A life lesson

January 10th, 2012
Washington DC
 

Maioria das pessoas já fizeram uma lista de coisas para fazer antes de morrer. Comigo não foi diferente: há algum tempo atrás, comecei a construir a minha enumerando objetivos a alcançar, metas a atingir e desejos a realizar. Acredito que tenhamos de impor goals às nossas vidas; é como o combustível para continuar seguindo em frente e almejando sempre mais. Pois bem, constantemente acrescento novos goals a minha lista de “100 coisas para fazer antes de morrer”, com tanta frequência que em breve terei de trocar o número para 200. Abaixo seguem alguns dos itens que a compõe:

  1. Ser médica

  2. Voluntariar na África fazendo cirurgias gratuitas de correção de lábios leporinos

  3. Bungee jump na Bloukrans Bridge

  4. Adotar uma criança

  5. Plantar uma árvore e abraçá-la

  6. Viajar para ver a Copa do Mundo

  7. Sair às ruas com uma plaquinha escrita “free hugs”

Visto isso, voltarei a fita um pouquinho para recapitular a noite passada. Antes de dormir, tivemos workshops sobre liderança e discursos públicos, além de um workshop especial com os jovens embaixadores veteranos. Fomos separados em pequenos grupos e eles nos falaram sobre as oportunidades pós-programa de maneira muito dinâmica através de um jogo de perguntas e respostas sobre o tema principal da apresentação. O grupo que errasse ou não soubesse a resposta, faria todo o grupo pagar uma prenda. O meu grupo demorou muito para citar o nome de um antigo jovem embaixador que tenha ganho uma das bolsas de cursos de verão e demos início à pagação de mico dançando Cupid Shuffle:

Depois, todo mundo destrambelhou a pagar mico, o que fez com que dançássemos ainda Cha Cha Slide e terminássemos a noite com chave de ouro dançando o clássico Thriller, que foi gravado para o Caldeirão.

Dormimos e, algumas horas depois, mais um gélido dia amanheceu. “Meu último dia inteiro em Washington D.C.” – pensei. Acordei cedo e, acompanhada por outros Jovens Embaixadores, saí para uma caminhada matutina. Apesar de estar usando muitas camadas de roupa, ainda conseguia sentia a brisa fria tocar minha pele. O estranho é que eu estava adorando aquela situação e, para falar a verdade, eu poderia continuar andando por longos minutos, talvez até algumas horas. Pensamos em ir até a fronteira de Maryland com D.C., porém receamos não conseguir estar de volta no horário combinado. Como horário lá é coisa séria, andamos alguns quarteirões e decidimos voltar para o 4H. Naquele dia, o staff da World Learning pediu para que vestíssemos roupas confortáveis e que pudessem ser sujas, pois, no português claro, tinha chegado na hora de “meter a mão na massa”: iríamos voluntariar pela primeira vez desde que chegamos aos EUA e eu iria realizar o item 5 da minha lista \o/

Entramos no ônibus e após 40 minutos de viagem, chegamos ao Riverside Center, uma organização do subúrbio da capital americana e de iniciativa inteiramente sustentável que se fez ativa no reflorestamento do Marvin Gaye Park.

No verão de 2004, a organização desenvolveu um projeto artístico-comunitário denominado “Art on the Block”. Para o êxito do mesmo, contaram com o auxílio indispensável de voluntários locais para decorar paredes com mosaicos representando heróis e momentos históricos. Tanto a decoração quanto o reflorestamento do parque visam o renascimento do bairro. Mas não pára por aí: o Riverside Center também oferece  alimentação orgânica.

Fomos recepcionados por um dos voluntários da organização e levados ao parque ondeplantaríamos árvores. Uma breve instrução nos foi dada e… MÃOS A OBRA! Preparamos as covas, limpamos os galhos que haviam entrado em covas pré-existentes e eu me encarreguei da parte pesada e suja do trabalho: o adubo orgânico. Corajosa, não?

