Welcome to the Queen City!

January 11th, 2012
Washington D.C – in the clouds – Charlotte, NC
 

Depois da comida mexicana do dia anterior (e toda sua pimenta), a equipe da World Learning orientou que fossemos aos nossos quartos e começássemos a arrumar as malas. Embora estivéssemos muito cansados, sabíamos que não dava para deixar para o dia seguinte, pois tinhamos que fazer o checkout no 4H ainda pela manhã.

No primeiro dia, eu, Tais e Mellis (minhas roommates) acordamos em não fazer muita bagunça. Este acordo garantiu organização durante os dias e facilidade na hora de fazer as malas para ir embora.

Acordamos cedo – 6h30, se bem me recordo -, colocamos os últimos itens (escovas e pastas de dente, roupas de dormir, chinelos, etc) dentro das malas e descemos para tomar café: bacon, ovos, panqueca e hambúrguer. Era mais ou menos 8h da manhã e a esse ponto, os grupos de Seattle e Bozeman já estavam longe (estes grupos tiveram de sair do 4H ainda de madrugada devido à distância entre D.C e seus respectivos host states). Sentimos falta deles e esta foi a confirmação de que havíamos nos tornado uma família. Depois do café da manhã, voltamos aos quartos para buscar nossas malas e levá-las para o saguão do 4H, onde o staff e os grupos de Charlotte, Cleveland e  Tulsa esperavam para rumar ao aeroporto. Me despedi de todos e aproveitamos para tirar algumas fotos em frente ao 4H; só voltaríamos a vê-lo daqui a 12 dias:

Gláucia e eu

Algumas fotos depois, fomos todos juntos ao Ronald Regan Airport. Gente, este é, sem exagero nenhum, o aeroporto mais bonito que eu já vi em toda a minha vida! Riqueza total! Do lado oposto ao que esta foto foi tirada, há uma bandeira americana enoooorme. By the way, já disse que o patriotismo americano é algo que eu admiro muito? Voltando ao assunto, apesar de ser o estado mais próximo de DC, os tripulantes do voo (sem acento, ok, um dia eu me acostumo) para a Carolina do Norte foram os primeiros a serem chamados para os procedimentos que antecedem o embarque. Demos os últimos abraços em cada um dos nossos amigos de Cleveland e Tulsa e seguimos para a pesagem. Lembro que minha mala pesou exatamente 50 pounds (aproximadamente 23 kg), o limite permitido. UFA! Depois disso: segurança. Todos sabem que esse quesito se tornou coisa seríssima nos Estados Unidos após o 11 de Setembro. Lembro de ter de tirar casaco e sapatos e colocá-los em bandejas separadas para que passassem pela inspeção no aparelho de Raio-X. Depois passei pelo detector de metais (onde você tem que dançar o tchan, segundo o Luiz Alberto, devido às necessárias mudanças de posição do corpo e das mãos: em cima da cabeça, mais pra cima, mais pra baixo… rs). Depois disso tudo, finalmente pude sentar e recompor a minha vestimenta: coloquei os sapatos e o casaco e estava pronta de novo.

Na ida, ninguém teve problema com a segurança, nem com a pesagem. Já na volta… OK, NÃO CONTAREI AINDA. ISSO FAZ PARTE DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS!

A Anna, facilitator da World Learning e coordenadora do Charlotte Team, havia levado dinheiro (fornecido pela World Learning/Embaixada) para que pudéssemos fazer um lanche antes de embarcar. $10 na mão de cada um e estávamos livres para comer onde quiséssemos. Escolhi o Auntie Anne’s, que é uma famosa bakery especializada em pretzels e pedi um jumbo pretzel dog com refri. Além de ser delicioso, saiu por menos de $10, ou seja, comi bem e ainda guardei algumas moedinhas, rs. Havia também outras opções na praça de alimentação do aeroporto, como a Dunkin’ Donuts, onde vende-se aquelas rosquinhas dos Simpsons e aquelas que os policiais comem dentro das viaturas nos filmes. São ótimas!

Quando acabamos de comer, já estava na hora de embarcar. Seguimos para o portão e, enfim, entramos no avião:

Eu e Rafa, já dentro do avião.

we are halfway there!

Ladies and Gentlemen, 
welcome aboard!

Estava chovendo quando decolamos e confesso que isso me deixou um pouquinho apreensiva, não com medo, rs. Este fato atrasou um pouco a nossa saída. O voo até Charlotte, nossa host city, duraria apenas 1 hora. A ansiedade era visível nos olhos de cada um de nós. Queríamos chegar e abraçar aqueles que nos acolheriam durante quase duas semanas, queríamos chegar e conhecer cada pedacinho daquela cidade linda que nos esperava reservando muitas surpresas. Késia e Rafael ocupavam os assentos ao meu lado, porém o perímetro do espaço pessoal de cada cadeira era pouco para nós: invadíamos os espaços um do outro e conversávamos sobre os mais diversos assuntos, desde religião até os itens curiosos que ilustravam a revista de bordo do duty-free, como Vodka por $19. Era só uma horinha, mas o tempo se arrastava… Parecia que nunca iríamos chegar em Charlotte quando:

Bird’s eye view of my beloved “Queen City”

Ladies and gentlemen, we have started our descent in preparation for landing, please make sure your seat backs and tray tables are in their full upright position. Make sure your seat belt is securely fastened and all carry-on luggage” …

YEEEEEEEEAH! FINALLY! – comemoramos mesmo, em alto e bom som. 

