“Gentileza gera gentileza”

– Já dizia o profeta Gentileza.

January 12th, 2012
Charlotte, North Carolina
 

Passei a noite toda conversando com Valentina enquanto comíamos a pizza que havíamos comprado mais cedo. Aproveitei o momento para entregar os presentes que comprei aqui no Brasil e fiquei feliz ao perceber que havia acertado na escolha! Valentina, que ama o Brasil e também esteve aqui como Jovem Embaixadora, amou os presentes, bem como meu pai. Eu aproveitei para fazer várias perguntas afim de conhecê-la melhor e saber um pouco mais sobre os costumes da família. Fiz algumas perguntas sobre a escola também, até que perguntei sobre o yellow bus.

Ah, o yellow bus… Símbolo da vida escolar americana…. Como eu queria andar num!

Disse a minha irmã que gostaria muito de um dia poder ir à escola de yellow bus e ela se surpreendeu. Disse-me que se preocupava e estava tentando arranjar um meio de transporte alternativo para os dias em que Chris não pudesse nos levar à escola. Ela realmente acreditava que eu não ia gostar de andar num yellow bus e justificou-se dizendo que talvez eu não me sentisse a vontade naquele ambiente… Na hora, fiz questão de expressar minha opinião e a minha vontade, o que fez com que ela se sentisse muito mais tranquila. “Amanhã iremos à escola de ônibus, então” – disse Valentina, o que me deixou muito, muito, muito feliz – “…só teremos de acordar um pouco mais cedo”.

E assim fizemos. Na manhã seguinte, minha irmã me acordou às 5h30 como havíamos combinado. Às 6h estávamos a postos no ponto de ônibus. Ainda não havia amanhecido (o sol demora a nascer nos meses de inverno no hemisfério norte) e Valentina insistia em dizer “the weather is cool today, isn’t it?“, enquanto eu afirmava veemente que não, tava fazendo era um frio de lascar! Era engraçada essa nossa diferença de referencial quando o assunto era frio. 20 graus pra quem vive no Rio é frio, enquanto essa mesma temperatura para quem vive em Charlotte é cool, como bem definia minha irmã.

20 minutos depois, o ônibus chegou. Quando entrei, a motorista me deu um “bom dia” animado. Respondi e segui para o corredor, onde logo no primeiro banco havia um menino dormindo enrolado num cobertor ocupando os dois bancos. Observei ao fundo a famosíssima galera do fundão. Sentei e o ônibus saiu.

Meu Deus, eu estou dentro de um filme!

O ônibus ainda passou por muitos pontos antes de chegar a Olympic. Quando desci do ônibus, me deparei com o estacionamento lotaaaaado de yellow buses e achei isso lindo (turista é uma desgraça mesmo). Estava cedo, e passamos no refeitório para comer alguma coisa e aí eu quase tive certeza de que estava em um filme.

Quando o sinal soou, seguimos para a sala 104, onde havíamos combinado de encontrar com o resto do grupo. A primeira atividade do dia seria um bate papo com alguns funcionários da Olympic. Mr. Realon nos recebeu e contou um pouco da história da escola: Antigamente, a Olympic High School não tinha estrutura boa o suficiente para atender a grande demanda de alunos do condado de Mecklenburg, até que em 2005 a escola recebeu ajuda financeira da Fundação Bill and Melinda Gates e se dividiu em cinco  “unidades” de acordo com as áreas de estudo. São elas: Biotech, Business, Global, METS (Math, Engineering, Technology and Science) e Renaissance. 

Mr. Realon nos mostrou vídeos que comprovam o ativismo comunitário dos alunos da escola. Os alunos de engenharia, por exemplo, voluntariamente construíram casas de três quartos que serão financiadas a famílias de baixa renda a longo prazo e baixo custo. Enquanto uns construíam efetivamente as casas, os alunos de outros departamentos trabalhavam para conseguir os 70 mil dólares necessários para a compra de materiais de construção. Admirável, não?

E não pára por aí! No natal, os alunos arrecadaram brinquedos que foram dados a crianças carentes de uma escola local de nível elementar. Durante o ano todo eles desenvolvem estudos para testar a qualidade da água que é disponiblizada aos habitantes de Charlotte e em novembro, participaram de uma corrida estudantil que uniu 11 outras escolas do condado com o objetivo de arrecadar alimentos. Por essas e outras razões, no final do ano, os professores da Olympic High receberam “grants, uma determinada quantia em dinheiro que deve ser usada para a compra de materiais de cunho didático visando a melhoria das aulas e/ou implantação de novos projetos. Parabéns, Olympic!

PS: Se você clicar nos links em vermelho, será direcionado à página da FOX Charlotte, onde estão disponíveis as matérias na íntegra e também os vídeos.

Assistimos também ao LipDub da escola, que é um vídeo produzido pelos alunos visando promover a escola mostrando suas dependências e facilidades. Eu amo esse vídeo e choro toda vez que clico no play e revejo cada cantinho e todas as pessoas. Tenho certeza de que você também vai gostar:

Breve pausa para foto em meio a separação de alimentos.

