Allons-y!

27 de Junho de 2012, às 09:54 (Horário de Brasília)
em algum lugar do Atlântico, entre João Pessoa e Natal

     O avião decolou às 19:05. Me despedi de meus familiares sem muito chororô e segui para o primeiro obstáculo antes de finalmente embarcar: a segurança. Lá me aconteceu algo que não muito comum aqui no Brasil: tive de tirar meu casaco e botas e submetê-los ao raio-x. Lembrei-me de ter feito isso nos aeroportos americanos e pensei que fosse só mais uma das medidas neuróticas adotadas após os atentados de 11 de Setembro, mas depois de hoje, precisarei repensar essa teoria.

eu e minha mãe boladonas no aeroporto, haha

eu, a quantidade de roupa que eu estava usando e minha mãe bolada no aeroporto, haha

     Depois de recompor meu look, segui para uma fila que até agora não sei para o que serve. O fato é que esta era muito longa, o que fez com que eu quase perdesse o vôo. Era muito desconfortável olhar o painel, ver o número do meu vôo seguido de “embarque imediato”, virar a cabeça e ver que ainda havia um porrilhão de gente na minha frente. Enquanto não chegava a minha vez, só conseguia pensar na grande merda que seria perder o voo. Ao ver um rapaz chorando, lembrei-me de minha família, lembrei-me daqueles entes queridos que haviam ficado do lado de fora do portão de embarque com os olhos cheios de lágrimas. Aí juntou o nervosismo da fila que não andava com a emoção de só poder vê-los novamente daqui a 40 dias e eu senti vontade de ir lá, abraçar o carinha e chorar um rio junto com ele #LaísCarente

     Cheguei ao balcão, onde finalmente descobri a finalidade da fila: aquilo tudo era para que o agente do outro lado do vidro olhasse meu ticket, bem como identidade e autorização de viagem de menor desacompanhado. Finalizada essa etapa, corri em desparada para lugar nenhum, pois eu não tinha a menor noção de onde ficava o portão de embarque; tudo que eu sabia era que tinha de correr e CORRER MUITO.

     Finalmente encontrei o portal tridimensional que me levava para dentro do avião entrei! UFA! Menos mil quilos de preocupação na cuca.

Foi durante o lanche que notei a ilustre presença de Papai Noel bem ao meu lado. Que honra, não?

Enquanto conversava com a moça, notei a ilustre presença de Papai Noel bem ao meu lado. Que honra, não?

     Como fui uma das últimas a entrar no avião, pude perceber o quanto estava cheio e o quão grande era, já que passei por muitos assentos antes de chegar ao meu. Ao chegar, deparei-me com uma senhorinha muito simpática que logo pediu para que fossem deixadas de lado as formalidades e eu a chamasse de “você”. Ótimo! Conversamos bastante sobre os mais diversos assuntos.  Em apenas 3 horas de voo já sei sobre sua família, trabalho (ela é professora de química e está aproveitando a greve para viajar. É assim que se destrói o mínimo de esperança que você tinha de que os professores realmente vão militar nas ruas durante período de greve. Ainda falando sobre professores, tive o enorme (des)prazer de encontrar a pessoa que me ensinou francês durante o Ensino Fundamental no mesmo vôo. Alô, professores! Vamos fazer greve com propósito! E lembrem-se de que ninguém nunca está sozinho, muahaha)  e experiências. Admiro muito o povo brasileiro, que não tem papas na língua e puxa conversa com todo mundo mesmo. Isso pode assustar os estrangeiros, mas para mim, significa muita simpatia e muita lindeza junta num povo só. (Que foi? Sou coruja e patriota mesmo!)

     Agora estou a 2466km do meu querido e já saudoso Rio de Janeiro; a 4184 milhas de Paris. Eu aqui e a imensidão do Atlântico lá embaixo. Os comissários informam que o tempo nublado e chuvoso em Paris, mas a ansiedade é tanta que nem se eles tivessem anunciado uma nevasca eu me sentiria diferente. Não tem como se decepcionar com a Cidade Luz.

    De lanche, tive um copo de Coca Cola com salgadinhos com os quais me entalei. Nada grave, passou rápido. Para o jantar, escolhi frango com arroz com milho, que veio acompanhado de uma saladinha de batata e legumes. Ambos estavam deliciosos, bem como a torta de limão de sobremesa. Ah, esqueci de dizer que a qualquer momento você poderia ir até a cozinha e pedir picolés da Häagen Dazs. Air France puro luxo! Havia pão também, mas não peguei. Segundo minha parceira de viagem, eu tenho de provar o pão francês (não aquele que a gente compra na padaria, mas sim francês de nacionalidade), que é incrivelmente bom e diferente do nosso. Os defensores das empresas aéreas americanas que me desculpem, mas o franguinho com arroz com milho que eu comi hoje dá de 10 a 0 no frango doce que eu comi no voo United há alguns meses atrás.

     De vez em quando, sinto desconforto e pressão nos ouvidos, mas isso é normal. As turbulências também são. O voo está sendo ótimo, graças a Deus, e que continue assim até o destino final.

     Tenho um tercinho no bolso, que meu irmão me deu minutos antes do embarque. Existe coisa mais linda?

     O aviso de “mantenham os cintos apertados” permanece iluminado. Estamos quase cruzando a Linha do Equador e pelo que dizem, nessa área costuma haver muita turbulência. Que venha, estou preparada!
A esse ponto, ainda tenho mais 7:34 de voo pela frente. É, meu caro, quem disse que seria rápido? Quem disse que seria fácil?
Como não trouxe nenhum livro e as opções interativas não me entretem, vou tentar dormir um pouco para não chegar muito derrotada à Paris.

Dormir até a próxima turbulência, eu quis dizer.

     Acordei no meio da madrugada. Nunca havia sentido o avião tremer tanto como ao passar pelo trecho nordestino.

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