I left my heart in Charlotte

January 23rd, 2012

Charlotte, NC – Washington D.C

O dia seria pequeno para tanto choro.

Não, nós não estávamos preparados para deixar Charlotte. Haviamos nos apegado muito ao lugar e às pessoas que ali moravam.

Mas tinha chegado a hora: tinhamos de partir de volta para a correria e agitação de D.C (que agora, com os action plans, se intensificaria).

Aquela segunda-feira seria diferente: não acordaríamos cedo e esperaríamos o yellow bus na esquina de casa antes mesmo do sol nascer, não iríamos à Olympic, não veriamos o sorriso de Lara acompanhado de um high five, não nos reuniriamos e conversaríamos até a hora do primeiro compromisso.

Na verdade, para aquela manhã não havia nenhuma atividade planejada, nenhum compromisso, nenhuma saída, exceto a mais dolorosa de todas: a saída de Charlotte. E para não voltar mais.

Ao acordar, encontrei esses bilhetes espalhados pela casa:

20120626-010023.jpg

Coisa de Valentina. Coisa de Valentina para tornar ainda mais forte o meu aperto no coração. Chorando, recolhi todos e quando a vi pela primeira vez naquela manhã, abracei-a da maneira mais forte que pude. Iria sentir saudades, isso era indubitável.

Ela me disse que deveria me arrumar rápido, pois iriamos reunir o grupo para um inesquecível-último café da manhã no Cracker Barrel Old Country Store, um restaurante característico do sul dos Estados Unidos localizado na Carolina do Sul.

Cada um deu o melhor de si para que a alegria característica do Charlotte Team continuasse a predominar, ainda que sobre o enorme clima de despedida que nos assolava. Apesar das tentativas, meus olhos vermelhos entregavam o que se passava por dentro:

Com Michelle, host sister da Clara (e Rafael photo bombing).

Voltamos para casa com Michelle no volante. Não pude conter as lágrimas ao ouvir “Someone Like You” no carro; essa era, definitivamente, uma das trilhas sonoras da nossa viagem. Ganhei um abraço de Valentina como consolo.

Em casa, subi para meu quarto para arrumar as últimas coisas.

Minutos depois, ouvi batidas na porta. Era Valentina. Perguntou se podia entrar, sentou-se em minha cama e estendeu o embrulho que trazia nas mãos.

Era um presente, um presente de minha host family para mim. Abri e encontrei um iPod com fones de ouvido na minha cor favorita: vermelho. Não tive palavras para agradecer e segundo Valentina, nem precisava. Ela logo se ofereceu para colocar musicas para que eu pudesse me distrair durante os próximos voos.

Quando terminei de arrumar minhas coisas, desci para a sala e Chris pediu para que tirássemos nossas últimas fotos em família:

essa foto é im-pa-gá-vel!

Trang, minha host mother, havia se despedido de mim no dia anterior, antes da festa do Dr. Igor, o que fez com que eu chegasse na festa com os olhos vermelhos de tanto que chorei. Quando eu acordasse no dia de minha partida, ela já teria saído de casa para trabalhar, então, optou por se despedir no dia anterior. Devido a isso, somente Valentina e Chris me levaram ao aeroporto. Antes de dar a partida no carro, tirei essa foto para que lembrasse para sempre da casinha que me abrigou durante 12 dias na cidade rainha:

meaningful

Em mais um ato de extrema gentileza, Chris resolveu dar uma passadinha no McDonalds antes de me deixar no aeroporto. Embora a família não curtisse muito, achei muito simpático da parte deles abrir mão da dieta saudável para me levar ao McDonalds algumas vezes durante a minha estadia em Charlotte depois de saberem que eu simplesmente amo muito tudo isso. Durante o lanche, lembro que comentei algo sobre o tamanho gigante dos copos americanos e Chris sugeriu que eu trouxesse um copo de refrigerante do McDonalds como souvenir, haha.

Tenho o caminho até o aeroporto gravado em minha mente como uma série de fotografias e agora, escrevendo esse post, é como se todas elas fossem reveladas. Vejo a esquina onde eu e Valentina muitas vezes quase congelamos enquanto esperávamos o yellow bus para ir à escola, vejo as árvores nas proximidades do aeroporto que me fizeram ter uma péssima primeira impressão sobre Charlotte (depois entendi que elas estavam com aspecto de maltratadas por conta do inverno), o céu azul ciano e aquele solzinho timido querendo sair, embora lá embaixo continuasse um frio do cão… Essas são as últimas lembranças que tenho de Charlotte.

Ao chegar ao aeroporto, Chris e Valentina me ajudaram a tirar as malas do carro (a minha mala maior estava com a roda quebrada e estava me dando muito trabalho) e me despedi de Chris ali mesmo, no estacionamento, já que eletinha de estar no trabalho em alguns minutos.

E deu-se inicio o choro.

Entrei no aeroporto com Valentina e lá dentro encontrei todos os integrantes do grupo. Duas coisas nos eram comuns: os olhos vermelhos e a dor da despedida. Me despedi de todas as familias e quando olhei para trás, me surpreendi ao ver Chris entrando no aeroporto. Perguntei-lhe se não deveria ir trabalhar e ele disse que não poderia, que queria estar presente até o meu último momento em Charlotte. Resultado: chorei mais ainda e antes de fazer o check-in e despachar minhas malas, entreguei-lhe uma pequena carta que tinha escrito à familia. Pedi para que só abrisse quando chegasse em casa. Depois que vim embora, esta carta foi emoldurada e hoje o quadro fica ao lado do computador principal da casa como um eterno pedacinho de mim ali com eles.

worst moment: time to say goodbye

O voo de volta à capital foi bem rápido. Ao chegar ao Ronald Reagan Washington National Airport, percebi que minha mala estava com o puxador quebrado. Tentei correr atrás do prejuízo e o que ouvi da responsável pela entrega das malas foi que ela não poderia fazer nada, pois a mala não estava inteiramente quebrada. Segundo ela, era SÓ o puxador. Já havia visto uma reportagem no Fantástico sobre isso, mas só quando aconteceu comigo eu passei a acreditar indubitavelmente no que diziam sobre o descaso e a falta de cuidado do staff de alguns (sem generalizações, por favor) aeroportos em relação às malas. Preferi esquecer o episódio.

Depois encontramos o grupo de Tulsa e fomos juntos até o 4H. O grupo de Cleveland havia chegado mais cedo e fomos recepcionados por eles.

Aos poucos, os outros grupos foram chegando. Muitos abraços depois, traçamos algumas pizzas e fomos dormir após o anúncio de que visitaríamos a Embaixada Brasileira em Washington D.C. no dia seguinte.

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