Terminado o bate papo super interessante e motivador com Mr. Realon, fomos à 2nd Harvest Food Bank of Metrolina, que se localiza próximo a Uptown Charlotte (centro da cidade; como Charlotte é puro glamour, o centro não chama “downtown”, mas sim, “uptown”. Riqueza!). Trata-se de uma organização que tem como objetivo acabar com a fome fornecendo comida aos mais necessitados. A SecondHarvest já serve 14 condados na Carolina do Norte e 5 na Carolina do Sul e pretende expandir suas áreas de influência nos próximos anos. Aproximadamente 76% da comida distribuida por eles provém de doações particulares;  19%, do governo e os outros 5% vêm de arrecadações e compras. Só para se ter uma ideia, entre os anos de 2009 e 2010 foram distribuidos 15 milhões de quilos de alimentos.

Havia muitas caixas de alimento, o que me fez sentir infinitamente feliz. Percebi que alguns produtos estavam amassados, abertos e/ou enferrujados. Infelizmente algumas pessoas ainda têm o pensamento egoísta e individualista de só doar aquilo que não as serve mais. Entretanto, o lema da organização é “não de para os outros aquilo que você próprio não comeria”. Isso mostra a seriedadade, comprometimento e preocupação daqueles que ali trabalham para/com o próximo.

Em meio ao trabalho sério, o meu Charlotte Team sempre encontrava uma brecha para uma brincadeira ou piadinha idiota que só nós, brasileiros, entendíamos. Veja com seus próprios olhos o motivo das nossas risadas naquele dia:

Pinto Beans. Dispensa maiores comentários.

Separamos tudo, varremos o local e depois recebemos os cumprimentos dos funcionários  da 2nd Harvest pelo grande trabalho que tinhamos feito. Em poucos minutos, havíamos separado diversas caixas de alimento, mais uma prova de que a união faz a força. Existe algo mais gratificante que isso?

Foto do grupo após o final do voluntariado.

Tinhamos mais dois lugares para visitar antes do término das atividades. Fomos primeiro a uma organização comunitária que entrega mais de 600 refeições diariamente para idosos, portadores de deficiências físicas, convalescentes, etc, chamada Friendship Trays. Eles entregam grandes porções alimentícias e boa parte do que é entregue é produzido pelos próprios em um jardim orgânico situado na parte de trás do terreno. Além disso, a Friendship Trays oferece programas de capacitação culinária para jovens e adultos.

Os voluntários haviam preparado um almoço para nós. Chegamos no refeitório, vimos que tinha frango desfiado e quase morremos de felicidade. Abastecemos nossos pratos e quando colocamos o primeiro garfo na boca, percebemos que o frango era doce. Tivemos o (des)prazer de conhecer o tão famoso sweet chicken e essa era a primeira das muitas trolladas culinárias que iríamos levar em Charlotte.

Superamos o almoço e seguimos para a última visita: o Relative’s Crisis Shelter. Trata-se de um abrigo que está em atividade desde o ano de 1974 e é destinado a crianças e jovens que fugiram de seus lares, foram expulsos, não tem casa e até mesmo para aqueles que a família está passando por um momento difícil. Enquanto as crianças estão afastadas de seus familiares, a equipe do abrigo faz todo o possível para reconstruir a estabilidade e a harmonia nas ditas casas. O trabalho que eles desenvolvem é bastante importante e foi emocionante ter contato com aquelas crianças. Questionamos algumas regras do abrigo, como a capacidade máxima de 9 crianças e o tempo limite de estadia, que é de apenas 14 dias, mas ficamos felizes ao saber que eles pretendem expandir o projeto. Fizemos um jogo com as crianças onde tinhamos que ler uma frase e explicá-la a partir do nosso ponto de vista e depois os meninos jogaram basquete e nós, meninas, ensaiamos uns passos de uma dança country.

Para finalizar o dia, fizemos um tour por Charlotte passando por alguns lugares legais

at Queens University of Charlotte

Voltamos para a Olympic e logo minha mãe apareceu para me buscar. Fiquei feliz por ter tido oportunidade de conversar um pouco mais com ela durante o trajeto, mas confesso que naquele momento ainda era complicado de entender o que ela falava por causa de seu sotaque asiático. Eu tinha que me desligar do mundo lá fora e focar completamente nela, sabe? Enfim, no final das contas, era legal. Eu aceitava um desafio cada vez que comunicava com ela e dessa forma eu me superei, evolui e aprendi muito! Foi assim que também acabei descobrindo que minha família real se assemelhava àquela que me acolhia em muitos aspectos. Isso me fez sentir mais a vontade.

Quando chegamos em casa, minha mãe foi logo preparar o jantar mas no meio dos preparativos, a Erin (irmã da Késia) ligou para o celular da Valentina nos convidando para ir comer cupcakes com elas. Ao desligar, a minha irmã perguntou se eu aceitava o convite, e eu disse que sim. Pensei que iríamos a casa da Erin, mas nossa mãe dirigiu rumo a Blakeney, um complexo de lojas localizado na Rea Road e estacionou em frente a Sas Cupcakes. Quando entrei, foi isso que vi:

É o sonho de qualquer menina, né? A loja era linda e toda rosa, como vocês podem ver. Eu nunca tinha comido um cupcake antes, então escolhi o segundo das fotos grandes na parede pela cara bonita que ele tinha. E olha, é bom, viu?!

Conheci o namorado de Erin (que é brasileiro) e a Alisson, e conversamos bastante.

Não demoramos muito lá; voltamos pra casa, jantamos e dormimos.

O dia seguinte teria um toque de Brasil…

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