LET IT SNOW!

January 9th, 2012
Washington DC
 

Após um workshop matutino, voltei ao meu quarto para pegar algumas coisas antes de sair. Voltaríamos a Chinatown para almoçar. Fiquei realmente muito feliz, pois no dia anterior havia desejado poder voltar lá. E dessa vez o meu desejo seria realizado por completo: teríamos tempo de explorar tudo aquilo da maneira que bem entendêssemos.

Mas voltando para não fugir do propósito inicial do post, fui ao meu quarto e enquanto arrumava as coisas na mochila, ouvi repetidas batidas intensas em minha porta. “Quem está morrendo?” – pensei. É sempre esse o primeiro pensamento que passa pela nossa cabeça quando sentimos uma ponta de desespero emanando de alguém, certo? Abri a porta. Era Thaciane e…

Thaci: CORRE, CARIOCA! TÁ NEVAAAAAAAANDO! 

Laís (ou carioca, como queira): MENTIRAAAAAA!

Mas não era mentira, era a verdade mais linda que meus olhos já presenciaram. Flocos de neve caíam do céu e tocavam minha pele, enquanto lágrimas de emoção inundavam os meus olhos e desciam pelo meu rosto. Eu realmente estava ali, eu realmente tinha conquistado aquilo.

Então eu sorri.

Era incrível como não só eu, mas todos nós estávamos passando por um momento de emoções mistas. Riso e choro eram constantes e simultâneos.

Mesmo com neve fina, fizemos a tradicional guerra de neve. Era uma oportunidade única! Não sabíamos quando veríamos aquele maravilhoso fenômeno natural de novo. Muitas fotos e vídeos depois (inclusive, há um vídeo muito “vergonha alheia” que gravamos para o Caldeirão nesse momento. Sabe aquela sensação de “nooossa, por que eu fiz isso?”? Pois é, foi isso que nós sentimos ao rever o vídeo alguns dias depois do episódio original. Se for ao ar, você vai saber do que eu estou falando, rs.), entramos no ônibus e fomos almoçar.

Quase todas as grandes cidades americanas têm uma Chinatown. Como o nome bem diz, Chinatowns são bairros onde há ampla influência chinesa. E o pedacinho da China no coração dos Estados Unidos não é diferente: A Chinatown da capital é um pequeno bairro histórico compreendido entre as ruas 5th e 8th repleto de lojinhas xing-ling que eu adorei, diga-se de passagem (mesmo sem ter comprado nada). Você pode pensar que não, mas tem MUITA coisa legal pra se ver em apenas 3 blocos. Vale a pena parar para prestar atenção em cada mínimo detalhe da arquitetura dos prédios e principalmente nas inscrições em mandarim logo abaixo dos nomes das lojas em inglês. Aliás, isso foi algo que me chamou muita atenção. Escolhemos o McDonalds para “almoçar”. Diferente da primeira vez, cada um pediu seu próprio combo (no dia anterior, nossa primeira vez, contamos com a ajuda de minha doce, prestativa e nativa irmã para fazer

os pedidos, já que ficamos um pouco enrolados com o esquema dos meals, free refill – coisas com as quais não estamos acostumados – e com o troco também) e sentamos para comer. O ambiente era aquele de filme: na mesa da frente, jovens com full size headphones e roupas largadas engajados numa conversa visivelmente descontraída e cheia gírias, sem falar daquela fatídica ginga jovem na voz. Do outro lado, aquele executivo em terno e gravata devorando um big mac e aparentando estar atrasado para uma reunião de negócios. E os brasileiros, claro! Gente de todos os estilos se encontra dentro de um McDonalds. O pequeno de lá é o médio daqui. Americanos têm mesmo essa mania de grandeza em porções alimentares. Isso serve principalmente para os refrigerantes. Adoramos! Ah, e os Sundaes, que em território Tupiniquim não saem por menos de R$4, custam apenas $1,10 (taxas já inclusas) no perímetro do Tio Sam. Maravilha!


Friendship Arch

Todo mundo de barriga cheia, nos encontramos no Friendship Arch e fomos divididos em alguns grupos. Cada um iria a um lugar diferente. Meu grupo foi ao National Portrait Gallery, uma famosa e importantíssima galeria de arte administrada pelo Instituto Smithsoniano onde estão expostas diversas coleções de imagens de famosos Americanos. No interior da galeria há um espaço climatizado conhecido como Robert and Arlene Kogod Courtyard. Lá tivemos uma bate-papo com uma das funcionarias do escritório da World Learning. Ela nos instruiu sobre o correto uso das redes sociais e falou-nos também sobre a importância de construir um perfil profissional e sobre manter um certo tipo de comportamento nas mesmas, afinal, existem várias pessoas que têm acesso ao seu perfil e quem você menos imagina pode estar de olho em você. As informações que disponibilizamos podem influencias na nossa contratação para um emprego, por exemplo. Essa conversa foi muito enriquecedora! Essa aqui em baixo sou eu na National Portrait Gallery:


