Bonjour de France! (pt. 1)

28 de Junho de 2012, às 01:43
Arquipélago de Cabo Verde

DSCN0351Já estou do outro lado do Oceano, mas se engana quem pensa que eu dormi esse tempo todo. A foto ao lado é a prova concreta disso: repara na minha  inigualável cara de felicidade (isso se você conseguir encontrá-la em meio a tanta olheira, porque né?!)

Assisti metade do filme “Compramos um Zoológico” ou algo do tipo, mas achei ruim pra caramba e desisti. Fora isso, já fiz playlists, assisti Grey’s Anatomy, escrevi, li, fechei a janela, abri a janela – mas não consigo enxergar nada lá embaixo, já que estamos a exatamente 11887m de altitude -, dei uma volta pelo avião, dormi, acordei e ainda faltam 4h16min para chegarmos à Paris.

Agora estamos nos aproximando da costa Africana. Lá fora, apenas -55 graus Celsius. Hmm, deve estar fazendo um pouquinho de frio, né? Dá pra ver o gelo que se formou no vidro da janela ao lado da minha poltrona. Aqui dentro a temperatura também tá meio baixa, mas suportável.

     França, faça valer cada segundo de espera por sua chegada e toda a expectativa que, sobre o cansaço, ainda crio.

Opa, achei um episódio de The Simpsons! Vou assistir, afinal, é só isso que tem pra hoje.

Às 02:51 (GMT -3),
Ilhas Canárias

Amanheceu há poucos minutos. Com certeza foi o amanhecer mais inusitado da minha vida, mesmo que eu não tenha visto exatamente o momento do nascer do sol. Vou explicar: quando deu certa hora, a comissária de bordo passou pedindo para (leia “ordenando”) que as janelinhas fossem fechadas para dar mais tranquilidade àqueles que mantinham um horário de sono fixo. Até aí, tudo bem. O problema é que se você ameaçasse abrir a janela, ela já vinha chamar sua atenção. Eu, curiosa que sou, fui chamada atenção algumas (muitas) vezes, hehe.

Na França já são quase 8 da manhã, mas aqui, pra mim, ainda tem mais 3h14min de voo pela frente. No mapinha a minha frente aparece “Las Palmas” há mais de uma hora e o inteessante é que parece que nunca chegaremos lá.

Agora sinto minha cadeira pequena demais para mim. Talvez seja porque trouxe uma mochila grande demais e quero mantê-la próxima a mim.

Pela janela, uma vista de tirar o fôlego: um nuance de azul que passa pelo verde e pelo amarelo, até chegar a um tom de rosa láaaa no horizonte. LINDO!

DSCN0358

Mais ou menos às 10h30 (hora local), finalmente cheguei ao aeroporto. Na imigração, o agente apenas me perguntou se era minha primeira vez na França. Eu disse sue sim e ele respondeu “bon séjour en France”. UHUUUUUUUL! Passei por aquela barreira me sentindo uma verdadeira patronne (pobre é realmente uma grande desgraça), mas nunca pensei que seria tão fácil e sem burocracia. Quando cheguei ao saguão das esteiras, vi minha professora de Francês de novo, agora pela última vez (Benza Deus! Não é possível que até em outro continente eu tenha que lidar com a gentalia da escola). Minha mala foi a última a aparecer, garantindo-me alguns minutos de pânico. Quando saí, logo vi o Andrew, líder do meu grupo, com uma papel onde estava escrito o nome do programa e o meu nome logo abaixo. Fui ao seu encontro e chegando mais perto vi que Irvine, o menino queniano, também já havia chegado. Os cumprimentei e Irvine já foi logo me contando uma história meio louca sobre ter vindo escoltado de seu país até lá. Bem, pelo menos foi isso que eu entendi, mas como eu estava morrendo de sono e cansaço naquele momento, preferi apenas absorver a história e não tocar mais naquele assunto. Naquele momento, porém, tive certeza de que Irvine era uma pessoa de personalidade única (e nos próximos dias, essa minha primeira impressão só viria a se confirmar).

Matamos as próximas 4 horas nos revezando entre jogos de baralho (eu sempre soube que um dia pagaria mico por nunca ter aprendido a jogar NENHUM jogo de baralho, nem aqueles mais simples, mas Andrew, que provou dominar a técnica, teve muita paciência para me explicar tudo e até que eu não dei muita vergonha não. Fiquei mais tranquila ao ver que Irvine também não era muito hábil, rs. Nos divertimos muito com nossas mancadas, a propósito), conversas, voltas pelo aeroporto e lanches até que o grupo americano finalmente chegou acompanhado de Luisa, a segunda líder. Ela me pareceu ser muito cool, pois tinha um visual descolado e carregava um ukulelê.

A primeira pessoa que reconheci dentre os meus colegas de grupo foi Kelsey, do Maine, com quem já havia trocado diversos emails. Generalizando, a principio os 7 americanos ficaram meio queitos demais para os meus parâmetros e eu imaginei que saco seria passar os próximos 40 dias com pessoas quietas. Me enganei redondamente.

Enquanto o ônibus que nos levaria ao hotel não chegava, Luiza propôs uma roda de Big Booty.

Tá, deixa eu explicar, não é NADA disso que você está pensando!

Trata-se de uma brincadeira americana onde você numera em ordem os componentes de um círculo e elege um deles para ser o big booty (dispensa tradução). Então, daí em diante, o objetivo é fazer com que a brincadeira flua de forma que cada um cante o seu numero e escolha um outro membro para dar sequencia, isso tudo sem perder o ritmo. Quem bobear, vira o big booty, que é encarregado de começar cada rodada da brincadeira que só tem fim quando todo mundo enjoa, ou quando vocês são expulsos do Arco do Triunfo por conta disso, mas shiiiiu! Isso são cenas dos próximos capítulos! Para ter uma melhor ideia do que é o Big Booty, jogo que marcou a minha viagem, veja o vídeo abaixo. O nosso tinha muito mais swag, mas tá valendo:

Foi bem difícil fazer com que a brincadeira fluisse por dois motivos: a falta de experiência dos alunos internacionais (Eu e Irvine) e também a falta de entrosamento do grupo.

Torre Eiffel escondidinha

Quando o ônibus chegou, escolhi um lugar e fui olhando a paisagem como quem estava hipnotizada. Um dos momentos de êxtase total foi quando passei pelo monumental Stade de France, palco da derrota do Brasil para a França na final da Copa do Mundo de 1998 (mas abafa essa parte).

Parecia que eu estava sonhado a cada vez que conseguia ver um pedacinho da Torre Eiffel escondido atrás dos prédios e construções

e mais uma vez agradeci a Deus por estar naquele lugar.

continua…

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