Eu e Rafaela descarregamos três ou quatro pickups cheias de esterco, enquanto um segundo grupo o recolhia do chão e colocava em carrinhos de mão. Estes carrinhos eram levados por um terceiro grupo até as covas, onde o quarto (e último) grupo de embaixadores esperava para encher as covas. Ufa! O braço doía um pouco, mas a realização era tanta que eu não estava nem ligando. Não pensei em parar um minuto sequer. Eu estava tão ativa que quando os descarregamentos acabaram, eu passei a ajudar os outros grupos.

Assim que as mudas chegaram, as plantamos e enfim envolvemos-na em um abraço coletivo. Ao final, estávamos cansados, suados e imundos, porém, felizes. Aproveitamos para tirar algumas fotos para eternizar o momento:

Em homenagem a edição comemorativa de 10 anos do Programa.

Almoçamos pizza na Riverside e depois voltamos para o 4H para mais workshops. Phoebe, como sempre, dirigiu um workshop maravilhoso sobre sustentabilidade voltado ao planejamento dos nossos action plans. Lembro especialmente das seguintes frases postas por ela:

“Sustainability is like a tree with spreading branches and deepening roots. The branches represent the growing outreach of developing activities”

E o que tudo isso queria dizer? Quando desenvolvemos um projeto que tem como objetivo principal o bem de outras pessoas, devemos ter certeza de estarmos nos erguendo sobre algo sólido. Devemos fazer aquilo que está ao nosso alcance; começar de baixo, porém, fortes e constantes. Não dá para idealizar um projeto de proporções gigantescas se não houver condições de fazer com que ele saia do papel. Pior que isso é iniciar algo e não ter recursos (e ao dizer recursos não me refiro só a parte financeira, como também a estrutural e principalmente a psicológica) para continuar. Como ficariam as pessoas envolvidas se isso acontecesse? Desamparadas? …Para desencadear essas reflexões, Phoebe comparou os nossos projetos a uma árvore. Era necessário que eles tivessem raízes profundas, para que primeiramente pudessem crescer e, depois, desenvolver galhos no sentido de propagar, expandir-se.

Depois disso tivemos uma horinha para organizar nossas malas, afinal, até o final da manhã todos deixaríamos Washington. Malas prontas, descemos para finalmente receber informações sobre nossas host-families. Mesmo que já tinha tido o privilégio de conhecer minha host sister antecipadamente, esse momento não deixou de ser mágico para mim. Descobri algumas informações sobre o lugar onde iria morar, como o número de animais de estimação, endereço, telefone. Vou confessar que joguei no google maps no mesmo momento. A ansiedade era muito grande e ao ver a minha casa, senti pela primeira vez muita vontade de chegar logo em Charlotte para sentir aquele gostinho de vida real-cinematográfica, sabe? Eu mal podia imaginar que depois não ia querer é vir embora de Charlotte!

Finalizamos a noite com……. ARROZ E FEIJAO! fail. A World Learning, de muito boa vontade e tentando nos agradar ao máximo, providenciou para o nosso últmo jantar em Washington algo que se assemelhasse à culinária brasileira: burritos com recheio de arroz, feijão e carne e para beber, suco de laranja.  Convenhamos: todos sabemos que comida igual a nossa não há, mas visualmente aquilo estava ótimo!

Visualmente, ok.

Arroz, feijão e carne e um suquinho de laranja… Perfeito! O que mais eu poderia querer? Sentei, dei a primeira mordida e…. PIMENTA! omg, pimenta, MUITA PIMENTA.

“Mexicanos… Sempre calientes!” – pensei estereotipadamente – Ainda bem que eu tenho aqui um suquinho de laranja bou beber e vai ficar tudo tranqui…. OMG, MAS ISSO É CÍTRICO DEMAISSSS! Vixe! Era muta coisa pra um jantar só. Tiramos essa foto e nossas caras condenam:

Fomos dormir. No dia seguinte, tudo ia mudar…

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