Alguns segundos depois, ouvimos: “We have just landed at Charlotte Douglas International Airport. Welcome to Charlotte!

We’re absolutely ready to hit this city!

Lara, a coordenadora da International House of Metrolina (organização que cuidaria da gente e da nossa agenda enquanto em Charlotte) nos recebeu no aeroporto com plaquinhas desejando as boas vindas. Seguimos de van para a Olympic High School, nossa mais nova escola. MA-RA-VI-LHO-SA! O Luis, um senior (aluno do último ano do ensino médio) muito simpático e de origem mexicana nos recepcionou com uma canção no violão. Depois ouvimos o pronunciamento de um funcionário da Olympic, que nos parabenizou .

Cartaz de boas vindas

Algum tempo depois, nossos host parents foram chegando. A principio, só um aperto de mão e um abraço seco. Quando minha mãe chegou, abracei-lhe fortemente, como faço com todo mundo. Talvez isso a tenha assustado um pouco.

A família de Igor tinha levado um bolo achando que era aniversário dele. Foi bastante engraçado, pois ninguém entendeu o motivo da comemoração, já que o Igor faz aniversário no dia 10 de dezembro. Acho que eles fizeram confusão com o formato dd/mm/yyyy do Brasil (nos EUA é mm/dd/yyyy; o mês é descrito em primeiro lugar, seguido do dia). Mesmo assim, não fizemos desfeita: comemos o bolo, tomamos refrigerante (é claro!) e encaramos aquilo como uma comemoração a nossa chegada. Terminada a festa, fui colocar minhas malas no carro de minha mãe e acabei quebrando a roda da mala maior (isso ia me trazer muitos problemas depois). Desprezando este fato, entrei no carro e segui pra casa atenta ao caminho, enquanto minha mãe e irmã me falavam sobre sua casa, bairro etc.

Chegando em casa, Valentina fez questão de me mostrar cada cômodo. Era uma casa linda, muito diferente dos padrões Brazucas. A cozinha, a sala de estar e a sala de jantar ficavam no andar de baixo, enquanto os quartos (dos meus pais, o meu e o da Valentina), banheiros, lavanderia e uma segunda sala que servia de escritório do meu pai ficavam no andar de cima. Tudo era muito novo para mim: adorei a TV gigante e o fato de ter uma cama de casal só para mim em meu quarto. Tanto a cidade quanto a minha família (principalmente) superaram todas as minhas expectativas.

Valentina, eu e Trang ou minha irmã, eu e minha mãe.

Quando chegamos em casa, meu pai ainda estava trabalhando. Depois de conhecer toda a casa e acomodar as malas em meu quarto, desci para a cozinha e fiquei conversando um pouco com a minha mãe. Então ele chegou e eu o surpreendi com um abraço. Senti que ele ficou meio sem saber o que fazer; aquilo era realmente inusitado, já que americanos não costumam abraçar. Me senti um pouco mal por ter feito aquilo, mas era o meu jeito, é coisa da nossa cultura, né?

Depois eu iria entender… E se eu soubesse o efeito que aquele abraço iria surtir, eu teria dado mais; teria intensificado mais ainda todos os abraços que dei nos membros de minha host family.

Logo minha mãe teve de sair para trabalhar e Chris (agora percebi que ainda não havia dito o nome de meu pai) sugeriu que fossemos ao Walmart comprar algumas coisas para o jantar. No caminho, ele se esforçou para me conhecer melhor e eu gostei disso. Estava começando a me sentir mais a vontade e mal poderia imaginar o laço que construiria com aquelas pessoas.

Você deve estar achando estranho eu escrever “pai”, “mãe” e “irmã”. Antes de viver essa aventura eu também achava que esses eram substantivos muito fortes, pelo qual não podemos chamar outras pessoas senão os verdadeiros. Hoje, dois meses após a minha volta para casa, é este o sentimento que expresso por Chris, Trang e Valentina: São meu segundo pai, minha segunda mãe e minha única irmã; eles me acolheram e cuidaram de mim no momento em que eu sofri um impactante choque cultural, no momento em que eu cheguei em um lugar desconhecido e tive de conquistar aquela terra, superar as barreriras linguisticas e culturais. Estas pessoas fizeram de tudo para me proporcionar uma experiência inesquecível. Não consigo falar neles sem chorar, não consigo falar sobre o que vivi em Charlotte sem me emocionar. Foi realmente muito especial pra mim, pois mudou minha vida e minha forma de ver o mundo.

Enquanto escrevo, lembro de cada minuto do meu primeiro dia em Charlotte. Fecho os olhos e viajo de volta pra lá. Vejo tudo como vi pela primeira vez: o hall de entrada da Olympic, a paisagem da janela do carro, o caminho até minha casa, os cômodos, a minha cama, minha host family, meu Charlotte Team, e de certa forma, posso até sentir de novo o "ar com cheiro de pinho, sal e maresia, um aroma que só existe nas Carolinas", como bem disse Nicholas Sparks em "A Walk to Remember"

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