Caça ao Tesouro

29 de Junho de 2012
Paris, França

Arc de Triomphe du Carrousel, uma das fotos que mais gosto.

Arc de Triomphe du Carrousel, uma das fotos que mais gosto.

Depois da visita ao Louvre, nos sentamos no gramado do Jardin des Tuileries, onde deliberamos sobre as regras de convivência do grupo e as escrevemos em nosso livro oficial (que, ao longo da viagem, abriu um buraco no chão, entrou e nunca mais foi visto). Antes disso, no meio do caminho, parei para comprar um sandwich au jambon no Paul (Paul, seja lá você quem for, saiba que eu te amo!) e me senti uma verdadeira parisiense carregando aquela baguette enooorme pra cima e pra baixo.

Quando terminamos, nossos líderes apresentaram a próxima atividade: une chasse au trésor.

AEEEEEEEEEEEE! \o/

– Mas por que tanta felicidade, Laís?

Eu te pergunto: Você sabe o que está oculto em “caça ao tesouro”? AAAAH, MEU FILHO: aventura, adrenalina, correria, balbúrdia, oba-oba, andar aloprado pelas ruas de uma cidade desconhecida #sóquenão

VAMO QUE VAMO! 

Seguem as tarefas:

1. Vá até o Arco do Triunfo. Faça um jogo em grupo (10 pontos). Se você conseguir que um francês entre na brincadeira, adicione 10 pontos. 

Comentários: Quando chegamos lá, foi aquele “ooooh, meu Jesus Cristo! Que lindo”. Fiquei um bom tempo embasbacada com a arquitetura, com os nomes chanfrados nas paredes e com o tamanho do troço. Quando a emoção passou e eu finalmente consegui “recobrar a consciência”, tivemos A BRILHANTE IDEIA de puxar o maldito big booty dentro do Arco, perto da chama que é mantida acesa em memória  aos “homens de Napoleão”. Resultado: fomos expulsos.

Que beleza, hein, Laís Barbosa?! Quer uma salva de palmas?

Quase morri de vergonha, porque, como porta voz do grupo, tive que me desculpar com o seguraça, que, por sua vez, não quis saber de minhas escusas. Fomos postos pra fora com a elegância francesa. Eu não deveria ter contado isso aqui pra não ficar feio, mas como esse é um blog comprometido com a contínua expressão da verdade… #credibilidade.

Retomando o foco, percebemos que a tarefa ainda não estava cumprida. Do outro lado da rua, retomamos o bg booty e isso chamou a atenção de um jovem francês, que voluntariamente se juntou à roda. AEEEE, objetivo concluído! Só que o que nós não esperávamos era que ele quisesse nos ensinar o seu próprio “jogo do guetto francês”, como o mesmo intitulou, rs. Ele começou a cantar e bater palmas e pediu para que o acompanhássemos repetindo bem alto tudo aquilo que era dito. Assim nós fizemos, mesmo que não estivéssemos entendendo muita coisa. Ao final, baseado no pouco conhecimento de “francês do guetto” que tenho, eu tive a ligeira impressão de que estávamos repetindo um monte de coisas tolas.

2. Vá até o final da Champs-Élysées. Encontre alguém para te ensinar a música em homenagem a esse lugar (10 pontos). Se você cantar com essa pessoa, adicione 5 pontos. 

Comentários: usei toda a minha inteligência na hora de escolher uma loja de CDs para arrematar de primeira os 15 pontos. A vendedora nos foi muito simpática, estampando um sorrisão quando se deu conta da cena que estava diante dela: um grupo de 10 gringos acompanhando o refrão que ela ensinava. Um tanto quanto exótico, não?  A música se chama “Aux Champs-Élysées”, de Joe Dassin. Aviso logo que ela vai ficar martelando na sua cabeça por um bom tempo, portanto, se você tiver algum tipo de problema com isso, não clique “play”: 

3. Pergunte a alguém sobre a história do Arco do Triunfo (5 pontos) 

Comentários: Escolhi um senhorzinho bem arrumado que andava por ali para descobrir a resposta para a grande pergunta de 5 pontos, #ironia. Ele, que foi muito solícito, me explicou que o Arco havia sido erguido como um marco sólido das vitórias napoleônicas em 1806 (sim, ele me deu datas. E datas corretas!). Ainda disse mais: a título de curiosidade, nas paredes internas da construção de 50 metros, estão eternizados os nomes de 128 batalhas e 558 generais (sim, ele me deu númer… Tá, mentira, isso eu pesquisei). Agora, sim, uma salva de palmas para o meu dom de escolher a pessoa certa para resolver dilemas.

