

É impossível não gastar boas horas perdido dentro do Orsay. Quando saímos de lá, já era noite. Pensando nisso, fomos andando rumo ao restaurante no qual nossos líderes tinham feito uma reserva para o jantar.

E foi lá que eu paguei o primeiro mico da viagem. Tava demorando, né?

ATENÇÃO, PESSOAL!
É HORA DE RIR DA CARA (DA IMBECIL) DA LAÍS!

Uma foto do garç… Ops! Esse é o Adam!

Gente, presta atenção: eu não sei o nome do restaurante, tampouco sua localização e muito menos um ponto de referência para indicar para alguém. Tudo que eu sei é que o garçom era galante, divino, esplêndido, exuberante, formoso e como se tudo isso ainda não fosse bastante, o lindo era A CARA DO ADAM LEVINE, vocalista do Maroon 5 e por quem eu nutro o mais profundo dos amores platônicos. Sabe aquena cena de filme, onde a garota patinho-feio está na pista de dança do baile de encerramento do ensino médio e aí chega o boy magia, aquele todo bonitão, o mais popular da escola? Então, foi bem assim quando eu o vi passar com a bandeja na mão e nossos olhares se cruzaram; foi como se a pista de dança tivesse se aberto e todas as luzes tivessem se voltado para o garçom.

Enquanto apreciava a bela figura do moço, eu esqueci do motivo pelo qual tinha ido ali, esqueci das pessoas em volta e até mesmo de como falava francês. De repente, percebi que o povo já tinha pedido uma rodada de foie gras e escargot e quando os pratos chegaram à mesa, eu fiquei aquela com cara de “POR QUE VOCÊS ESCOLHERAM ISSO, POXA? EU NÃO VOTEI POR CARACOL E FÍGADO DE PATO GORDO PARA O JANTAR! CADÊ A DEMOCRACIA? EU TAVA ALI OLHANDO O ADAM E VOCÊS APROVEITAM PARA FAZER ISSO?! BELOS AMIGOS, HEIN?!”, mas não pude exteriorizar nenhum dos pensamentos supracitados, já que por estar “ali olhando o Adam” eu perdi o momento da escolha do prato.

OBS: Não se deixe enganar pelo belo nome! Foie Gras, aquela iguaria da culinária francesa que todo mundo capricha na abertura de boca e vibração das cordas vocais na hora de pronunciar, é, nada mais, nada menos, que fígado de pato super-alimentado. Dizem que os bichinhos são maltratados enquanto submetidos às tecnicas de pecuária intensiva e só isso já é suficiente para que você abandone o prato. O gosto também não é dos melhores. Eu sei que é super legal experimentar a culinária local durante uma viagem, mas… vai por mim: não é um must-eat, dá pra dispensar. Se você tiver um coração forte suficiente para aguentar cenas fortes, digite “foie gras” no Google e reflita.

Ah, também experimentei um mi-cuit au chocolat no restaurante do Adam, que foi, de longe, a melhor sobremesa que já provei em toda a minha vida. É super simples, mas divino e o melhor é que deve dar para fazer em casa. Fica, então, a dica para as Ana Maria Braga de plantão.

Ao final da refeição, eu fui obigada a deixar o meu amor-eterno-de-cinco-minutos para trás e seguir com a vida. Precisávamos voltar ao hotel para arrumar as malas, já que no dia seguinte seguiríamos para a cidade de Blois(!)

Então, fica aqui um resumão das dicas da La do dia:

1. Prepare as pernocas e vá ao Montmartre. É uma visita indispensável aos turistas da Cidade-Luz.

2. Perca-se no Orsay

3. Os franceses adoram sair às ruas para fazer manifestações, passeatas e protestar por aquilo que os aflinge. Isso é algo admirável, que deveria ser tomado como exemplo e replicado em todos os países do mundo! Portanto, se cruzares com uma parada gay ou qualquer outro tipo de movimento, vista a camisa, junte-se a eles! Posso garantir que alguma lição você trará na mala de volta para casa.

4. Revire Paris em busca do “restaurante do Adam” já sabendo que você não tem nenhuma chance com ele, pois o gato já é meu (pelo menos nos meus sonhos).

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