Depois tivemos oportunidade de fazer algo comum na rotina dos americanos: andar de metrô. Seria a primeira vez de muitos Jovens Embaixadores, mas não a minha, pobre mortal que vive pra lá e pra cá no underground carioca. Posso afirmar que os trens daqui não chegam nem aos pés dos americanos e não é mais um daqueles clichês de superioridade yankee que ouvimos por aí, é a pura realidade. Eles são realmente climatizados e tem lugar pra todo mundo sentar. Seria injusto generalizar com um “sempre”, menos no horário em que eu fui (meio da tarde), não havia ninguém igual sardinha em lata no metrô. Tá, você deve estar se perguntando para onde estávamos indo. Pegamos o metrô na Gallery PI-Chinatown com destino à Pentagon City, em Arlington, VA. A equipe do World Learning nos levou ao Pentagon City Mall para um finalzinho de tarde de compras. O shopping é enorme e lindo, super recomendo! Tem lojas da Macy’s, Apple, Victoria’s Secrets, Forever 21, MAC, etc, além das muitas opções de restaurantes e fast foods. Comprei alguns perfumes na Victoria’s Secret e cada um saiu por menos de $5 já que maioria dos produtos da loja estavam com descontos de até 75%. ACREDITE SE QUISER! Comprei também um casaco e uma camisa “I DC” bem turistona mesmo, sabe?

A noite, quando saímos do shopping, uma fina camada de neve cobria o chão e o frio ainda era intenso. As janelas do ônibus estavam completamente embaçadas e intuitivamente comecei a “escrever” algumas palavras com o dedo. Somente algum tempo depois me dei conta do que estava fazendo, e uma das palavras que escrevi durante o meu devaneio foi “saudade”. Sentia saudades do Brasil, da minha família e dos meus amigos, mas também já sentia saudades dos momentos maravilhosos que tinha vivido em Washington D.C em apenas 3 dias. Eu realmente tinha me apegado àquele lugar. Desejei ter uma máquina do tempo para poder voltar ao momento em que avistei o 4H pela primeira vez e recomeçar tudo de novo. Nesse momento lembrei que o meu penúltimo dia em Washington estava chegando ao fim. Só tinha mais um dia para desfrutar de tudo que aquela cidade linda tinha para me oferecer, cidade aquela pela qual nunca imaginei me apaixonar, afinal, quem diria que a garota do litoral iria se apaixonar pela selva de pedras que abrigava uma dezena de monótonos prédios brancos de arquitetura ora grega, ora neoclássica? Pois é.

Vim conversando sobre o Rio de Janeiro com o pessoal que estava sentado próximo a mim, mas não conseguia parar de pensar no momento de dizer adeus a Washington. Não queria que esse momento chegasse. Convenhamos: é um pouco assustador pensar que daqui a um dia você cairá de paraquedas na casa de uma família desconhecida.

"E se eles não gostarem de mim?  
E se eu não entender o que eles dizem? 
E se...?" 

Essas perguntas rondavam a minha cabeça, mas sabia que o tempo se encarregaria de respondê-las.

"Tudo tem o seu tempo determinado, 
e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" 
( Eclesiastes 3:1-2) - lembrei. 

Chegando ao 4H, tivemos um momento muito legal, onde após um dinner regado a pizza e refrigerante (descobri que odeio Dr. Pepper), formamos uma grande roda e entoamos várias canções. Dentre elas, a que mais gosto é, ao mesmo tempo, a que mais me emociona. Chama-se “Peace Like a River” e diz:

I’ve got peace like a river (x3)
In my soul
I’ve got strength like a mountain (3x)
In my soul
I’ve got joy like a fountain (3x)
In my soul
I’ve got determination (3x)
In my soul
 

Até hoje não consigo ouvir essa música sem chorar. A letra é linda e fala de coisas que nós realmente precisávamos adaptar às nossas almas para continuar ali longe da nossa terra natal e das pessoas que mais amamos: paz, força e determinação. É incrível o conforto que esses versos trazem. Quando estou triste, essa música vem a minha cabeça, muitas lágrimas rolam pelo meu rosto e, no final, eu me sinto forte. É como se eu absorvesse toda a positividade emanada por estas palavras.

Após a música, fizemos um jogo onde cada um tinha que descrever seus sentimentos com relação ao programa até aquele momento com apenas uma palavra. A melhor palavra que pude encontrar foi “thankfulness” (em português, gratidão) e acho que, apesar de simples, esta palavra abrangia toda a gama de sentimentos que explodiam dentro de mim. Cada membro da World Learning redigiu algumas palavras emocionadas e em seguida fomos aos quartos. Logo logo o staff passaria fazendo o bed check.

Luzes apagadas, aquecedor ligado… Boa noite!

No dia seguinte eu riscaria um dos itens da minha

lista de 100 coisas para fazer antes de morrer.

2 comentários sobre “LET IT SNOW!

    • Comi mesmo e como se não bastasse, ainda gravei um vídeo desse momento.
      Pelo fato de ter vergonha na cara e também por respeito aos meus leitores (tanta babaquice é quase um insulto! rs), eu não o postarei JAMAIS.

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