4. Vá até a Catedral de Notre Dame. Esboce uma gárgula (5 pontos) 

Comentários: Adoraria ainda ter uma foto do croquis que fizemos, mas infelizmente o iPhone do Francisco, que foi usado como câmera fotográfica durante toda a caça ao tesouro, foi perdido em Córsega😦. Desenhamos uma que se assemelha a essa aqui.

5. Vá até  a famosa sorveteria na Ilha de St. Louis… 1 ponto para cada sabor diferente que comprarem. 

Comentários: O destino fez com que deixássemos esse item para o final. Àquela altura do campeonato, 20 pontos ainda nos separavam do prêmio final: a tão esperada baladinha de mais tarde. Decidimos, então, do alto de nossas inteligências, fazer você-já-pode-imaginar-o-quê: obrigamos(!) cada um dos membros do grupo a pedir duas bolas de sorvete na Berthillon, a sorveteria mais fantástica não só de Paris, mas do mundo (quem lê o blog sabe que eu já encontrei “o melhor sorvete do mundo” umas três vezes) 

6. Encontre a mais antiga ponte da cidade. Qual o seu nome? E quem é o cara da estátua que se localiza no final? (5 pontos) 

Comentários: Passamos por um convento. Havia uma freira parada na porta com cara de paisagem. Desesperados, disparamos: Excusez, madame. Pourriez-vous me dire comment s’appelle le plus ancien pont de Paris? Para a nossa surpresa, ela, que não tinha nada do mundialmente conhecido “humor parisiense”, nos respondeu “bien sûr, c’est le Pont Neuf” e ouviu 10 apressados “merci beaucoups”. Rapidamente localizamos a ponte no mapa e enquanto andávamos (leia “corríamos”) em sua direção, pensávamos no interessante paradoxo formado entre o nome “ponte nova” e o fato de ela ser a mais velha de Paris.

Ah, já ia esquecendo de falar sobre a estátua! É o Rei Henrique IV de França. Ela foi destruída durante a Revolução Francesa (1972) e reconstruída em 1818, quando houve a retomada da dinastia Bourbon ao poder. A Pont Neuf é, sem sombra de dúvidas, a mais bonita ponte sobre o Sena e se tornou um lugar muito especial pra mim (cena dos próximos capítulos).

7. Encontre as escadas que levam até o Vert-Galant. Faça uma pirâmide humana (15 pontos) 

Comentários: Não conseguimos encontrar o tal do Vert-Galant de jeito nenhum (e antes que você pergunte se eu sou burra mesmo ou só finjo, eu digo que não, nós não podíamos usar o Google Maps porque todos os celulares e derivados foram confiscados no início da caça), mas pesquisando hoje, aqui em casa, descobri que é uma espécie de parque-galeria localizado no extremo norte da Île de la Cité. Fiquei triste por não termos ido lá, pois a vista deveria ser simplesmente magnífica. Opa, ta aí um bom motivo para que eu retorne à Paris um dia! rs

8. Caminhe por uma das margens da parte baixa do Sena. Escreva um haikai sobre… a água… (10 pontos) 

Comentários: HAIKAI? CE QUOI, CE BORDEL? (jamais repita as minhas ultimas palavras, caro leitor. Não seja boca-suja até em francês).

Não preciso explicar o motivo pelo qual pulamos esse item, certo? No entanto, a curiosidade bateu forte quando eu cheguei em casa e aí eu resolvi procurar na internet o que era um haikai, afinal, se um dia eu participar do Show do Milhão, saber o que é um haikai pode ser o que vai determinar se eu vou ficar rica ou continuar na rua da amargura da pobreza pro resto da minha vida #sonha. Então, fica aí a dica; se você tem esperança de ficar frente a frente com Silvio Santos um dia, abra outra janela e digite “haikai” no Google. Conhecimento nunca é demais #LaísAgenteDoSaber

9. Vá até o Panthéon. Descreva o Pêndulo de Foucault. Se tiver tempo, encontre a Rue Mouffetard. O que é vendido lá? Traga um presente para Luisa e Andrew (20 pontos) 

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Comentários: Luiz XV ordenou a construção do Panthéon em tributo a Santa Genoveva, padroeira de Paris, após se recuperar de uma grave doença. Hoje em dia, lá estão guardados os restos mortais de célebres personagens da história do país, como Émile Zola, Jean-Jacques Rousseau, Madame Curie, Descartes, Voltaire e Victor Hugo, o que justifica a frase “Aux grands hommes, la patrie reconnaissante” inscrita na fachada.

Em 1851, um pêndulo foi fixado ao teto do Panthéon. Este, que posteriormente ficou conhecido como Pêndulo de Foucault, demonstrou pela primeira vez o movimento de rotação da Terra em relação a um referencial.

Quartier Latin: um pedacinho da América Latina bem no centro da Cidade Luz.

Quartier Latin

A dois passos do Panthéon, ainda no 5º arrondissement, está localizada a Rue Mouffetard, popularmente conhecida como “La Mouffe”. Nesse arrondi, estão localizadas diversas instituições de ensino que são reconhecidas em todo o mundo, como a Sorbonne e a École Polytechnique. Durante o dia, as ruas do bairro são bastante tranquilas, porém, quando a noite chega, as luzes cintilam, os turistas misturam-se aos habitantes e os vendedores de crepe fazem fortuna enquanto os músicos de rua nos presenteiam com um ambiente festivo e descontraído. Uma delicia! Morro de saudades!

Retomando o foco do item, na Rue Mouffetard existem diversos restaurantes. Levamos para nossos abusados líderes de grupo uma caixa com muitos macarons, garantindo os 20 pontos.

10. Encontre com Andrew e Luisa no Kilometre-Zero às 20:30. 

Comentários: Praticamente toda cidade tem seu “kilometre-zero”, que é um ponto particular de onde as distâncias tradicionais de rotas, estradas, rodovias, etc, são medidas. O de Paris fica exatamente em frente à entrada principal da Catedral de Notre Dame.

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P.S: Se vocês conseguirem 100 pontos, nós os levaremos para dançar hoje a noite!

UH LA LA! 

Nem preciso dizer que suamos muito, mas conseguimos os 100 pontos, né?! Antes de recebermos a combinada recompensa, aproveitamos um delicioso jantar no Chez Marianne (2, Rue des Hospitalières Saint-Gervais), onde fizemos degustação de 10 coisas. Dentre elas, havia caviar, iguaria experimentada por mim pela primeira (e única) vez até então:

Na França, é comum que seja posto sobre a mesa uma cesta com pães e uma garrafa d'água logo após a chegada do consumidor ao restaurante, independente de qual será a sua escolha no cardápio. Estes itens são inteiramente gratuitos.

Na França, é comum que seja posto sobre a mesa uma cesta com pães e uma garrafa d’água logo após a chegada do consumidor ao restaurante, independente de qual será a sua escolha no cardápio. Estes itens são inteiramente gratuitos.

Depois, Andrew e Luisa nos levaram a uma balada “do povão” parisiense. Improvisada e construída à medida que mais jovens chegam às margens do Sena, a balada foge do requinte das caríssimas boates da Cidade Luz. Curtimos musica boa e gente fina sem pagar um centavo sequer; nos divertimos bastante sem que nos sentíssemos como turistas, mas sim verdadeiros locais. Adorei e super recomendo essa atividade totalmente não-turística para quem busca curtir um agito em Paris:

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